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Ódio reacionário em alta no Brasil: quem podem ser os corresponsáveis
Recusas automáticas perante denúncias contra conteúdo de ódio garantem impunidade a páginas de direita que pregam a intolerância. Isso faz do Facebook um dos maiores, senão o maior, responsável pela escalada do reacionarismo no Brasil.

Recusas automáticas perante denúncias contra conteúdo de ódio garantem impunidade a páginas de direita que pregam a intolerância. Isso faz do Facebook um dos maiores, senão o maior, responsável pela escalada do reacionarismo no Brasil.

É inegável que, nos últimos anos, os reacionários brasileiros têm se tornado cada vez mais numerosos, notáveis e organizados. As livrarias estão cada vez mais repletas de obras recentes de autores brasileiros claramente ultraconservadores. Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Jair Bolsonaro, Rachel Sheherazade e outros nomes literalmente raivosos da direita nacional arrebanham muitos milhares de fãs e “discípulos”. Vê-se nas ruas e na internet gente defensora de um novo golpe militar numa intensidade que não se esperaria ver há apenas cinco anos atrás.

Nessas horas, vemos que o crescimento desse movimento tende a ameaçar, a médio ou longo prazo, o pouco que existe de democracia no Brasil. E nos perguntamos: quem está sendo responsável por essa ascensão literalmente assustadora, por deixar, via omissão, que antidemocratas quase convictos estejam se empoderando tanto?

Alguns podem discordar de mim em estar apontando (cor)responsáveis, ou melhor, culpados. Mas creio que é necessário dirigir uma crítica a certas entidades e também estimular a autocrítica dentro da esquerda e entre aquelas pessoas de centro que se dizem humanistas e compartilham muitas bandeiras com o liberalismo social estadunidense.

Então elenco a seguir quatro corresponsáveis pelo crescimento desimpedido da direita autoritária e golpista no Brasil. Quatro entidades ou categorias de pessoas que poderiam estar fazendo algo para impedir isso e civilizar o debate político brasileiro, mas nada fazem – ou pior, até fazem, mas em favor dos autoritários:

 

1. O Facebook

É mais que notável que o Facebook é a “capital” do reacionarismo no Brasil. Nele, dezenas ou talvez centenas de páginas assumidamente conservadoras pregam diariamente a supressão do dito Estado Democrático de Direito brasileiro, a regressão do Estado à qualidade exclusiva de entidade armada repressora das lutas populares libertárias, um novo golpe militar, a perseguição contra a esquerda e os movimentos sociais, a censura política nas escolas etc.

Esse conteúdo específico não chega, por si só, a ensejar a violação de termos de serviço da rede social mencionada, mas é fato que ele anda de mãos dadas com a apologia explícita do ódio e preconceito contra diversas minorias políticas, principalmente mulheres, pessoas trans, homossexuais, ateus, pobres e usuários de drogas ilegais. É muito comum ver fanpages de direita mancomunadas com páginas “masculinistas” (de ódio ultramisógino), fascistas, homo e lesbofóbicas, apologistas do cometimento de crimes por policiais, religiosas fundamentalistas, entre outras.

Esse tipo de conteúdo sim demanda exclusão de postagens e, por causa do costume recorrente de postá-lo, também das páginas denunciadas. Isso acarretaria, por associação, a remoção de dezenas de páginas de direita e o consequente enfraquecimento do movimento reacionário na internet. Mas o Facebook tem respondido à grande maioria das denúncias contra páginas e postagens com recusas automáticas, alegando, sem a devida análise manual de cada conteúdo denunciado, que seus termos de serviço “não estão sendo violados”, embora o contrário seja óbvio.

Isso tem permitido a proliferação de uma direita carregada de ódio e intolerância, e proporcionado a revelação de que o conservadorismo brasileiro é um movimento marcado por odiar e perseguir diversas minorias. Se o Facebook levasse a sério suas próprias normas de conduta, não veríamos tão forte um movimento elitista, heterossexista, misógino e apologista da violência policial. E das duas, uma: ou a militância de direita perderia aproximadamente metade da força que tem hoje, ou seria obrigada a adotar um discurso menos raivoso e preconceituoso, tornando-se minimamente apta a debater sóbria e decentemente com a esquerda contemporânea brasileira.

A saber, este não é um desejo de censura ao conteúdo político não preconceituoso de direita no Facebook, mas uma constatação de que o reacionarismo e o preconceito andam de mãos dadas, dedos entrelaçados e anelares aliançados, e que o movimento conservador brasileiro seria bem mais fraco se fosse efetivamente proibido de fazer apologias à intolerância contra minorias e ao crime policial.

