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jan14

Aqueles que vivem demandando “ordem” a todo custo são os que mais impedem a paz e o equilíbrio social
Os que mais clamam para que a polícia "restaure a ordem" são os que mais contribuem, ao lado da própria polícia repressora, para que a situação de desequilíbrio público e social se perpetue.

Os que mais clamam para que a polícia “restaure a ordem” são os que mais contribuem, ao lado da própria polícia repressora, para que a situação de desequilíbrio público e social se perpetue.

A cada protesto nas ruas, queima de ônibus, bloqueio de avenidas ou rodovias, rebelião nas prisões ou qualquer outra manifestação que quebre a situação anterior de paz urbana, aparecem muitos reacionários vociferando de raiva e demandando que a polícia, ou mesmo o Exército, intervenha e imponha à força a retomada da “ordem”. Mas mal sabem que, ao fazerem isso ao invés de enfrentarem as causas dos rompantes de “desordem”, estão fomentando uma situação social em que nunca haverá estabilidade, nem ordem duradoura.

Implicando aqui a palavra ordem tanto a paz e a estabilidade civil na sociedade quanto a manutenção de uma determinada organização social, desejá-la demais acaba, ironicamente, resultando na perpetuação de uma sociedade marcada por instabilidades e problemas. É ignorar que a sociedade só vai alcançar um estado de estabilidade quando as causas de seus conflitos forem resolvidas, e que a ordem social só vai se configurar com algum equilíbrio quando houver igualdade e justiça para todas as pessoas.

Os sedentos de “ordem” a todo custo exigem, aos urros raivosos, que a polícia intervenha imediatamente nos protestos, literalmente desçam a lenha nos manifestantes e devolvam a “ordem” à cidade. A atitude dessas pessoas e dos policiais, porém, não irá calar os cidadãos. Só irá fazê-los ter ainda mais razões para ir às ruas, engrossar e radicalizar as manifestações e, em alguns casos, instaurar uma situação generalizada de violência anti-institucional. A “regra” é clara: quanto mais repressão houver, mais motivação e comoção social, e menos “ordem pública”, existirão.

Tentar forçar as multidões ao recolhimento e ao silêncio é necessariamente perpetuar as causas dos distúrbios sociais. E isso, longe de “restaurar a ordem”, vai acumular mais ainda a indignação popular e resultar em protestos cada vez mais numerosos, volumosos e também violentos. Isso deveria ser o bastante para mostrar aos “pró-ordem” que eles, com sua atitude, ao lado da força armada repressora, são os que mais fomentam a perpetuação da ”desordem” e o adiamento, por tempo indeterminado, a situação de equilíbrio que desejam.

Então, ao invés de exigir, às vociferações violentas, que a polícia reprima as manifestações populares e “devolva a ordem” às ruas, os que fazem isso deveriam procurar saber as razões desses protestos, por que eles começaram (ou voltaram) a acontecer. Idealmente, deveriam apoiá-los, até que a causa da manifestação seja integralmente solucionada, mas isso lhes exigirá o mínimo de empatia por quem sofre com as privações sociais nas comunidades pobres, no transporte coletivo, nas ruas etc. E isso é assunto para obras inteiras de Sociologia, Política e História.

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