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O uso das expressões “feminazi” e “gayzista”/”gayzismo” concorda infinitamente mais com o nazismo do que os alvos delas

feminazinao

Reacionários machistas-misóginos e heterossexistas (principalmente homofóbicos) costumam comparar o feminismo e o ativismo pelos direitos das pessoas não heterossexuais com o nazismo, chamando quem é desses movimentos, respectivamente, de “feminazis” e “gayzistas” (ou “Gaystapo”, em alusão à Gestapo, a polícia secreta do regime nazista). Fazem tanta questão de igualar feministas e ativistas não héteros aos nazistas, mas não sabem que são eles próprios, os preconceituosos, que têm uma atitude infinitamente mais próxima do que o nazismo pregava e fazia do que esses movimentos civis.

Eles desconhecem que o nazismo discriminava mulheres e matava homo e bissexuais, numa postura institucional machista, antifeminista e heterossexista que não se diferenciava muito da deles. Ignoram, no sentido de ignorância, que o feminismo não tinha espaço na Alemanha nazista. Diversos avanços obtidos no governo anterior à ascensão de Hitler foram anulados quando o nazismo tomou o poder, e da mesma forma praticamente todas as associações alemãs de mulheres em luta foram fechadas.

Daí as mulheres alemãs foram relegadas ao papel de gênero de esposa, mãe e dona-de-casa; viram ser imposto um rígido padrão de beleza de “mulher ariana” e não tiveram qualquer condição de levar adiante o feminismo, cuja essência é diretamente ligada à reivindicação de democracia e liberdade, enquanto o totalitarismo continuasse dominando seu país. E aquelas pertencentes a minorias discriminadas eram assassinadas mais rapidamente do que os homens nos campos de concentração, já que eram consideradas “mais fracas”.

Os não héteros também não tinham vez na sociedade nazista. Eram encaminhados aos campos de concentração e obrigados a vestir uniformes com um triângulo rosa que sinalizava homossexualidade. A homo, lesbo e bifobia eram normas na legislação nazista, com o incentivo à delação de homossexuais; a revisão do Parágrafo 175 do Código Criminal Alemão, a qual criminalizou qualquer relação afetiva entre homens; e a marginalização total das lésbicas – condicionada à imposição da função reprodutora às mulheres.

E é contra tudo isso que feministas e ativistas pelos direitos dos não heterossexuais lutam. Há muitas décadas as feministas batalham contra a imposição de papéis de gênero e padrões de beleza e a restrição forçada ao papel de escrava do lar, entre tantos outros flagelos que regimes conservadores e/ou fascistas tenta(va)m empurrar goela adentro às mulheres. Da mesma forma, os não héteros também têm décadas de lutas, muitas delas sangrentas, por direitos iguais aos dos heterossexuais cis, pelo reconhecimento de sua dignidade e contra o ódio homo, lesbo e bifóbico vindo das religiões conservadoras e dos regimes políticos que lhes negam cidadania e liberdade.

Por outro lado, heterossexistas, ao declararem seu ódio contra lésbicas, gays e bissexuais e assumirem opiniões discriminatórias como a alegação da função reprodutiva da afetividade humana e a “antinaturalidade” e “pecaminosidade” das relações sexo-afetivas dessas pessoas, estão manifestando crenças bastante parecidas com as da ideologia nazista em relação à homo/bissexualidade. Da mesma forma, quando difamam e hostilizam as feministas e tentam impor às mulheres papéis de gênero relegados ao ambiente doméstico e familiar, estão concordando, de certa forma, com o que os nazistas diziam.

E da mesma maneira, estão repetindo o que o nazismo fazia: demonizar e criminalizar moralmente movimentos sociais e ideologias opositoras, tachando-os como a “apoteose do mal”, a “ameaça à civilização” e “aberrações” e imputando-lhes falsas acusações que reforçam o ódio dos preconceituosos, como o “combate à liberdade de expressão” – quando eles estão curiosamente combatendo a livre expressão de sua oposição – e a “instituição da imoralidade e do pecado”.

Fica claro que o feminismo e o ativismo pelos direitos dos não héteros nada têm a ver com nazismo – pelo contrário, a ideologia nazista era inimiga declarada dos dois –, e quem compartilha com os nazistas o ódio, o preconceito assassino e o desejo de “limpeza” de qualquer oposição ideológica são, ao invés, justamente aqueles que vivem usando as expressões “feminazi” e “gayzismo”. Fica claro, assim, que essas palavras dizem infinitamente mais sobre a mentalidade de quem as profere do que sobre o alvo de tais ofensas.

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Jefferson Soares

abril 20 2014 Responder

Em primeiro lugar, antes que alguém venha com sete pedras, não estou defendendo o nazismo e quero deixar claro que QUALQUER TIPO DE DITADURA É ABOMINÁVEL.

Gostaria que algumas coisas fossem esclarecidas:
1 – fonte sobre os “uniformes com um triângulo rosa que sinalizava homossexualidade”;
2 – fonte sobre “a revisão do Parágrafo 175 do Código Criminal Alemão”;
3 – gostaria que você explicasse o porquê dos movimentos feminista e LGBT, que estão sempre ligados aos partidos de esquerda, tem entre seus membros pessoas que apoiam ditaduras comunistas do presente e do passado, chegando muitos a idolatrar a figura de Che Guevara, ilustre assassino de homossexuais.

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