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Folha de S. Paulo aconselha a LGBTs deixarem de ser quem são para não serem agredidos
Foto por Marcelo Rodrigues Jr.

Foto por Marcelo Rodrigues Jr.

A Folha de S. Paulo, na incapacidade de educar os heterossexuais cis para respeitarem as pessoas LGBTs, tomou uma atitude que está revoltando muita gente com razão: que LGBTs simplesmente renunciem a diversos direitos e deixem de ser quem são em público e/ou em ambientes abertos. Em outras palavras, a Folha aconselha essas pessoas a praticamente deixarem de existir publicamente e não serem elas mesmas.

Na linha da mídia irresponsável que faz coro com a sociedade machista-patriarcal e culpa a vítima por sofrer crimes de ódio, a Folha listou, numa página da edição de ontem, as quatro “estratégias de segurança” listadas acima. Elas passam uma gritante mensagem: “Deixem de ser quem são diante de outras pessoas se não querem ser vítimas de crimes de ódio.” Para a mentalidade de quem fez a matéria, LGBTs devem obedecer aos heterossexistas (homofóbicos, lesbofóbicos, bifóbicos etc.) e serem quem são apenas “entre quatro paredes”, deixando de se relacionar com seu(s) amor(es) e amizades em público e lugares abertos e, no caso de gays “pintosas”, fingirem ser quem não são.

Com muita razão as pessoas não reacionárias que viram a pérola ficaram revoltadas com as tais “estratégias de segurança”, e a Folha está sendo alvo de chacota. Entre os depoimentos de gente indignada, está o de Marcelo Rodrigues Jr., que tirou a foto acima:

olha, que legal! a folha™ fez uma lista de coisas que nós gays devemos evitar para podermos andar na rua sem sofrer violência.

a lista inclui habitar lugares abertos, dar pinta, andar de mãos dadas e beijar em público. ou seja: eu devo me privar de viver uma vida normal para que nenhum hétero apareça do nada e venha me bater.

pra quê educar o agressor a não matar ou bater nas pessoas na rua, né? é melhor transferir a culpa da violência pra vítima e ensinar ela como não morrer… tá certinho!

Com isso, a Folha está indiretamente incitando aqueles que odeiam LGBTs a agredirem quem não aderir a essas “estratégias”, e fazendo exatamente o contrário do que diz pretender (fazê-los ser menos vítimas de violência de cunho preconceituoso).

Protestos devem ser enviados ao e-mail ombudsman@uol.com.br (a ombudsman da Folha de S. Paulo, que comenta as tosqueiras cometidas pelo jornal), de modo que tamanha irresponsabilidade não se repita mais e o jornal em questão abandone a tendência da sociedade de ensinar as vítimas a não morrer ao invés de educar os potenciais agressores a não atacá-las.

imagrs

30 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Filipe

fevereiro 14 2014 Responder

É que algumas coisas dentro da teologia são mais claras que outras. Mas geralmente isso não se refere à normas, ou procedimentos necessários à vida Cristã, que são praticamente unânimes em sua maioria. São mais questões filosóficas para estudiosos, que procuram explicações de acordo com visões diferentes. Por isso existem o Arminianismo e o Calvinismo, por exemplo.
Na questão sexual existem vários preceitos que são observados quase unanimemente por todas as denominações, mesmo com visão teológica muito diferente.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 14 2014 Responder

    A submissão feminina também é “praticamente unânime” na doutrina cristã?

      Filipe

      fevereiro 17 2014 Responder

      Sim, acho que sim. Mas precisa ser bem entendida. Posso aprofundar um pouco o tema, se necessário.

Filipe

fevereiro 13 2014 Responder

Eu li 2 daqueles links, embora não tudo porque são muito extensos. Muito do que está ali é discutido entre teólogos.
inclusive, se vc julgar por padrões atuais, muita coisa parece errada. Mas a revelação é progressiva, então muito do que está no antigo testamento foi abolido no Novo, com a vinda de Cristo. Isso é uma discussão muito longa e complexa, e eu sou um estudioso autodidata, e não teólogo formado.
De qualquer, o padrão de bondade é Deus e Ele não age sempre de acordo com o padrão humano. Eu e muitos outros estudamos para compreender uma série de coisas difíceis.
Mas a fé justamente é crer primeiro, e tentar entender depois. Creio que um dia entenderei tudo, talvez após a morte.
É estranho, não? Mas não conseguiria ser feliz de outra forma!

