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Aqueles que dividem a humanidade entre “civilizados” e “bárbaros” são os menos civilizados de todos
Gente que discrimina e odeia o negro, o nordestino, o boliviano etc. se acha "os civilizados", mas falta-lhes qualquer traço de civilidade, sendo piores do que qualquer pessoa que tacham de "bárbaros".

Gente que discrimina e odeia o negro, o nordestino, o boliviano etc. se acha “os civilizados”, mas falta-lhes qualquer traço de civilidade. Ostentam as características que eles próprios acham que os “bárbaros” é que possuem, ao contrário daqueles que por eles são discriminados.

Atualizado em 15/02/14

Ainda existe um costume entre alguns indivíduos de se autointitular “os civilizados”, enquanto aqueles que eles consideram “indesejados” são tachados de “bárbaros”. É um hábito comum entre racistas, xenófobos e elitistas, que maltratam e discriminam negros, pobres, nordestinos etc., rotulando-os como “bárbaros” e “indesejáveis”. Mal sabem esses autoarrogados “civilizados”, é justamente por pensarem assim de si mesmos e inferiorizarem os que tacham mental ou verbalmente de “bárbaros” que são eles próprios os menos civilizados – na concepção de civilidade, diferente da de “civilização” -, os mais antiéticos, violentos e brutos, da nossa sociedade.

A própria crença nessa divisão hierárquica já é uma barbárie – a barbárie do preconceito – barbárie no sentido de algo antiético perigoso e muito violento, ao invés de “não pertencente à civilização”. Ela condena à inferiorização principalmente negros, indígenas, imigrantes africanos e latino-americanos de origem humilde, nordestinos e nortistas que migram ou visitam o Sudeste e o Sul e pessoas pobres. E, como muitos veem todos os dias, legitima os mais cruéis crimes de ódio, desde discursos preconceituosos até homicídios multiplamente qualificados, seja por neonazistas assumidos ou enrustidos, por coxinhas portadores do “complexo de Dona Florinda” ou por policiais que empreendem ações de extermínio em favelas.

Esses “civilizados” são os que mais demonstram essa intolerância em redes sociais, conversas de bar e nas relações presenciais com aqueles que por eles são discriminatoriamente chamados de “bárbaros”. Contrastam com a grande maioria dos maliciosamente tachados em termos de conduta em termos de (falta de) civilidade e respeitabilidade, sendo os que mais se afastam do estereótipo do ser humano “civilizado” imaginado pelos europeus do século 19.

Portanto, quando alguém divide a humanidade em “civilizados” e “bárbaros”, diz estar incluído entre os primeiros e discrimina os demais, está sendo qualquer coisa, menos “civilizado”. Nossa sociedade não deve mais dar espaço a esse tipo de gente, escrachando e ostracizando esses preconceituosos até que repensem sua mentalidade, abandonem essa arrogância racista, xenofóbica e elitista e passem a tratar a todos com a mesma dignidade, nivelada por cima.

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Jamilly Pontes

maio 10 2016 Responder

Do ponto de vista dos direitos humanos o que seriam “ações civilizadas”?

Soraya

fevereiro 14 2014 Responder

Ao dizer que quem faz essa distinção se encontra entre os bárbaros, você não está aceitando a mesma classificação que combate?
A sua frase literalmente: “quando alguém divide a humanidade em “civilizados” e “bárbaros”, inclui-se entre os primeiros”, logo vc aceita a divisão. E lá vamos para uma petição de princípio.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 15 2014 Responder

    Dei umas ajustadas no texto, retocando partes que o faziam parecer estar usando a própria lógica da dicotomia “civilizados/bárbaros” criticada.

    Mas o trecho que vc mencionou não é a frase completa. O trecho completo (o original, já que eu editei) é “Portanto, quando alguém divide a humanidade em “civilizados” e “bárbaros”, inclui-se entre os primeiros e discrimina os demais, está sendo qualquer coisa, menos “civilizado”.”

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