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Proposta de categorização de desastres ambientais
Em sentido horário: um desastre natural não atropogênico (erupção vulcânica), um desastre natural parcialmente antropogênico (enchente), um desastre antropogênico indiretamente social (mortandade de peixes) e um desastre antropogênico diretamente social (higienismo social, expulsão dos moradores de Pinheirinho)

Um desastre natural não atropogênico (erupção vulcânica), um desastre natural parcialmente antropogênico (enchente), um desastre antropogênico indiretamente social (mortandade de peixes) e um desastre antropogênico diretamente social (higienismo social, expulsão dos moradores de Pinheirinho)

Algumas obras falam de desastres naturais/ambientais como influenciados pela ação humana desde em sua gênese até nas suas consequências para a vida, seja ela humana ou não, havendo como exemplo o artigo Educação para a gestão ambiental: a cidadania no enfrentamento político dos conflitos socioambientais, escrito por Philippe Pomier Layrargues para o livro Sociedade e meio ambiente: a educação ambiental em debate, artigo esse que me inspirou a escrever este artigo. Venho então trazer uma categorização alternativa desses fenômenos, incluindo também desastres diretamente causados pelos seres humanos e, no caso de alguns, de cunho socioambiental.

Todas essas catástrofes vitimam seres humanos e outros seres da Natureza, variando a responsabilidade das atividades e movimentos humanos na origem e nos destruidores efeitos delas. Considerando-se isso, convém classificá-las em quatro categorias:

a) Desastres naturais não antropogênicos: sua causa não é ligada às atividades humanas, como a maioria dos terremotos, erupções vulcânicas, tsunamis e quedas de meteoros.

Esses fenômenos, apesar de não terem um dedo do ser humano em sua gênese, muitas vezes têm suas consequências de catástrofe amplificadas pelas atividades humanas, como, por exemplo, a ocupação de áreas próximas de um vulcão, o desmatamento de vegetações costeiras (mangues, restingas, coqueirais etc.) – que remove as barreiras naturais que amorteceriam tsunamis –, a construção de cidades perto de falhas sísmicas etc.;

b) Desastres naturais parcialmente antropogênicos: têm causas naturais influenciadas, mas não diretamente induzidas, pela ação impactante humana, como enchentes, secas, desequilíbrios ecológicos e fenômenos meteorológicos diversos (chuvas torrenciais, nevascas, ondas de calor ou de frio, furacões etc.).

Essa categoria tem tanto sua ocorrência e frequência como suas consequências diretamente agravadas pelos humanos, como, entre os fatores potencializadores, desmatamento, emissão de gases-estufa e devastação de matas ciliares, e, entre os fatores agravantes, a ocupação de áreas mais vulneráveis a esses desastres (como encostas de morros e margens de rios com fortes cheias), a eliminação de barreiras naturais inibidoras (como a destruição e aterramento de manguezais), o entupimento das galerias de escoamento pluvial com lixo e a drástica redução ou extinção de predadores naturais.

Em outras palavras, essas catástrofes não costumam ser criações dos seres humanos, mas são consequências diretas ou indiretas das ações destes.

c) Desastres antropogênicos indiretamente sociais: são diretamente induzidos pelos seres humanos, com consequências ambientais óbvias e ligações indiretas com problemas sociais. Tem como exemplos os vazamentos de óleo ou produtos tóxicos, as chuvas ácidas, os níveis elevados de poluição da água ou do ar, as mortandades de animais em corpos d’água poluídos etc.

d) Desastres antropogênicos diretamente sociais: também são induzidos de forma direta pelos seres humanos e têm essência e consequências diretamente sociais. Exemplos: desapropriação e inundação das margens habitadas de um rio pela construção de uma barragem; desmatamentos; expulsão de comunidades tradicionais indígenas ou não indígenas de ambientes previamente condenados ao desmatamento e/ou ao secamento do rio ou lago; favelização da população mais pobre por políticas excludentes e antipopulares; políticas de “limpeza social” que forçam os pobres a se alojarem em áreas de alto risco ambiental e degradarem o ecossistema local etc.

Essa sugestão de categorização visa orientar os especialistas em relações sociedade-meio ambiente, incluídos os educadores ambientais, à (cons)ciência de que o ser humano tem envolvimento direto ou indireto nos desastres ambientais, sejam eles climáticos, geológicos, ecológicos, de poluição ou diretamente sociais. Também tem como objetivo incentivar a busca por soluções que conciliem as necessidades coletivas humanas com a preservação ou restauração da integridade da biosfera. Espera-se assim que, com a ideal diminuição progressiva do desequilíbrio entre as atividades humanas e as dinâmicas ambientais como resultado da ação dessas pessoas em interação com o restante da sociedade, futuras catástrofes não tenham uma consequência tão pesada sobre a vida humana e não humana.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Welva

agosto 1 2016 Responder

Waoo.. valeu pela forca# Bem Bom

Miller

agosto 1 2016 Responder

Lindo Trabalho

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