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 13 2014 Responder

    Se “muito do que está ali é discutido entre teólogos”, então como se tem tanta certeza sobre algumas normas e tanta dúvida sobre outras alegadamente ditas por Deus?

Filipe

fevereiro 13 2014 Responder

Bem, mudanças substanciais foram feitas, principalmente com a reforma protestante. Mas veja, a Bíblia é a mesma. Racismo ou discriminação de pobres nunca fez parte da doutrina; isso é um problema do caráter das pessoas. Quem seguiu a doutrina de verdade nunca foi racista, por exemplo. A própria Bíblia fala para não privilegiar ricos de nenhuma forma, e exalta a importância de ajudar os necessitados.
O problema dos homossexuais é diferente. Eles não podem ser aceitos como membros na Igreja, mas apenas como visitantes. No entanto, não devem ser agredidos e sim acolhidos. Creio que precisam ser respeitados, mas devem também respeitar. Como todo mundo, aliás.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 13 2014 Responder

    “O problema dos homossexuais é diferente. Eles não podem ser aceitos como membros na Igreja, mas apenas como visitantes.” – Isso não seria uma forma de discriminação?

      Filipe

      fevereiro 13 2014 Responder

      Não vejo assim. Vamos pensar da seguinte forma: existem regras para pertencer ao grupo. Eu não posso ser vegetariano e dizer que quem não come carne vai morrer desnutrido, posso? Da mesma forma, eu não posso pertencer a uma igreja cristã assumindo publicamente que apoio coisas que são contra o que a Igreja prega.
      A homossexualidade é apenas uma dessas coisas. Um membro de igreja que vai morar junto com uma mulher sem se casar, por exemplo, também é sujeito a afastamento.

        Robson Fernando de Souza

        fevereiro 13 2014 Responder

        Aí nos perguntamos: por que a Igreja coloca como regra a heteronormatividade?

          Filipe

          fevereiro 13 2014

          Nossa, nunca ouvi esse termo!
          A igreja coloca porque está na Bíblia.
          Simples assim.

          Robson Fernando de Souza

          fevereiro 13 2014

          Assim como está na Bíblia o conteúdo daqueles links que eu lhe passei, os da Bíblia do Cético. Você aceita como verdades aceitáveis tal conteúdo que mencionei?

filipe

fevereiro 12 2014 Responder

Robson, o que eu quis dizer com práticas opressoras não se refere à doutrina cristã, mas sim de práticas de líderes irresponsáveis. Práticas racistas, por exemplo, que não tem base alguma na doutrina do cristianismo. A homoafetividade é diferente, porque há textos muitos claros quanto à isso. Acho que a Igreja não vai aceitar isso nunca.
Mas veja só. Não quer dizer que o homossexual é pior que ninguém. Todos somos pecadores, só temos pecados diferentes. Nunca vi a Igreja pregar ódio contra essas pessoas, nem deve.
Óbvio também que eu não apoio a tortura de ninguém. Mas também não vou condenar tão facilmente as pessoas que fizeram isso. Erraram, sem dúvida. Mas talvez estivessem desesperadas por segurança e agiram por impulso. A própria Raquel, talvez estivesse indignada com tantas notícias ruins e exagerou um pouco nas críticas. Enfim, eu tento ver os lados de todos os envolvidos, mesmo que não concorde com eles.
Sempre quis conhecer melhor como pensa um defensor dos direitos humanos, como vc.
Obrigado pela oportunidade!

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 12 2014 Responder

    “Robson, o que eu quis dizer com práticas opressoras não se refere à doutrina cristã, mas sim de práticas de líderes irresponsáveis.” – E se a doutrina cristã em si trouxer uma prática opressora?

    Quanto a Rachel, esse não é o primeiro discurso “coxinha” dela. Ela já tem um notável histórico de discursos reacionários contrários aos interesses coletivos. E indignação não é justificativa pra apologia ao crime. Se fosse, seria “justificado” que um racista indignado que tivesse sido assaltado por um rapaz negro defendesse a matança de negros.
    E outra: por que ela não se indignou com as ações delinquentes de Justin Bieber, branco rico, mas apoiou a tortura de um negro pobre?