O mesmo se aplica ao YouTube, que tem permitido, sem muita oposição administrativa, por exemplo, vídeos de Olavo de Carvalho que fazem apologia ao ódio contra ateus e homossexuais.

 

2. O governo federal do PT

Os governos de Lula e Dilma estavam com a faca e o queijo vegetal na mesa para democratizar e regulamentar a comunicação de massa no Brasil, acabando com o oligopólio das grandes corporações midiáticas e abrindo um grande espaço para a difusão de conteúdo popular, de mídia alternativa, e o amplo acesso da população às informações que a imprensa hoje esconde ou manipula. Mas não só evitaram fazer isso, como também favoreceram ainda mais o atual sistema oligopolista, com a concessão bilionária de verbas de publicidade aos grandes veículos de TV, internet, rádio e mídia impressa; o desmantelamento do Plano Nacional de Banda Larga e a repressão contra estações de rádio comunitárias.

Essa antidemocratização das comunicações tem ao mesmo tempo deixado terreno livre para que a direita, inclusive involuntariamente coligada com a crescente blogosfera governista, difame e criminalize os movimentos sociais brasileiros, e reduzido absurdamente o espaço da esquerda para respostas e refutações. Por exemplo, se a imprensa oligopolista criminaliza o Black Bloc e determinados movimentos sociais, o único espaço disponível para se responder e esclarecer o que suas emissoras omitiram ou manipularam são algumas páginas da internet (redes sociais, blogs e canais de vídeo) às quais só uma minoria que foi enganada pela mídia irá voluntariamente ler ou assistir.

Com isso, sobra para nós um espaço muito reduzido e pouco acessível para refutar a crença na “ameaça comunista”; os mitos sobre políticas afirmativas e minorias políticas; as verborragias dos Olavos, Reinaldos, Constantinos e Sheherazades da vida; os discursos de criminalização e intolerância contra as bandeiras de esquerda etc. Daí a tendência é que a população esteja muito mais exposta aos discursos reacionários do que às suas desmitificações e às divulgações das causas da esquerda pós-Guerra Fria. Portanto, o governo do PT, em sua recusa velada de democratizar as comunicações no Brasil, é diretamente responsável pela ascensão e massificação da ideologia da direita autoritária.

 

3. A esquerda que se cala

Pode ser duro aceitar, mas também é responsável pela ascensão reacionária a parcela da militância de esquerda brasileira que tem se mantido em silêncio perante a propagação do discurso direitista autoritário. Não são muitos os blogs, páginas de redes sociais e vlogs dedicados a responder regularmente, com argumentos embasados, as verborragias dos Olavos, Pondés, Constantinos, Datenas etc. por aí e questionado os valores da direita.

Somente em casos excepcionais, como o discurso de Rachel Sheherazade em apoio aos “justiceiros” que prenderam num poste um adolescente negro suspeito de furtos, a esquerda mobiliza-se de forma conjunta contra a propagação do preconceito, da desinformação e das fantasias por parte da direita formadora de opiniões. Poucos dias depois, tudo volta como era antes, e nomes como Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho e Datena continuam vociferando o que bem querem, sem uma resposta massiva, e influenciando mentes incautas.

Algumas páginas têm denunciado e refutado regularmente o que a direita brasileira vem dizendo, como os casos do blog de Gustavo Moreira, a página Desmentindo Reacionários e as fanpages Che Brazuca, Anarcomiguxos e Meu Professor de História, além de grande parte dos posts do Consciencia.blog.br desde dezembro passado e de alguns blogs de portais de esquerda, entre outros que agora me escapam à memória. Já o Blog do Tsavkko e o tumblr Governismo, a Doença Infantil têm tido um papel importante em mostrar como o próprio PT tem progressivamente pendido à direita e sua militância governista tem agido de forma reacionária. Também merece menção honrosa o trabalho do deputado Jean Wyllys em resposta à enorme parcela heterossexista da direita.

Outras páginas, parlamentares e militantes têm agido apenas esporadicamente perante as mentiras, teorias de conspiração e difamações emanadas dos reacionários, como mencionado, só naqueles casos em que determinados discursos causam comoção e indignação de uma parcela numerosa da população.

Paralelamente, a maior parte da esquerda militante – não necessariamente todas as pessoas e páginas não incluídas acima – tem feito esforço de menos contra a ascensão conservadora, como se fosse alguém com paralisia do sono tentando se levantar. Essa situação precisa ser revista, de modo que haja uma oposição mais forte contra os antidemocratas que têm formado opiniões perigosas para o futuro do Brasil.

