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dez13

As perspectivas desanimadoras para as eleições federais de 2014
Congresso com muitos ruralistas, teocratas, nepotistas, corruptos etc. e a presidência com alguém mancomunado com o grande capital, ou seja, mais do mesmo ou algo ainda pior: essa é a perspectiva que se tem para depois das eleições de 2014

Congresso com muitos ruralistas, teocratas, nepotistas, corruptos etc. e a presidência com alguém mancomunado com o grande capital, ou seja, mais do mesmo ou algo ainda pior: essa é a perspectiva que se tem para depois das eleições de 2014

O cenário que se monta para as eleições federais (presidente, deputados federais e senadores) de 2014 não é nada animador. Pelo que tem acontecido até o momento, parece só haver duas possibilidades para o resultado do próximo pleito, caso algo positivamente surpreendente não aconteça: Brasília vai continuar com um plantel político de qualidade irrisória ou vai ficar com algo ainda pior do que já tem hoje. Isso mostra que alguma providência precisa ser tomada pela população para que o Brasil não perca mais quatro anos de sua história político-governamental.

O quadro de candidatos majoritários a presidente não agrada nem um pouco a quem realmente quer um país mais justo e ainda tem esperança de que mudanças substanciais sejam alcançadas pela via do voto. Dos candidatos que figuram no momento:

1. Dilma Rousseff é uma das maiores decepções da história da esquerda brasileira – já que a maioria da esquerda não anarquista a apoiou em 2010. Ela sequer é de esquerda, tendo optado por políticas claramente liberal-conservadoras, como a privatização de bens públicos; a manutenção do beneficiamento do grande capital (bancos, latifúndios, automobilísticas, empreiteiras, grandes empresas de comunicação, FIFA etc.); a manutenção da aliança com setores conservadores (bancadas teocrática e ruralista); a queima de bandeiras ligadas aos Direitos Humanos; a cumplicidade perante o massacre cotidiano de LGBTs, indígenas, mulheres, negros, moradores de favelas etc.; o apoio às violentas repressões contra manifestantes – em especial nos protestos de2013 –; a manutenção do império do modal rodoviário em detrimento dos modais hidro e metro-ferroviários, entre tantas outras;

2. Aécio Neves e Eduardo Campos, ao lado de Dilma, não trazem nenhuma perspectiva de mudanças positivas na política. Nada relativo a popularizar e humanizar as políticas públicas e os investimentos. Pelo contrário, trazem consigo o estigma do desenvolvimentismo, do privatismo e da irresponsabilidade socioambiental, além da perspectiva de políticas sujas – em Pernambuco Eduardo é visto por muitos como um “coronel de última geração” e, desde Minas Gerais, Aécio traz consigo o peso do programa político direitista do PSDB;

3. Randolfe Rodrigues representa o começo da temida e lamentada transição do seu partido, o PSOL, ao pragmatismo que degenerou o PT em partido de direita. Na campanha de Clécio Luís para prefeito de Macapá em 2012, ele participou, ou no mínimo foi conivente, da aliança entre Clécio e alguns políticos do DEM, do PSDB e do PTB, e depois sentou com Sarney e João Capiberibe, também senadores do Amapá, com o pretexto de viabilizar recursos para a capital daquele estado. É como se ele tivesse dado um aceno amigo a quem menos merece apreço na política brasileira. Isso tem inspirado em muitos o receio de que, num eventual segundo turno presidencial, Randolfe “arregue” perante os conservadores, busque o apoio de parte deles e jogue no lixo os pouco menos de 10 anos da história até então ideologicamente fiel do PSOL;

4. PSTU e PCB não inspiram a confiança da população e sequer parecem querer a simpatia do povo perante sua ideologia e prática política. Até o momento, o único nome nacionalmente conhecido desses partidos é o da vereadora Amanda Gurgel, mas não há indicativo de que ela queira se candidatar a presidenta tão logo, tendo estreado há bem pouco tempo na política legislativa. Esses dois partidos não representam esperança de mudanças para a política brasileira;

5. Ainda existe um risco, ainda que baixo, mas mesmo assim assustador, de vermos nomes ainda mais infames do que o trio Dilma-Aécio-Eduardo na corrida presidencial: Jair Bolsonaro e Marco Feliciano. Os dois, ou um deles, têm potencial de trazer muitos votos dos brasileiros de extrema-direita e atrapalhar a eleição de quem for liderar. Se um desses nomes, ou os dois, competir na campanha eleitoral, a qualidade da corrida eleitoral vai afundar ainda mais do que já está afundada.

E para piorar, os ruralistas e teocratas evangélicos continuam detendo um enorme poder de influenciar o resultado das eleições e forçar os candidatos do eventual segundo turno a desistirem de qualquer política decente de Direitos Humanos, laicidade e meio ambiente, caso algum deles queira o apoio de um rebanho de dezenas de milhões de eleitores e não correr o risco de perder.

Falando nisso, nada hoje aponta para uma perda de prestígio por parte dessas duas bancadas, o que torna as perspectivas para o Legislativo federal também sombrias. Até o momento as poucas campanhas contra o voto em teocratas e ruralistas têm sido isoladas e angariado o apoio de uma quantidade estatisticamente irrisória de pessoas. E não parece haver a perspectiva de ser iniciado em 2014 um movimento massivo contra o voto em candidatos desses dois tipos.

E outro problema é o pouco engajamento, até o momento, em campanhas de denúncia em massa de potenciais candidatos coronelistas, corruptos/corruptores, autoritários, patrocinados por grandes empresas etc. Neste momento poderia ser a hora de escrachar e inviabilizar candidaturas sujas, mas quase nada, ou nada, está sendo feito com esse propósito.

Pode estar muito cedo para dizer que 2014 está totalmente perdido em termos de eleições proporcionais, mas é quase fato que as perspectivas de se saber quem vai conquistar a presidência não são nada animadoras e esperançosas. Por isso é que se faz necessário que a população perceba que o sistema político representativo jamais irá realmente promover mudanças suficientemente radicais de modo a beneficiar a população mais necessitada e dependente de serviços públicos.

E isso precisa resultar no aprofundamento das demandas democráticas, de modo que se acabe com essa tradição de acreditar que a democracia no Brasil é apenas voto e abaixo-assinado. Precisamos iniciar uma tendência de democratização profunda da política, de modo que, no final das contas, o povo, e não um punhado de representantes manipuladores e/ou mãodeferristas, seja o detentor da soberania e das decisões políticas.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

DelRio

fevereiro 17 2014 Responder

Eu voto na Frente Evangélica, na Bancada Ruralista e na Bancada da Bala! Pena que o Empresariado se vendeu ao nacional-socialismo do PT1

Direitista

janeiro 4 2014 Responder

Vai estudar…
Partido da Social Democracia Brasileira.

http://static.psdb.org.br/wp-content/uploads/2010/04/estatuto_atualizado-psdb_2013.pdf

Estude um pouco a história da China e da RUSSIA.
Aproveita e da uma olhada nos Gulag e Holodomor…
Na china de uma especial atenção à Revolução Cultural.

Se é que você já não sabe de tudo isso…

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