      Filipe

      fevereiro 12 2014 Responder

      Hum… essa questão do Bieber realmente me surpreendeu. Eu teria sido mais duro.
      Mas veja, em relação à agressão: ela não disse que justifica a ação; disse que explica. Eu não vejo a indignação da sociedade como algo contra os negros. É contra bandidos, seja de que cor, raça ou grupo social for. O que a sociedade quer é o fim da impunidade, seja contra assaltantes ou contra políticos brancos de olhos azuis. Mas sejamos justos: o Bieber age como um moleque mimado, faz um monte de asneiras e merece ser punido, mas não é bandido.
      Por fim, a doutrina Cristã… bem, ela é feita para os cristãos. Para quem é homossexual, ateu ou tem outra religião, deve seguir outros princípios. Eu só defendo o direito dos cristãos serem quem são. Como está escrito no título desse post, não podemos deixar de ser quem somos!

      Mas podemos viver em paz juntos!

        Robson Fernando de Souza

        fevereiro 12 2014 Responder

        “Eu só defendo o direito dos cristãos serem quem são.” – Aí é que tá: os cristãos de hoje não seguem a mesma doutrina cristã do século 15 ou do século 8.

Filipe

fevereiro 11 2014 Responder

Obrigado pela oportunidade de compartilhar. Vou tentar responder dentro do que conheço, então me perdoe se eu não souber tudo ou cometer alguma gafe!
As leis vc citou são do judaísmo, que encontramos no velho testamento da Bíblia cristã. Jesus suspendeu esse código de Leis. Os princípios morais ficam, mas o código foi abolido, até porque o cristianismo é uma religião separada do estado. Tem muitas considerações sobre isso, mas por ora vamos resumir nisso!
A homossexualidade é vista como pecado também no novo testamento, de forma clara. A não ser pelo uso do liberalismo teológico, não é possível negar essa interpretação.
Quanto a uma forma de amor ser pecado… isso é complexo, mas numa resposta rápida eu diria que, se a escritura diz que é, eu não questiono. Não fazemos isso por mal ou porque odiamos alguém. É nossa forma de ver o mundo, de sermos pessoas melhores e fazer a vontade de Deus. Isso deve soar estranho para os homossexuais. Eu entendo isso. Mas o fato é que eu não saberia viver diferente disso.

Ah, quanto a pena de morte, não se faz apologia porque não teria cabimento. Isso é papel do estado. No antigo testamento também era, mas o estado era teocrático. O que acha da pena de morte?

Obrigado!!

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 12 2014 Responder

    “mas numa resposta rápida eu diria que, se a escritura diz que é, eu não questiono.” – Isso é que é uma atitude criticável.

    Nesses três links abaixo tem muitas coisas que põem em xeque a crença de que “não se se deve questionar” a Bíblia:
    http://www.bibliadocetico.net/absurdos.html
    http://www.bibliadocetico.net/crueldade.html
    http://www.bibliadocetico.net/injusticas.html

    Sobre a pena de morte, é algo totalmente desnecessário e nocivo ao próprio combate ao crime. Costuma ser baseado mais na vingança do que na justiça.

      Filipe

      fevereiro 12 2014 Responder

      Então, eu conheço muitas dessas críticas que vc citou. Ocorre que isso é uma escolha de fé. A fé não é uma coisa que tem que ser explicada sempre. Claro que sou um estudioso e questionador. Mas estudo procurando compreender, e não duvidar das verdades expressas. Acho que pra vc deve ser difícil aceitar que um estudante de nível superior pense assim.
      A sociedade mudou, mas não acho que a Igreja deva mudar seus princípios. Ela pode mudar a linguagem, a forma de alcançar as pessoas e até o método de diálogo com a sociedade. Sobre o divórcio, por exemplo. A igreja não aceita isso como uma coisa natural, nem deve.
      Mas o que acho fundamental é, mesmo que pensemos diferente, podemos conviver pacificamente. Como estamos fazendo aqui. Quer dizer, ninguém vai mudar sua opinião, mas nem por isso vamos deixar de viver como brasileiros partilhando igualmente nosso país. Aliás o senso de ser um só povo parece ter se perdido no Brasil, e só vale na hora da Copa do Mundo.
      No caso dos homossexuais, o maior temor da comunidade evangélica (creio eu) é a aprovação de leis que levem a prisão de pastores que pregarem sobre pecado da homossexualidade, mesmo dentro dos templos. Ou ainda punições legais àqueles que se recusem a casar na Igreja casais homossexuais. Você acha que chegaria a esse ponto?
      Ah, vc viu o comentário da Raquel Rachel Sheherazade? Até o Psol quer abrir processo. O que vc achou?

        Robson Fernando de Souza

        fevereiro 12 2014 Responder

        Se a Igreja não deveria mudar seus princípios, então ela não deveria reconhecer negros como iguais a brancos (já que pregava que negros “não tinham alma” na época da escravidão humana), nem deixar de defender a guerra contra povos “infiéis”, nem parar de pregar o antissemitismo. E também deveria revogar o Concílio Vaticano Segundo.

        Sobre pastores que pregam que homossexualidade é “pecado” e se recusam a casar homossexuais nas igrejas, lembremos que, até meados do século 20, muitas igrejas americanas se recusavam a realizar casamentos interraciais e demonizavam o amor entre negrxs e brancxs.

        Quanto a Sheherazade, tenho visto intensamente o repúdio da esquerda à declaração dela. Apologista do crime e argumentando com inspiração elitista e racista (já que, algumas semanas antes, tinha defendido o delinquente do Justin Bieber, branco rico, depois de ter cuspido em fãs e pichado muros, enquanto dirigiu um ódio voraz contra um negro pobre cujas acusações sequer foram comprovadas). Não comentei num post específico aqui no blog, mas minha posição fica muito clara ao se ler alguns artigos aqui expostos.

          Filipe

          fevereiro 12 2014

          Obrigado pela sinceridade das respostas!
          Bem, numa história de 2000 anos, muitos erros foram cometidos.
          A questão dos negros não terem alma é absurda. Não tem nenhum embasamento bíblico. Não tenho conhecimento sobre isso suficiente, mas não creio que houve um dogma católico dizendo isso. Provavelmente era a opinião de dirigentes da época, que cometeram um terrível erro.

          Filipe

          fevereiro 12 2014

          Continuando…
          Enfim, o racismo realmente ocorreu em vários grupos, mas cristãos verdadeiros não são racistas. E a Igreja não surgiu como braço do estado. Isso veio depois e causou vários erros. As Cruzadas, que vc citou, são um deles.
          Disso que vc citou, creio que nada é princípio doutrinário, que é aquilo que não deve mudar. Práticas opressoras devem sim, ser modificadas.

          Não conhecia essa proibição de casamentos inter-raciais. Vou pesquisar. Talvez tenha a ver também diferença religiosa, não só com cor da pele.
          Quanto a Raquel, bem… Eu não sou de esquerda. Nem de direita. Creio que os dois lados tem alguns argumentos válidos, mas não me prendo a nenhum deles. Mas veja bem. Não vi apologia ao crime ali. Ela disse que é compreensível que cidadãos acuados reajam violentamente à sensação de impunidade, embora isso não seja correto. A situação de insegurança é tal que alguns cidadãos se acharam no direito de agir por conta própria. O que há de apologia nisso? Foi uma constatação da situação de várias cidades do Brasil. Não vi o que ela disse sobre o Justin, mas vou procurar.

          Então, vc acha que os casais homossexuais gostariam de casar numa igreja católica ou evangélica? Sinceramente, acho que alguns sim, mas a maioria não.

          Robson Fernando de Souza

          fevereiro 12 2014

          Se práticas opressoras devem ser modificadas, isso implica que interpretações bíblicas discriminatórias devem ser mudadas, como a de que Deus consideraria a homoafetividade um “pecado”.

          Sobre o que ela falou, ela apoiou a tortura de um suspeito, que inclusive é adolescente. E tortura é crime, seja contra qualquer pessoa. Ela violou a Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código Penal numa só tacada.

          E imagino que a maioria não gostaria de se casar em igrejas que os discriminaram por séculos. Mas, queiramos ou não, existem homossexuais fiéis da igreja católica e de igrejas protestantes, inclusive pentecostais.

          Filipe

          fevereiro 12 2014

          Robson, vi o vídeo que a Raquel fala do Justin. Eu acho que ele passa por uma adolescência atípica e poderia sim ter seus problemas. Mas não tem desculpa não. Apronta demais.
          No entanto, os maiores culpados são os responsáveis. Não sei se ele tem pai e mãe vivos, não sei nada dele. Mas pais responsáveis tinham que ter colocado um freio nele faz tempo.
          Acho que a Raquel foi boazinha demais. Aliás, boazinha não; ser bom nesse caso seria ser duro com ele e exigir que respeitasse os outros como gostaria de ser respeitado.