 

A inação dos políticos e intelectuais de centro que se dizem humanistas

Existe uma parcela das pessoas politizadas no Brasil que não se diz de esquerda, mas que ainda assim compartilha com ela bandeiras como o humanismo secular, o Estado laico e os Direitos Humanos. Inspiradas em liberais como John Rawls, Stuart Mill e os pais fundadores dos EUA, poderiam estar ajudando a amadurecer o debate político no Brasil e desempoderar a opinião reacionária. Mas tanto não têm feito o suficiente como quase não se tem ouvido falar de pessoas influentes com essa orientação política respondendo aos conservadores radicais.

Enquanto Marco Feliciano, Magno Malta e sua bancada teocrática ameaçam, dia após dia, retroceder o avanço dos Direitos Humanos no Brasil e os já mencionados formadores de opinião de direita têm juntado um séquito cada vez mais numeroso de apoiadores, sequer sabemos se realmente existem pessoas influentes não esquerdistas. Porque elas pouco ou nada têm se posicionado em resposta a quem tem se dedicado diuturnamente a preparar o terreno brasileiro para uma hipotética futura tirania ultraconservadora. Essa omissão tem deixado parecer que apenas a esquerda no Brasil é dedicada a proteger os direitos das minorias, a laicidade constitucional do Estado brasileiro e outros valores humanistas.

 

Considerações finais

Talvez a crítica em questão tenha desagradado a algumas pessoas, incluindo gente de esquerda e eventuais formadores de opinião humanistas de centro. Mas não dá mais para ficarmos passivos, assistindo à ascensão, livre de uma oposição à altura, de um movimento político-ideológico que tem escancarado objetivos sombrios para o povo brasileiro, como a supressão da liberdade política e de expressão, a volta da censura legalizada, o golpe militar e a revogação de muitos direitos civis, sociais e políticos.

Esse corte da passividade acaba, infelizmente, passando por reconhecer que há responsáveis pela ascensão dessa direita cheia de ódio e tirania, e essa responsabilidade do Facebook, do governo federal petista e dos não direitistas que se calam diante de tudo isso, se dá pela omissão, por terem deixado o caminho da ascensão conservadora desobstruído rumo a uma futura conquista do poder. E admitir que isso precisa mudar.

Esse silêncio precisa ser quebrado, antes que, com nossos direitos revogados, nos lembremos com tristeza desse trecho do poema de Eduardo Alves da Costa, “No caminho, com Maiakóvski”, e como ele antecipou que, no século seguinte, o autoritarismo de direita reconquistaria o poder no Brasil e calaria à força os últimos movimentos de esquerda restantes:

[…]
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[…]

imagrs

17 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Sebastião

maio 17 2015 Responder

Acredito que muita da aversão à esquerda vem da generalização dos termos direita e esquerda que se tornaram um pouco subjetivos e banalizados. Escuto na rua pessoas que se dizem de direita e têm discursos liberais que se parecem muito com discursos anarquistas. E vice-versa. Porém grande culpa vem dos “intelectuais”. Para montar as apostilas da educação do estado, contratara-se professores de Universidades “conceituadas”, mas o que vemos hoje é uma educação totalmente genérica e fraca que só propaga mais ignorância. Nas escolas particulares professores de história marxistas acabam criando o efeito inverso e cada vez mais alunos de classe média acabam tendo a ideia de que socialismo é uma ilha e comunismo é a China. Acho que muito do problema está na educação que nunca foi levada a sério. Existe discurso mais genérico que o do atual ministro da educação? Agora apenas colhemos o fruto de anos de descaso na educação.

Para os que acreditam no discurso da liberdade de expressão por favor, menos, sabemos que a liberdade de expressão na democracia precisa de dogmas, ou eu posso sair por aí propagando a pedofilia por exemplo e ninguém vai me criminalizar?

tester

novembro 26 2014 Responder

Comentário agressivo e grosseiro apagado. Se quer provar que Marx não prestava, faça isso com educação e sem se colocar em pedestal de ser grosseiro com quem discorda de você. RFS

cristiano

setembro 30 2014 Responder

então sua vontade é calar a boca da direita !?

