19

dez13

Secretário de defesa social pernambucano profere machismo e homofobia e entrega cargo
Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

O secretário estadual de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio, protagonizou aquilo que não deveria vir de um órgão que teoricamente deve garantir os direitos de toda a população: declarações machistas e homofóbicas. Falas preconceituosas dele foram exibidas por uma entrevista dada ao Jornal do Commercio em prol da série especial de reportagens “Casa Grande & Senzala 80 anos”.

Primeiro, ele despejou homofobia ao equiparar homossexualidade com ser ladrão:

JC – Estou há cerca de dois meses ouvindo relatos a respeito da questão da exploração sexual, a matéria tem relação com o livro Casa-grande & senzala. Estamos fazendo um paralelo, mostrando que o sofrimento de meninas e mulheres naquele momento não se extinguiu nos dias de hoje. Entre as falas, algumas feitas por menores, há relatos sobre a atuação da Rocam, do Gati, da Patrulha do Bairro. Eles chegam ao local, dizem as entrevistadas, como se fossem fazer uma abordagem, mas, na verdade, os policiais pedem para ver os seios das meninas, há relatos de sexo oral. Falei com a corregedoria para ver se existem registros de casos assim e informaram que não.

WILSON DAMÁZIO – Tivemos um caso desses em Barra de Jangada (Jaboatão). Nós prendemos em flagrante um policial (interrompe a fala e dirige-se ao corregedor adjunto, Paulo Fernando). Eles já foram demitidos? Tem que ver lá. Anote aí, por favor, veja se aqueles dois policiais foram demitidos.

JC – Isso foi na viatura?

DAMÁZIO – Foi assim: a moça estava no bar, com homens, e tal… era ligada à prostituição… e aí chegou no posto para prestar uma queixa. Os policiais disseram tá bom, vamos levar. Chegando lá, o bar já estava fechado, não deu em nada o trabalho. Ela alega que eles a levaram para a beira do mar e lá um deles a obrigou a fazer sexo oral (em entrevista, a vítima, então com 28 anos, informou que o policial manteve uma arma apontada para sua cabeça). Ficamos sabendo, botamos a corregedoria atrás, prendemos a guarnição, pegamos por nosso sistema de rastreamento. E aí, eles foram presos. Quer dizer: desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Lógico que a homossexualidade não quer dizer bandidagem, mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional. Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia… né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?

Mais adiante, fez uma declaração repulsiva que insinua que o abuso sexual de mulheres por policiais é culpa delas próprias:

JC – Isso me recorda o escândalo da Ronda do Quarteirão, no Ceará (programa semelhante ao Patrulha do Bairro), quando as câmeras dos próprios veículos filmaram os policiais fazendo sexo com mulheres dentro dos carros.

DAMÁZIO – A gente já pensou em colocar a câmera escondida, mas aqui agora tudo é garantia e direitos individuais..

JC – Mas o carro é público, eles estão a trabalho, acho que não haveria essa questão.

DAMÁZIO – Ah, vai dizer isso para as associações… aqui tem muitos problemas , com mulheres, principalmente… Elas às vezes até se acham porque estão com policial. O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil.. Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda. Todo policial militar mais antigo tem duas famílias, tem uma amante, duas. É um negocio. Eu sou policial federal, feio pra c**.. a gente ia pra Floresta (Sertão), para esses lugares. Quando chegávamos lá, colocávamos o colete, as meninas ficavam tudo sassaricadas. Às vezes tinham namorado, às vezes eram mulheres casadas. Pra ela é o máximo tá (sic) dando (sic) pra um policial. Dentro da viatura, então, o fetiche vai lá em cima, é coisa de doido.

O que se viu aí foi um policial atentando verbalmente contra os Direitos Humanos de homossexuais e mulheres, negativando ambas as categorias – uma como “ruim” por “atentar contra a família tradicional”, e a outra culpabilizada pelos abusos sexuais cometidos por policiais. Obviamente isso teve repercussões de repúdio nas redes sociais, com muita gente exigindo a exoneração do secretário.

Felizmente ele renunciou do cargo de secretário de Defesa Social, assumindo no lugar o secretário-executivo da mesma pasta. Confessou, em seu ato de renúncia, ter dado declarações infelizes, mas logicamente isso não apazigua a indignação de quem viu alguém que teoricamente deveria defender os DH atentando contra eles.

Isso mostra um pouco sobre nas mãos de quem os direitos das pessoas, incluído o direito à segurança, estão: nas mãos de pessoas preconceituosas que terminam por legitimar, ao invés de combater, a violência sofrida pelas pessoas diariamente.

imagrs

4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Fernando Pinto

dezembro 25 2013 Responder

Ah. E que seja dito. Esse secretário foi covarde! Entregar o cargo por suas declarações? Covarde!!!

Fernando Pinto

dezembro 25 2013 Responder

Homofobia?? Onde ele mostrou medo de homossexuais ? Machismo? Onde ele tratou as mulheres como inferiores?
Pensamento retrógrado ? Ah! Acusar de pensamento retrógrado não é preconceito?
Fala sério !!! Este post é totalmente tendencioso!!!

Bruno Gonçalves

dezembro 19 2013 Responder

Isso para mim é mais um triste exemplo de como esses representantes são um reflexo do pensamento retrógrado de nossa sociedade,pois como já dizia o humorista George Carlin,se nós temos cidadãos ignorantes e egoístas teremos lideres ignorantes e egoístas também. Ótimo post Robson.

    Robson Fernando de Souza

    dezembro 20 2013 Responder

    Valeu, Bruno.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo