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Artigo de professor se queixa da “falta de Deus” nos corações das pessoas

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Um artigo publicado hoje de manhã no portal Midia News, intitulado “Cartas para Deus”, do professor Licio Malheiros, faz coro a outros religiosos que parecem desconhecer a existência de pessoas que não compartilham da crença no mesmo Deus deles. Em três momentos do texto, ele se queixa que “Deus tem sido colocado em segundo plano na vida de muitas pessoas”, o que tem um efeito dúbio.

O cabeçalho do artigo inicia o que pode muito bem ser interpretado como uma afirmação credocêntrica: “Deus tem sido colocado em segundo plano na vida de muitas pessoas”, o que é repetido mais adiante, no trecho abaixo que abre o texto:

A chamada em questão tem como objetivo central, suscitarmos uma das coisas, que ao longo dos anos, vem perdendo cada vez mais força e, importância, para algumas pessoas, pela própria dinâmica de vida, imposta pelo mundo moderno; principalmente, pela inversão de valores à qual fomos submetidos.

Dessa forma, Deus tem sido colocado em segundo plano na vida de muitas pessoas, movidos principalmente pela arrogância e prepotência, através do conhecimento cognitivo, do ter, do poder, do saber, estes se colocam acima dele, como se fossem, os verdadeiros donos da verdade.

O trecho acima parece se referir a pessoas que negam a existência da divindade, já que menciona o “conhecimento cognitico” e o “saber”, uma provável referência aos ateus.

A “crítica” da “falta de Deus” continua do sexto para o sétimo parágrafo:

Sabemos que os americanos são arrogantes, prepotentes, convencidos, dominadores, subjulgam países de menor potencial econômico, usando de meios torpes para dominá-los, entre os quais, o uso da violência.

Agora, em se tratando da sétima arte, eles são realmente fenomenais, conseguem tocar naquilo que fragiliza a humanidade contemporânea, que é a falta de Deus em seus corações, movida por uma série de situações entre as quais: superpoderes, títulos, posses entre outros elementos terrenos.

Digo que o texto é dúbio e pode ser ou não interpretado como preconceituoso porque não fica explícito no texto se ele está se referindo aos ateus, muitos dos quais tinham outrora uma fé teísta mas a abandonaram, ou a cristãos que não pensam o suficiente na divindade em quem creem. Mas na dúvida, o mais conveniente a se fazer é questionar a posição do professor, se ele realmente se refere aos descrentes ou aos cristãos relaxados.

Portanto, recomendo que comentem o texto, perguntando a quem ele realmente se refere ao falar de pessoas que “não têm Deus no coração”, clicando no botão “Clique aqui e faça seu comentário”.

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29 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Filipe

abril 5 2014 Responder

Só mais uma coisa: quando se diz que sem Deus não há vida verdadeira, não creio que isto seja preconceito. Eu mesmo creio nisso, e vejo em minha própria vida. Dizemos isso por amor, à Deus e às pessoas, desejando que outros possam ter vida também. Você compreende isso?

    Robson Fernando de Souza

    abril 5 2014 Responder

    E se um hindu dissesse a você que sem Krishna não há vida verdadeira, que você vive uma “vida falsa” por não acreditar em Krishna, o que você acharia?

      Filipe

      abril 5 2014 Responder

      Eu saberia que ele está errado, mas o agradeceria pela boa intenção dele.

        Robson Fernando de Souza

        abril 5 2014 Responder

        Então, segundo você próprio, eu sei que você está equivocado por acreditar que “sem Deus não há vida verdadeira”.

          Filipe

          abril 5 2014

          É o que vc acha. E eu não te odeio por isso, entende? Ateus sempre existiram. Eu só lamento que outras pessoas não tenham o privilégio de conhecer a Cristo!

Filipe Santos

abril 3 2014 Responder

Só mais uma coisa. Porque você escreve o nome de Deus em minúsculo?

    Robson Fernando de Souza

    abril 3 2014 Responder

    Onde vc viu “Deus” em minúsculo nesse post?

      Filipe

      abril 5 2014 Responder

      Não vi. Foi em outro post e nem foi vc que escreveu. Confundi de alguma forma, por isso me desculpe.

        Robson Fernando de Souza

        abril 5 2014 Responder

        Ok

Filipe Santos

abril 3 2014 Responder

Olá Robson, td bem?

Bem, vejo o texto direcionado aos cristãos mesmo. Acredito que o Brasil, apesar de ter uma cultura cristã, não tem muitos cristãos de fato. E nem precisa, porque não acho que o cristianismo deva ser necessariamente maioria; deve apenas ser vivido corretamente pelos cristãos.
Queria te perguntar uma coisa sobre aquela pesquisa, a das mulheres que merecem ser estupradas. Você não acredita que houve falhas? Ninguém em sã consciência pensa assim e eu mesmo não conheço ninguém que pense que uma mulher merece isso. Ainda mais a maioria do Brasil. E aí, o que acha? E o qual pena deveria receber um estuprador?

    Robson Fernando de Souza

    abril 3 2014 Responder

    Oi, Filipe.
    Sobre o texto ser direcionado aos cristãos, é bem possível, mas o professor não deixou isso claro no texto. Ficou dúbio, inclusive pelo trecho inicial do artigo, que parece ser uma indireta aos ateus.

    Quanto à pesquisa, existem indícios de que ela subestimou a porcentagem de pessoas que concordam que mulher com pouca roupa “merece ser atacada” (a palavra usada na pesquisa foi “atacada”, mas o mais óbvio ataque físico contra uma mulher associado com roupa curta é o estupro). Subestimou porque, se não me engano, 67% das pessoas entrevistadas eram mulheres, daí se fosse 50% de homens, esse número seria ainda maior.

    E é aquela coisa: a sociedade brasileira é mais machista e misógina do que o senso comum acredita. Pessoas que acham que mulher com roupa curta de noite está “pedindo pra ser estuprada” por estar “provocando sexualmente” os homens são numerosas, mas ocultas, tal como a gigantesca maioria dos brasileiros racistas se escondem.

    Sobre a pena que o estuprador merece, recomendo que fale com uma feminista.

      Filipe

      abril 5 2014 Responder

      Bem, continuo achando que há erros nessa pesquisa. Por mais machista que seja a sociedade, não creio que seja realmente tolerante ao estupro. Você conhece gente assim?
      Eu também discordo que as pessoas possam se vestir como quiserem. Deve-se levar em conta o respeito ao próximo. Isso serve para todos.
      Quanto a pena ao estuprador… Não conheço nenhuma feminista. Mas a sua ideologia é feminista, não?
      Obrigado.

        Robson Fernando de Souza

        abril 5 2014 Responder

        1. Talvez conheça, talvez não. A misoginia da maioria é enrustida, a maioria não diria na cara dura, de forma explícita, que determinadas mulheres “merecem” ser estupradas.
        2. “Eu também discordo que as pessoas possam se vestir como quiserem. Deve-se levar em conta o respeito ao próximo. Isso serve para todos.” – O que significa esse “respeito ao próximo”?
        3. Minha ideologia é pró-feminista, mas não me autointitulo “homem feminista”. Existem sérios problemas em se considerar que homens também podem ser feministas, ao invés de simplesmente aliados do feminismo.

          Filipe

          abril 5 2014

          Minha internet tá horrível, etão talvez a resposta anterior tenha se perdido. Então vai de novo:
          1. Não acho que a maioria da população, mesmo tendo cultura machista, chegue ao ponto de considerar o estupro uma opção válida, Não devem ter entendido a pergunta. Ainda mais que a maioria era de mulheres, por favor.

          Filipe

          abril 5 2014

          2. Creio que homens que tentam manter sua mente pura podem ter mais dificuldades com mulheres usando roupas muito curtas. É um ato de respeito dessas mulheres compreender a situação e usarem roupas mais comportadas, digamos.

          Robson Fernando de Souza

          abril 5 2014

          Isso é o que muitos dos que concordam que “mulheres com roupa curta têm culpa por serem estupradas” acreditam.

          Filipe

          abril 5 2014

          Não sabia disso. Qual o problema de um homem ser feminista?

