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Homens que se dizem “humanistas” mas rejeitam o feminismo são tudo menos humanistas

pseudoigualdade

Muitos homens, ou por desconhecimento sobre o que é realmente o feminismo ou por machismo mal disfarçado, dizem com todo gosto: “Não sou machista nem feminista, sou humanista”, ou “Não apoio o feminismo, mas sim a igualdade”. Alguns fatos mostram, porém, que esse tipo de homem pode ser qualquer coisa, menos humanista e pró-igualitarista.

Quando se rejeita apoiar o feminismo – considerando-se que existe uma enorme polêmica sobre se homens podem ser propriamente feministas ou simplesmente aliados do feminismo –, está-se rejeitando uma luta contra a opressão, pelos Direitos Humanos, pela derrubada de um sistema de hierarquização moral de seres humanos. Por isso, recusar apoio à causa feminista é rejeitar a dignidade de aproximadamente metade da população humana do mundo. E isso é tudo menos humanismo e pró-igualdade.

Não é nada humanista tentar minimizar ou silenciar a luta das mulheres contra o patriarcado, o qual é um sistema de valores e costumes que justamente impede que os seres humanos de todos os gêneros sejam tratados com a mesma dignidade. Rejeitar uma luta cujo objetivo é abolir uma tradição multimilenar que considera mulheres inferiores aos homens é tudo menos igualitário.

Da mesma forma, nenhuma pessoa realmente humanista vai tentar negar e desconsiderar a luta dos negros contra o racismo estrutural e cultural, seja ele velado ou explícito; nem irá rebaixar mentalmente à irrelevância a luta do movimento LGBT contra as tantas discriminações e rompantes de ódio heterossexistas (homo, lesbo e bifobia e intolerância contra assexuais) e transfóbicas a que seus integrantes são cotidianamente submetidos.

Nem está de acordo com os princípios da ética do humanismo secular equiparar o feminismo, um movimento antiopressão e pró-libertação, com o machismo, uma ideologia de opressão e dominação. Achar que o feminismo é “anti-homem” tal como o machismo é antimulher é tão ilógico e distorcido quanto acreditar que o movimento negro luta para que os negros passem a ser os opressores dos brancos, e ambas as crenças não só revelam que seus acreditadores não são nada humanistas, como também escancaram que eles sequer sabem o que é o humanismo e em que consiste sua ética.

Dizer “Não sou feminista, sou humanista”, mesmo sem a crença de que o feminismo é “anti-homem”, é algo que muitos reacionários costumam fazer na tentativa de negarem portar privilégios em função da combinação de categorias de raça, (identidade de) gênero, classe social, religião, orientação sexual etc. a que pertencem. Essas pessoas, em especial homens cis, tentam ignorar a existência de todo um sistema integrado de hierarquização moral, opressão e discriminação e acreditam ingenuamente que todos os seres humanos já são hoje tratados com igualdade e sem a interferência de preconceitos e intolerâncias. Nessa imaginação, as violências sofridas, por exemplo, por mulheres negras, pobres e lésbicas seriam as mesmas que aquelas a que homens brancos heterossexuais de classe média estão sujeitos.

Em outras palavras, essa frase se assemelha muito ao ditado reacionário “Não precisamos de consciência negra, e sim de consciência humana”. Silencia da mesma maneira o sofrimento e as demandas das tantas minorias existentes por libertação. Portanto, quem é adepto dessa crença de que é possível ser “humanista” sem apoiar o feminismo está, nada mais, do que dando carta branca para a ocultação e perpetuação do patriarcado e de suas tantas opressões, e isso não é nada humanista e pró-igualdade.

Quem nega apoio às causas libertárias das minorias políticas, como o feminismo, está sendo não humanista, mas sim anti-humanista. Está em oposição diametral aos propósitos do humanismo, que é apoiar as lutas de todos os seres humanos oprimidos pela sua libertação coletiva do multissistema de opressões que os inferioriza perante as categorias dominantes e, como consequência, por uma sociedade em que não haja mais desigualdades em função das características que hoje “justificam” a hierarquização moral das pessoas.

Portanto, todo humanista precisa apoiar o feminismo e as demais causas libertárias das minorias políticas. Caso contrário, ao continuar com frases paradoxais como “Não apoio o feminismo, mas sim o humanismo”, está jogando fora qualquer apoio às verdadeiras causas e objetivos humanistas e, assim, se comportando não como um entusiasta ou militante do humanismo secular, mas sim como um reacionário que acha ruim que estejam tentando transformar seus privilégios em direitos universais.

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Janie

agosto 22 2014 Responder

As pessoas ainda não entendem o que é feminismo e femismo. Feminismo é uma luta por igualdade de direitos para mulheres, bem como os culturais, que oprime e condena seus desejos como ser humano. Já o femismo é um movimento sexista, que diz que a mulher é superior ao homem. Esse sim é errado e não se deve concordar, pois se queremos igualdade de direitos, não dever haver superior.

Jeferson

março 20 2014 Responder

Machismo = Movimento pró Macho, Feminismo = Movimento pró Fêmea, ser humano do sexo feminino = Mulher, ser humano do sexo masculino = homem, animal do sexo feminino = Fêmea, animal do sexo masculino = macho

Victor

janeiro 17 2014 Responder

Segundo algumas feministas, eu não posso ser feminista por que sou homem, logo sou o que? Indefinido?

    Robson Fernando de Souza

    janeiro 17 2014 Responder

    Se você realmente compreende e ouve as feministas, não querendo tomar o lugar delas de protagonistas do feminismo e admitindo que o feminismo é um movimento feito por mulheres pra mulheres, é um aliado do feminismo.

      Fernando Fulgencio Henriques

      março 20 2014 Responder

      Discordo quando dizem que o feminismo é uma luta de mulheres para mulheres. A origem dessa lógica errônea se deve ao fato da maioria das pessoas lutarem apenas causas próprias, que interessam a elas especificamente, e ignorarem as demais. Daí vemos homens héteros e negros lutando contra o racismo mas sendo machistas e homofóbicos, homossexuais lutando contra a homofobia mas desprezando os direitos dos animais, e por aí vai. Podemos e devemos nos indignar, interessar e lutar por causas onde não somos as vítimas diretas. Uma bela prova disso é o veganismo: lutamos pelos animais, não por nós mesmos. Quem é vegano, como eu, sabe muito bem o que é se indignar com a situação de terceiros e transformar a luta do outro na sua própria. Dessa forma, não vejo o feminismo como uma luta de mulheres para mulheres, vejo uma luta de humanos (homens e mulheres) que se indignaram igualmente com a situação vigente e decidiram lutar. Assim como considero minha a causa animal, faço o mesmo com o feminismo. Sim, não sou diretamente agredido pelo machismo, afinal sou homem e hétero, mas isso não diminui em nada a minha capacidade de indignação e desejo de participar ativamente da mudança. De qualquer forma, discutir se homens são feministas ou aliados do feminismo é irrelevante a meu ver, afinal é uma discussão apenas sobre a nomenclatura que será dada aos homens. Me chamem do que quiser. Aliado, feminista, não me importo. O importante são as idéias e as ações, não o rótulo.

Felipe

janeiro 16 2014 Responder

Esse artigo me lembrou daqueles vloggers,o Yuri e o Clarion, dizendo que o feminismo perdeu seu sentido com o tempo, e que hoje ele não passa de uma causa perdida.Dá pra acreditar nisso?(O pior é que eles possuem grandes quantidades de visualizações.)

    Robson Fernando de Souza

    janeiro 16 2014 Responder

    Esses dois seres são patéticos e “pitiful”.

Ravi

janeiro 15 2014 Responder

nunca ouvi falar de um assexual. pq existiria algo contra isso ?

    Robson Fernando de Souza

    janeiro 15 2014 Responder

    Assexuais são pessoas que não têm nenhuma orientação sexual, nenhuma atração sexual por ninguém. E elas costumam sofrer pressão social pra se relacionarem, inclusive sexualmente, com pessoas de outro gênero.

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