Carla

abril 15 2014 Responder

eu tenho uma solução mais simples: não leio Olavo de Carvalho… não gosto dele, mas nem por isso acho que deva tirar de circulação os livros dele, da mesma forma que não gosto de páginas masculinistas, nem por isso denuncio todas que aparecem…

agora, na boa, julgar se uma pessoa é preconceituosa ou não com base em ideias político-econômicos é muita ignorância e preconceito… e viva a incoerência… =)

liberdade de expressão para aqueles que pensam igual a mim, né?? os que não pensam, pois bem, que esses fascistas de extrema direita formados por burgueses brancos que odeiam negros e homossexuais que se calem, eles são a favor da censura, e nós da liberdade de expressão, então vamos censurá=los pra defender a liberdade…

é… o mundo tá perdido…

    Robson Fernando de Souza

    abril 15 2014 Responder

    Parabéns por “confirmar” que a direita só sabe se expressar usando de preconceito e ódio, e que direita e ódio são tão umbilicalmente ligados que qualquer punição e remoção de conteúdo direitista denunciado por apologia ao ódio caracterizaria censura contra a direita.

      Carla

      abril 20 2014 Responder

      Robson, vc se contradisse… se a censura é algo de extrema direita, porque então a esquerda quer censura?? Isso faz tanto sentido quanto censurar um casal gay em novela da globo…

      eu sou de direita justamente porque nunca vi um regime esquerdista com cidadãos livres para ir e vir, expressar seus pensamentos abertamente e fazer o que podem como indivíduos (se vc acha que Cuba tem liberdade vc está precisando estudar, e muito)…

      agora, ser contra um regime de esquerda me torna automaticamente uma fascista?? hum… interessante seu argumento… vai estudar um pouco, quem sabe daí vc aprende que censura e fascismo não tem lado político, tanto a direita quanto esquerda usam dele…

      e sou totalmente a favor das pessoas expressarem suas opiniões, por mais grotescas que pareçam… já perdi muito preconceito assim, falando abertamente o que eu pensava sobre algo e ouvindo diversas opiniões, que me levaram a questionar se o que eu tomava como verdade era correto ou não… tirar a liberdade de expressão é cortar esse debate que pode vir a ajudar no crescimento das pessoas…

      agora, se vc é favorável à censura de pessoas que acham que os militares tem que voltar ao poder, então parabéns, vc está agindo como os militares… não foi pra isso que o povo lutou tanto? pela liberdade?? pela livre expressão de sentimentos?? ou só é permitido quando se trata de minorias???

      sinceramente, vc deveria rever seus conceitos pra não ser hipócrita… =)

        Robson Fernando de Souza

        abril 20 2014 Responder

        Carla, censura é uma coisa, coibição de crimes de ódio é outra. Se você acredita que liberdade de expressão inclui tolerância a discursos de ódio e incitação ao crime, então deixa de ser liberdade e passa a ser libertinagem e a destruir a liberdade alheia.

        É falacioso comparar a remoção de discursos de ódio e de incitação ao crime com a censura política de opiniões. A não ser que você acredite que só dá pra ser de direita incitando ou apologizando o ódio contra uma ou mais minorias políticas e/ou difamando e satanizando pessoas de esquerda.

          Carla

          abril 25 2014

          A pessoa tem todo o direito de achar que ser gay eh pecado, ou que ateu eh anticristo, ou qualquer pensamento ignorante que ela queira ter… eh diferente de praticar algum ato de fato!! Eu já ouvi muito comentário do tipo “Deus me livre meu filho ser gay”… Porém a pessoa não necessariamente odeia gays, pelo contrário, elas tem pessoas que nutrem muito carinho e que são gays, porém elas não querem seus filhos sendo gays por alguma convicção religiosa… daí então o caminho não seria censurar isso ou aquilo da mídia, seria censurar as igrejas…

          isso que eu acho incoerente, coibir os indivíduos,mas não os órgãos que praticam os preconceitos… em compensação, se um hospital não aceita doação de sangue de um homossexual todo mundo acha normal, sendo que isso é muito pior do que uma ou outra página na internet…

          eu, como boa observadora que sou, vejo que ignorância, falta de respeito e intolerância não escolhe direita ou esquerda… então o que precisa mudar é a forma como as pessoas vêem as circunstâncias, mas daí é quebrar os esteriótipos, e não simplesmente calar uma parcela da população… vc vai tirar o direito dela de falar, mas não vai impedir ela de sentir aquilo… tem que mudar a mentalidade, e isso é só com muita conversa…

Rafael

março 30 2014 Responder

Liberdade de expressão, já ouviu falar?

    Robson Fernando de Souza

    março 31 2014 Responder

    Aquela liberdade de expressão que muito direitista por aí (não todos os direitistas) quer cassar dos esquerdistas, pregando perseguição política e censura?

