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A filantropia tira a fome das pessoas, mas só a libertação de classe acaba com a privação de comida

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Quando se diz que só a luta de classes, pela libertação dos seres humanos hoje mantidos em posições inferiores de hierarquias sociais, vai acabar com a miséria e a pobreza, não é brincadeira. Nada que seja feito sem o propósito de induzir as pessoas a buscarem coletivamente sua libertação irá solucionar definitivamente suas privações e sua vivência cotidiana com tantas violências sociais. Um exemplo clássico disso é o combate à fome.

Todos os anos, centenas ou milhares de campanhas filantrópicas de alcance mundial acontecem nos mais diversos países, buscando “lutar contra a fome e a miséria no mundo”. Milhões de refeições gratuitas ou a preços simbólicos muito baixos são oferecidas a pessoas que padecem de subnutrição e não têm condições financeiras e ambientais de comer ao menos três vezes por dia sempre.

A intenção é muito positiva, mas na verdade tudo o que se consegue nessa campanhas é matar a fome de pessoas em situação de miséria por alguns dias. No máximo os filantropos conseguem beneficiar permanentemente alguns indivíduos, num universo de centenas de milhões que padecem da mesma carência alimentar.

Enquanto isso, outras pessoas que afirmam pensar na miséria do mundo fazem abaixo-assinados para que, por exemplo, sejam criados impostos internacionais que, taxando as grandes fortunas, o comércio internacional de armas e outras fontes de riqueza, arrecadem dinheiro para o combate à fome. Mas propostas assim nunca avançam.

Na maioria das vezes, o abaixo-assinado acaba estagnado, não atingindo o número mínimo de pessoas para ser encaminhado, por exemplo, à Organização das Nações Unidas ou à Organização dos Estados Americanos. Algumas petições, por sua vez, até atingem o número desejado de assinaturas, e os seus destinatários, geralmente políticos, os recebem. Mas, poucas horas depois da solenidade em que a lista de assinaturas é recebida, ela é engavetada, e alguns detentores do poder, nos bastidores, riem da cara de quem a assinou.

Essa gente que ri da boa intenção dos assinantes da petição contam a seus colegas de parlamento “como essas pessoas são ingênuas” por acreditarem que o poder público nacional e internacional vai querer, por exemplo, peitar a indústria armamentista com um imposto. De fato, não só inexiste essa boa vontade política, como as próprias corporações interessadas na exploração e na miséria de bilhões de pessoas e na concentração de renda e de terras são quem determina as diretrizes do poder, como nos casos da ONU, dos Estados Unidos e do Brasil.

Só se pode realmente lutar contra a fome, de modo a erradicá-la, lutando-se pela libertação humana. Nisso, não só a fome será erradicada, como também a miséria e as hierarquias que possibilitam que bilhões de seres humanos sejam condenados a uma vida de privações de direitos básicos, como o direito à alimentação regular e nutritiva. E isso só será conseguido quando, além de pratos de comida, for fornecida também educação política libertadora a essas pessoas.

Dizia Dom Helder Câmara: “Quando eu dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando eu pergunto por que os pobres não têm comida, me chamam de comunista”. Sejamos então os “comunistas” da vez, mesmo que sejamos não todos comunistas, mas também, por exemplo, anarquistas ou socialistas pró-democracia direta. Não nos contenhamos em ajudar os necessitados a terem três refeições por dia. Ajudemo-nos também encontrar a consciência de classe e o caminho para uma realidade em que a filantropia contra a fome deixe de ser necessária.

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jhonny F.

janeiro 19 2014 Responder

1.Defende o socialismo contra a fome e a má distribuição de renda,só ”esquece” dos milhares que morreram de fome vitimas do comunismo.

2.Dom Helder ainda alimentava os pobres,coisa que eu nunca vi um esquerdista fazer.

3.O que diabos é libertação do ser humano?

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