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Artigo sobre Campanha da Fraternidade acusa “falta de Deus” de ser a pior das causas do tráfico de seres humanos

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O senso comum tem uma afeição por culpar a descrença em Deus pelas desgraças do mundo – violência, miséria, tráficos criminosos etc. -, e não foi diferente num artigo publicado na madrugada de hoje no JM Online, portal do Jornal da Manhã, periódico de Uberaba/MG. Intitulado “Campanha da Fraternidade – 2014” e escrito por uma professora do ensino básico, descreve resumidamente a edição deste ano da campanha da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dedicada à conscientização sobre o tráfico de seres humanos, e os problemas que estariam influenciando na difusão desse tipo de crime. Perto do final, afirma que a “falta de Deus” é uma causa “pior que tudo” para a ocorrência do tráfico humano.

Depois de listar, de maneira rasa, a pobreza das regiões Norte e Nordeste – de forma preconceituosa, já que subestima a existência dos mesmos problemas nas demais regiões do Brasil e implicitamente reforça o estereótipo das duas regiões como os grandes bolsões da pobreza do Brasil -, o narcotráfico, a ausência de políticas públicas e de uma educação “de qualidade” – também de uma maneira “acoxinhada”, abordando a educação como mero meio de “fabricação” de mão de obra – e a corrupção política como fatores decisivos para a ocorrência do tráfico de seres humanos, o texto parte para a intolerância religiosa ao afirmar que:

[…] pior que tudo, é a falta de Deus nos corações humanos: por isso, tão bem-vinda a abordagem desse tema pela CNBB, na Campanha da Fraternidade de 2014.

Fica subentendido que o maior problema que levaria pessoas a traficarem outros seres humanos é a não crença em Deus, colocando ateus como os mais suscetíveis, entre toda a população, de renegar a ética e, por exemplo, vender seus filhos ou intermediar a comercialização de outras pessoas.

Protestos civilizados devem ser enviados ao e-mail da autora do texto que está na página do artigo e ao fale-conosco do JM Online. Não devemos tolerar que religiosos preconceituosos, do alto do seu senso comum, continuem propagando a intolerância contra quem não acredita em determinado deus ou em nenhuma divindade.

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12 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Adalberto Diniz Dias

março 18 2014 Responder

O Dr. Dráuzio Varella é um ateu conhecido por todos, como vcs sabem ele trabalhou no presídio do Carandiru. Já li a respeito que cerca de 90% dos presos ou usava crucifixo ou tinha tatuado aquela frase “DEUS É FIEL” e muitos andam com a Biblia debaixo do braço. Isso nos remete a uma estatística, o numero de Ateus presos é quase próximo de zero.
E ser ter DEUS coração é preciso ser cristãos, então as outros religiosos e não religiosos (exceto os ateus ), não tem deus no coração ? Não que isso signifique alguma coisa para mim, pois sou ateu !

Ricardo Schmidt

março 13 2014 Responder

Olá,

Apenas para clarificar, ateus também podem estar com Deus. Não é a crença que aproxima ou afasta alguém de Deus, e sim sua intenção. Aqueles com boas intenções estarão caminhando para perto do bem (Deus/Céu), e já as com más intenções se aproximando do maligno (Diabo/Inferno). Em vida temos o livre arbítrio de decidirmos para qual lado vamos, e podemos mudar de direção a qualquer momento.
Quando se diz “a falta de Deus” – entende-se a como “falta de bem”. Deus é como a luz, a falta dele trás a escuridão – o Inferno é a falta de Deus.
Entenda sobre Xamanismo e procure encontrar sua espiritualidade independente de religiões, porém em Cristo temos um simples exemplo ideal. Todo aquele que seguir os passos de Cristo estará com Deus pois será uma boa pessoa.
Leia os Apócrifos Evangelho Essênio da Paz e Evangelho dos Doze Santos para ter uma versão mais próxima da original de mais de 2014 anos atrás.

    Filipe

    março 13 2014 Responder

    Ricardo, respeito sua visão, embora, como calvinista, não concorde com ela. Vejo as coisas de um modo mais tradicional, a meu ver mais correto. Mas estou aí apenas para contribuir.

Filipe

março 11 2014 Responder

Robson, é o seguinte.
Se a pessoas quis dizer que todo ateu é inclinado ao crime, é um preconceito relativo. Ninguém é totalmente bom. Embora toda a bondade que o ateu tem também venha da permissão de Deus. Isso é a graça comum.
Mas se quis dizer que quem é criminoso não tem Deus no coração, está correto. Quem tem Deus no coração não pode ser criminoso!
O que eu quero dizer é que pode ser preconceito, sim. Mas para dizer isso eu teria que julgar a intenção da pessoa. E isso, para mim, é impossível.

    Robson Fernando de Souza

    março 11 2014 Responder

    “Se a pessoas quis dizer que todo ateu é inclinado ao crime, é um preconceito relativo. Ninguém é totalmente bom.” – E se dissessem que “todo evangélico é inclinado à intolerância” ou “todo judeu é inclinado ao roubo”? O que você acharia?