Willian da Silva

março 29 2014 Responder

Também percebo, e me alarmo, com essa expansão do pensamento reacionário no Brasil. Quase todos os dias me pergunto como eu deveria reagir a isso, mas bato em quatro obstáculos:
1)minha falta de eloquência(que já deves ter percebido), impedindo que eu seja um vetor significativo.
2)meu desconforto com questões existencialista, que supõe-se ser mais importante que meu desconforto com a situação da sociedade brasileira.
3)o poder anestésico que tem o consumismo na mente e corpo de um jovem(eu tenho 24 anos).
4)a sensação de se estar sozinho nadando contra a maré(posts como esse diminuem um pouco essa sensação)
Não digo isso com o intuito de fazer um desabafo(para isso existe o meme do urso tristonho =), mas porque imagino que outros jovens estão no mesmo barco que eu. Quanto ao obstáculo número 3, não tenho dúvida que é um fator generalizado.

Filipe

fevereiro 16 2014 Responder

Olá Robson, td bem?

Eu gostaria de entender melhor essa questão. O que seria um reacionário na sua opinião?
O que vc gostaria que mudasse no Brasil, em curto prazo, na forma desses grupos de direita se manifestarem?

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 16 2014 Responder

    Olá, Filipe, tudo bem.

    O conceito atual de reacionários se refere a aqueles que reagem de forma negativa e raivosa contra fatos sociais que favoreçam as minorias políticas e se oponham ao status quo, como a criminalização do preconceito contra diversas minorias (por exemplo, mulheres, homossexuais e pessoas trans), as manifestações dos ateus pelo direito de serem respeitados, as ações afirmativas em prol da inclusão de negros e pobres no ensino superior e até mesmo o crescimento do poder de consumo da chamada classe C, intermediária entre a classe média e as classes mais pobres.

    Já Marx dizia que reacionário é o mesmo que regressista, que demanda a reversão de mudanças sociais e o retorno da sociedade ao estado anterior, por mais opressor e hierárquico que esse estado anterior fosse.

    Daí eu adoto a palavra “reacionário” como significando essas duas coisas.

    Sobre as manifestações dos grupos de direita, seria razoável se divulgassem uma proposta de sociedade, a ser submetida à avaliação da opinião pública, ao invés de ficar exigindo, com ódio, mais violência e opressão na tentativa de manter os privilégios das classes alta e média e se dar a ilusão de segurança num mar de violências de cunho social.

      Filipe

      fevereiro 16 2014 Responder

      Entendo.
      É um grande desafio conciliar pensamentos tão divergentes.
      Desejo participar desse desafio, e viver em paz neste país!

        Robson Fernando de Souza

        fevereiro 16 2014 Responder

        =)

jhonny F.

fevereiro 15 2014 Responder

-A vontade de censura da Esquerda é mesmo gritante,são a favor da liberdade somente para esquerdista.

– tentar imputar crimes de ódio aos conservadores é uma estratégia baixa para cala-los.aliás,procuram qualquer desculpa para a ”censura democrática”.

-Me explica como o CONTROLE GOVERNAMENTAL da mídia faz que ela fique mais LIVRE?

-Os movimentos sociais,que não representam a população em geral,são criminalizados por suas ações criminosas,como por exemplo o caso do cinegrafista morto pelos ”black blocks livres”.

jhonny F.

fevereiro 15 2014 Responder

”O sucesso que alguns comentaristas mais conservadores vêm fazendo na imprensa incomoda e muito. Imagino que após o sucesso estrondoso do livro “O Mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” e a conseqüente anulação do “mandamento comunista” de Milton Temer “Olavo de Carvalho não é para ser comentado” – visto que o filósofo voltou a ser comentado na grande mídia – também deva encher de raiva toda a esquerda.

Por isso, tem-se a necessidade do exagero – “a direita está poderosíssima” – para adestrar a militância, reforçar os cacoetes mentais e prepará-la para novos upgrades revolucionários.

Quanto mais os militantes, os intelectuais orgânicos e os idiotas úteis se convencerem de que devem excluir os “rotweillers” da imprensa, para preservar um “debate democratico”, melhor.

Porém, a mentalidade esquerdista funciona dialeticamente. Faltava mais algum elemento para fechar o quadro. A histeria contra o sucesso de alguns conservadores na imprensa não poderia ser o único objetivo.”

Retirado do texto: A gritaria contra Rachel Sheherazade. Ou: Dando com a língua nos dentes de Rodrigo Sias

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