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mar14

As “marchas da família” foram um fracasso, mas não devemos considerar isso uma derrota definitiva dos extremistas

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Este post fala das “marchas da família” do sábado retrasado (22/03) tardiamente, porque eu estava em viagem quando elas aconteceram, por isso não deu para trazer esse assunto aqui na época. Mas encontra uma boa oportunidade hoje, como post descomemorativo dos 50 anos do golpe militar.

Todo mundo viu que as “marchas da família” do último dia 22, que tentaram reviver a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade (sic)” de 1964, série de marchas que ajudou a inspirar o golpe militar de exatamente 50 anos atrás, foram um fiasco, e que, em diversas cidades, a resposta da esquerda, as marchas antifascistas, foi bem mais forte, juntando mais pessoas do que os ultraconservadores. Mas não é recomendável comemorar esse fracasso como um atestado definitivo de que o olavo-golpismo não tem e nunca terá força política.

Lembremo-nos que o Partido Nazista começou de baixo na Alemanha, como um movimento de poucas pessoas, aparentemente sem poder e ridicularizável, que foi ignorado enquanto crescia fora do campo de visão da sociedade alemã, e se tornou o monstro tão conhecido de diversos povos e dos livros de História. E nada, nada mesmo, impede hoje que um partido de extrema-direita que tenha Olavo de Carvalho como ideólogo inspirador surja das profundezas e, aproveitando-se dos deboches da esquerda, cresça cada vez mais a ponto de se tornar uma ameaça ao pouco que há de democracia no Brasil.

Com isso, essas “marchas da família” podem ter sido apenas o começo, a inspiração inicial de algumas mentes distorcidas, de aspirantes a Duce. Nada impede que, longe de terem sido um inquestionável fracasso, elas tenham “acordado” algum olavete de modo a inspirá-lo a fazer o que uma moça tentou fazer e quase conseguiu em 2012 – refundar a ARENA, o partido da ditadura militar.

É bem possível que tenhamos outras “marchas da família” ao longo desse ano e dos próximos. E ignorá-las pode ser muito arriscado. Portanto, o mais recomendável a se fazer é trabalhar politicamente de modo que elas sempre sejam fracassos, denunciadas como frutos de mentes fanáticas e alienadas da realidade, e nunca tenham a chance de parecer interpretações verossímeis da realidade e inspirar mais e mais “coxinhas”, cuja população não é pequena.

Marchas antifascistas são a melhor ideia para esse trabalho, sendo elas o melhor meio de quebrar os ovos do monstro antes que eles sejam chocados e deem à luz um neofascismo à brasileira que ameace a incipiente democracia brasileira. E paralelamente a isso, precisamos continuar refutando os principais absurdos ditos por essa extrema-direita e também mostrando como a direita brasileira em sua essência atenta contra aquilo de bom (?) que diz defender.

As “marchas pela família” mostraram-se uma piada e fracassaram, mas não devem ser tratadas como meras nulidades políticas por isso. Não devemos deixar que inspirem mais pessoas e cresçam a ponto de colocar o Brasil no lamentável hall de países cuja extrema-direita está em franco crescimento e inspira uma ameaça às conquistas dos movimentos sociais.

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Heloisa Helena

abril 1 2014 Responder

Robson, bem oportuna a sua análise!! Que bom que vc voltou!

    Robson Fernando de Souza

    abril 1 2014 Responder

    Obrigado, Heloisa =)

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