    “E isso, para mim, é impossível.” – Não bastaria perguntar à pessoa o que ela entende por alguém ter “Deus no coração” e o que ela acha dos ateus?

      Filipe

      março 11 2014 Responder

      Bem, se dissessem que todo evangélico é intolerante, seria preconceito. Mas se dissessem que todos temos defeitos de caráter, seria verdade. Porque todos somos imperfeitos… São defeitos diferentes, próprios de cada pessoa. Todo mundo é assim.

      Se vc perguntar a alguém, creio que obterá a resposta que deseja. Mas será a resposta daquela pessoa, não necessariamente de seu grupo.

Filipe

março 10 2014 Responder

Olá!

Olha Robson, vou fazer uma coisa que vc provavelmente não vai concordar, mas gostaria que entendesse a minha posição.
Vamos esquecer por enquanto qualquer crítica ao ateísmo e tomar outro foco.
Quem tem Deus não pratica esses atos horrendos, como o tráfico de pessoas, animais ou drogas. Ter Deus não é professar religião: é viver sob seus princípios, que incluem fazer o bem àqueles que nos caluniam; ter honestidade; cumprir leis e ter cuidado com as pessoas. Nesse sentido, a CNBB está certa.

Isso não quer dizer que todo ateu é criminoso! Tenho inclusive vários amigos ateus, gosto muito deles e os respeito. Embora, até por gostar deles, preferisse que eles fossem cristãos!

Abraço!

    Robson Fernando de Souza

    março 10 2014 Responder

    1. Não, obrigado.
    2. O que é “ter Deus no coração” pra você? Existem ateus com “Deus no coração”?
    3. A frase final tem o mesmo teor dos homofóbicos que dizem “Não sou homofóbico, até tenho alguns amigos gays, embora eu achasse melhor se eles fossem heterossexuais”.

      Filipe

      março 10 2014 Responder

      Bem, como disse acima, ter Deus é viver sob os princípios cristãos. Não creio que alguém assim possa se tornar um criminoso de qualquer forma.
      Não, não existem ateus com Deus no coração. Existem ateus éticos, responsáveis e excelentes como seres humanos. Como disse, tenho amigos assim. Mas Deus é Espírito, e se revela por fé; quem é ateu, não pode recebê-lo.
      A última frase me faz pensar: se tenho amigos gays, pessoas que convivo, converso, ajudo e gosto, como poderia ser homofóbico, ainda que quisesse que eles fossem hetero?
      Assim é com os ateus. No seu caso: você deve ter amigos onívoros. Não gostaria que eles fossem veganos?

        Robson Fernando de Souza

        março 10 2014 Responder

        1. Você se contradisse com o que falou no outro comentário. Afinal de contas, “ter Deus no coração” é “viver sob princípios cristãos” ou “não é professar religião: é viver sob seus princípios, que incluem fazer o bem àqueles que nos caluniam; ter honestidade; cumprir leis e ter cuidado com as pessoas”?
        2. Se você concorda que “não ter Deus no coração” não é um problema, já que é possível ser ético sem tê-lo “no coração”, então você concorda que a autora do texto foi preconceituosa em associar “falta de Deus no coração” com algo ruim?
        3. Por que você gostaria que eles fossem héteros?
        4. Comparar onivorismo e homossexualidade é uma falsa analogia. Ao contrário do onivorismo, homossexualidade não implica prejuízos à integridade de seres sencientes, nem a heterossexualidade é uma postura de caráter ético como o veganismo é.

          Filipe

          março 10 2014

          Como vc coloca as respostas numeradas, farei isso também. Realmente, fica mais organizado!
          1 – Coloquei as coisas daquele jeito porque creio que Deus é maior que nossa religião. Mas princípios cristãos, para mim, envolvem a fé, que o ateu não tem.
          2 – Ser ateu não é um problema civil. É um direito do cidadão, por assim dizer. Mas não disse que não há problemas; só creio que o problema é espiritual, coisa que foge do escopo de nosso tema.
          O fato que encaramos isso de pontos diferentes. Você escuta ela dizendo ” Quem não tem Deus no coração é um monstro “. Eu escuto ” Quem é um monstro não tem Deus no coração “.
          3 – Não tem a ver com simplesmente ser hétero. Queria que eles fossem cristãos, como eu sou, porque creio que o propósito do ser humano se realiza no cristianismo. Aconteceu com uma conhecida recentemente e acho que ela estava muito feliz. Virar hétero somente por ser hétero e não ser cristão também não adianta.
          4 – Sei que é diferente. Mas o sentimento que tenho é parecido com o que vc deve ter. É a esse sentimento, que é pessoal, a que me refiro. Sentimentos não precisam, nem mesmo, fazer muito sentido!

          Robson Fernando de Souza

          março 11 2014

          A pergunta ainda está pendente: Você de fato considera que “não ter Deus no coração” não é um problema ético, que pessoas podem ser boas sem “Deus no coração” e, portanto, afirmar que pessoas antiéticas (das quais nem todas acreditam num mesmo deus) o são por “não ter Deus no coração” é um preconceito?

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