          Robson Fernando de Souza

          abril 5 2014

          Diversos. Homens autoarrogados “feministas” têm causado muitos problemas nos meios feministas, como silenciamento de mulheres em discursos e debates, tentativas de tomar das próprias mulheres o protagonismo do feminismo, tentativas de se arrogar melhores conhecedores das opressões sofridas pelas mulheres do que elas próprias, uso de uma falsa roupagem de “homem feminista” por muitos na intenção de transar com mulheres feministas, entre outros.

          Filipe

          abril 5 2014

          “Isso é o que muitos dos que concordam que ‘mulheres com roupa curta têm culpa por serem estupradas’ acreditam”.
          Eu não acho que seja. Eu não acho que alguém mereça ser estuprado. Isso é um crime execrável. Ainda assim, acho desrespeitoso mulheres com roupas muito curtas.
          Elas até podem ter o direito a usar, legalmente falando. Mas se não se importam com a opinião de outros, como eu, acabam me defraudando.
          Por favor, não confunda o que o mundo secular pensa com o que um cristão pensa!

          Robson Fernando de Souza

          abril 5 2014

          “Ainda assim, acho desrespeitoso mulheres com roupas muito curtas.” – Por quê?

          Filipe

          abril 5 2014

          É desrespeitoso por causa da defraudação.

          Pense assim: um homem se excita pelo olhar. Se a mulher estiver com roupas muito curtas, pode despertar desejos em um homem, certo? Só que o cristianismo prega a pureza.

          Um jovem deve evitar o sexo antes de casar, e um homem casado não deve desejar outras mulheres.

          Lógico que usar roupas mais conservadoras não vai mudar o caráter de ninguém.

          Mas pode ajudar homens que sinceramente querem evitar pensamentos nocivos à sua vida espiritual e que já estejam com dificuldades nessa área.

          Robson Fernando de Souza

          abril 5 2014

          “Pense assim: um homem se excita pelo olhar.” – Depende da cultura.

          “Se a mulher estiver com roupas muito curtas, pode despertar desejos em um homem, certo? Só que o cristianismo prega a pureza.” – E no caso de sociedades islâmicas onde a mulher usa véus de corpo inteiro, só com os olhos à mostra? Vc soube que homens locais já disseram que o rímel que algumas mulheres passam nos olhos as tornam “provocantes”?

          “Um jovem deve evitar o sexo antes de casar, e um homem casado não deve desejar outras mulheres.” – Isso depende da cultura. A nossa cultura patriarcal condicionou os homens héteros a sentirem tesão por mulheres na rua facilmente demais. Há culturas em que os homens héteros não veem nada de mais em mulheres seminuas.

          “Mas pode ajudar homens que sinceramente querem evitar pensamentos nocivos à sua vida espiritual e que já estejam com dificuldades nessa área.” – O que vai ajudar não é os homens controlarem o que as mulheres vestem, mas sim a cultura vigente evoluir a ponto de se diminuir ou abolir a sexualização (inclusive psicossocial) de mulheres que usam pouca roupa.

          Filipe

          abril 6 2014

          Bem, não acho que a excitação pelo olhar dependa tanto assim da cultura. Me parece mais genético, embora possa ser condicionado à cultura de várias formas.

          Veja, não tenho problemas com a cultura patriarcal, se usada nos moldes cristãos. Acontece que não é o caso da cultura brasileira. Ela não busca pureza e fidelidade nos homens. Não proíbe o sexo antes de casar, vende pornografia e pratica coisas semelhantes.
          No tocante a mulheres com rímel, creio que se a cultura local as acha provocantes, elas não deveriam usar.
          Um idéia a se pensar: como você disse, a sociedade deve evoluir. Mas como está hoje, não estamos prontos para lidar bem com mulheres com pouca roupa.
          Não que elas vão ser atacadas. Pelo contrário, eu é que me sinto atacado!

          Robson Fernando de Souza

          abril 6 2014

          Você não tem problemas. As mulheres têm centenas de problemas.

          “No tocante a mulheres com rímel, creio que se a cultura local as acha provocantes, elas não deveriam usar.” – Então você é a favor da dominação das mulheres pelos homens?

      filipe

      abril 7 2014 Responder

      Bem, eu não tenho problemas com o sistema patriarcal desde que ele siga o verdadeiro modelo cristão. Nesse modelo, há uma liderança masculina de fato; mas exercida com amor.