A.N.

fevereiro 10 2014 Responder

“Não dê pinta” foi foda!! Basicamente a Folha tá sugerindo o que os agressores queriam mesmo, que uma pessoa gay mude seu comportamento por medo.

Filipe

fevereiro 10 2014 Responder

Eu gostaria de saber uma opinião de como seria possível uma melhor convivência entre os grupos religiosos mais conservadores e os homossexuais. O que poderia melhorar?

Obrigado.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 10 2014 Responder

    Abstratamente falando, o ajuste de valores pode melhorar essa convivência. Antigamente a Igreja Católica brasileira consentia a escravidão humana, e hoje não é mais racista como era, graças às mudanças da sociedade. Da mesma forma, deixou de censurar o divórcio e se tornou menos intolerante contra religiões não cristãs.

    Tão logo os LGBTs conquistem bem sucedidamente o respeito da sociedade, as igrejas se verão incapazes de continuar fomentando o ódio de seus fiéis, irão parar e finalmente aceitar os direitos dessas pessoas.

      Filipe

      fevereiro 10 2014 Responder

      Bem, fiz essa pergunta porque sou religioso. Tenho minhas convicções, mas gostaria de manter diálogo com alguém que pense diferente de mim. Acho que assim todos podemos aprender juntos, sem agressões. Acho que este é o princípio da tolerância.
      Inicialmente, eu gostaria de saber o que seria reconhecer direitos, para que comecemos um diálogo.
      Gostaria de frisar que não sou a favor de violência contra nenhum grupo. Minha Igreja também não fomenta o ódio.

        Robson Fernando de Souza

        fevereiro 11 2014 Responder

        Sim sim, sou muito aberto a diálogos saudáveis também.

        Reconhecer direitos seria basicamente reconhecer que aquele grupo de pessoas tem os direitos de serem respeitados, de ir e vir, de serem reconhecidos como seres dignos, de terem acesso às mesmas oportunidades sociais de qualquer outra pessoa etc.

          Filipe

          fevereiro 11 2014

          Puxa, somos o oposto um do outro, não?
          Você do nordeste, eu do sul; ateu e cristão; vegetariano e onívoro… Renderia muito assunto! Mas vamos lá.

          Bem, eu sou cristão evangélico (embora não goste desse termo, gera confusão no Brasil), e portanto tenho uma visão sobre a homossexualidade que que não é a mais politicamente correta pelos padrões atuais. Mas existe uma separação importante aqui.

          Se creio que homossexualidade é um pecado, isso é uma discussão espiritual. Não civil. Quero dizer que um homossexual pode ser uma pessoa ótima, como inclusive tenho na minha família, e não deve ser privado de oportunidades de emprego, ir e vir e nem ser humilhado por isso. Muito menos ser agredido fisicamente. Acho que nenhuma igreja incentiva isso.

          Agora, o que também defendo é o direito das igrejas à sua fé e pregação. Mas veja, creio que isso deve ser feito com amor. Amor pra mim não é aceitar qualquer comportamento; é alertar sobre coisas nocivas também. Sem xingamentos! Não daria para um casal homossexual casar numa Igreja Cristã, por exemplo. Mas não sei se isso seria um problema. O que vc acha?

          Eu creio que a salvação das almas é só em Cristo; quem é ateu não crê nisso, mas se nos tratarmos com respeito, podemos conviver de forma agradável. Um dia saberemos de toda a verdade!

          Obrigado.

          Robson Fernando de Souza

          fevereiro 11 2014

          Antigamente também consideravam divórcio um pecado. E me pergunto:
          – por que o amor homoafetivo é visto como pecado por causa de um código de leis que também condenava o uso de roupas com duas fibras de tecido diferentes e incitava a execução de adolescentes rebeldes por apedrejamento, e ao mesmo tempo nem se defende hoje a obrigatoriedade das roupas de uma única fibra têxtil nem a pena de morte por apedrejamento. Em outras palavras, por que algumas leis do Velho Testamento foram revogadas e outras não
          – por que uma forma de amor é considerada pecado

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