      Veja que isso bem aplicado não é machismo; machismo é uma deturpação desse conceito.

      Tanto que minha futura esposa sempre me cobrou nesse sentido. Ela deseja que eu exerça uma boa liderança em nossa futura família. Eu sempre relutei quanto a isso, mas creio que está chegando a hora de assumir minhas responsabilidades.

      Eu sei que estas ideias são absurdas para você e para a maioria das pessoas hoje em dia. Isso acontece porque não temos uma cultura cristã verdadeira no Brasil; temos algo deturpado, mal feito e cheio de preconceitos de todas as partes. Eu mesmo só entendi planamente o conceito de liderança e autoridade do homem a pouco tempo.

      Por isso mesmo, creio que o sistema patriarcal só é opressivo se mal usado. Infelizmente, parece ser o que aconteceu em nossa sociedade. O que é lamentável.

        Robson Fernando de Souza

        abril 8 2014 Responder

        “Veja que isso bem aplicado não é machismo; machismo é uma deturpação desse conceito.” – E você sabe mais que feministas, que vivenciam e sofrem com as misérias provocadas pelo machismo todos os dias, o que é ou não é machismo?

          filipe

          abril 8 2014

          Bem, não sei a definição que as feministas dão ao machismo.

          Mas, sinceramente, elas são um segmento da sociedade que não representa todas as mulheres. E o que elas dizem também não é verdade absoluta.

          Conheço muitas mulheres que seguem princípios cristãos, e não os princípios do feminismo. E não são nem um pouco infelizes por isso.

          Eu creio de verdade no cristianismo como a solução dos problemas da humanidade. É uma pena que nem todos se dispõe a seguirem esses princípios.

        Fernanda

        abril 9 2014 Responder

        “Bem, não sei a definição que as feministas dão ao machismo.”

        O que pressupões desigualdade social entre homens e mulheres é machismo, como o homem ter o papel de ser o “líder do lar”.

        “Mas, sinceramente, elas são um segmento da sociedade que não representa todas as mulheres. E o que elas dizem também não é verdade absoluta.

        Conheço muitas mulheres que seguem princípios cristãos, e não os princípios do feminismo. E não são nem um pouco infelizes por isso.

        Eu creio de verdade no cristianismo como a solução dos problemas da humanidade. É uma pena que nem todos se dispõe a seguirem esses princípios.”

        Aí é que está o problema do seu discurso. Você quer que toda a sociedade siga as tuas crenças. Você diz que a mulher usar roupa curta é desrespeitoso com um homem que tente seguir as crenças cristãs mais fundamentalistas, mas dessa forma você estaria tolhindo a liberdade de mulheres que se sentem confortáveis dessa forma para que os homens possam seguir suas crenças. Eu não tenho nenhuma crença religiosa, você não acha injusto eu ter que me submeter a alguma regra pelo bem dos homens dessa religião?
        E você comparar um estupro com os pensamentos que alguns homens de uma certa corrente religiosa podem ter vendo mulheres de roupa curta como sendo ataques equivalentes é simplesmente insultante e demonstra um grande desconhecimento sobre o impacto psicológico e social de um abuso sexual.

          filipe

          abril 9 2014

          Fico feliz vendo uma mulher participar do debate. Acho mais enriquecedor quando temos mais opiniões, especialmente se pudermos discordar respeitosamente.

          Bem, pra começar eu não comparo mulheres de roupa curta com estupro. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Estupro é um crime terrível e não faz parte do mérito da questão. Aliás, todo abuso sexual é execrável, ainda que não seja o estupro.

          A questão das roupas veio depois. Eu não defendo os homens, defendo o cristianismo.

          Veja, eu não quero impor minhas regras a ninguém. Mas acho também que ninguém deve ser totalmente livre. Há regras de boa convivência, e é só isso que peço.

          Por exemplo, eu posso ir na parada gay com uma camisa em apoio ao Marcos Feliciano. Mas, não seria uma provocação desnecessária? Eu prefiro não fazer esse tipo de coisa.

          Na questão das roupas, ainda, faço uma pergunta. Você acha injusto eu querer uma sociedade mais respeitosa, sem homens com cantadas grosseiras nas ruas, assédio e outros males? Acho que todos podemos contribuir para isso.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo