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abr14

Página “AnonymousBrasil” ridiculariza atenção dada à cultura de estupro
Imagem machista publicada por página que se diz Anonymous ridiculariza atenção dada pela sociedade à pesquisa do IPEA que alertou para a porcentagem de pessoas que concordam que "mulher com roupa curta merece ser atacada"

Imagem machista publicada por página que se diz Anonymous ridiculariza atenção dada pela sociedade à pesquisa do IPEA, aquela que alertou para a porcentagem de pessoas que concordam que “mulher com roupa curta merece ser atacada”, para fazer campanha reacionária contra o Marco Civil da Internet

Uma página facebookiana que se autointitula “AnonymousBrasil” está sujando o nome dos Anonymous, usando-o para fazer campanhas pró-reacionárias e pisoteando causas de Direitos Humanos. A imagem machista acima (fonte), postada no começo da tarde de ontem, ridiculariza a atenção que a sociedade tem dado à pesquisa do IPEA que alertou que uma grande parcela da população brasileira concorda que mulheres usando roupa curta “merecem ser atacadas” – ou seja, estupradas -, tentando tirar do grave problema da cultura de estupro a atenção da sociedade e desviá-la para ser contra o Marco Civil da Internet.

Curiosamente, poucas horas depois, a mesma página postou isso aqui, reproduzindo a notícia de que o IPEA havia corrigido a pesquisa e revelado que não são 65,1%, mas sim 26% – um número ainda enorme e alarmante, correspondendo a nada menos que 1 a cada 4 brasileirxs, e subestimado, já que os homens corresponderam na pesquisa a apenas 33,5% do total de pessoas consultadas, o que torna certo que, se os homens fossem 50% do total, esse número se tornaria bem mais do que 26% – aquelxs que concordam “parcialmente” ou “totalmente” que mulheres com roupa curta “merecem” ser estupradas. Esse post recebeu diversos comentários, desde misóginos caçoando das feministas que haviam divulgado o número de 65,1% até gente repetindo como papagaios que a pesquisa do IPEA teria tido a intenção de tirar a atenção dos brasileiros da CPI da Petrobras.

E outra imagem havia sido postada antes, uma hora depois da imagem acima, tentando desvalorizar a relevância do debate sobre o flagelo da cultura de estupro no Brasil em favor da discussão do escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras.

Páginas de direita têm investido, quase em uníssono, na manipulação da opinião pública contra a aprovação e sanção do Marco Civil, o qual se trata de uma espécie de Constituição da internet brasileira, promulgando direitos e deveres aos internautas e garantindo princípios como a privacidade e a neutralidade da rede (entenda melhor aqui quais serão os impactos do Marco Civil). Usam o pretexto de que a internet “não precisa de regulação” e o marco iria “acabar com a liberdade na internet”, escondendo por trás de seu discurso a proteção dos interesses das grandes empresas de comunicação e telecomunicações.

A página que se autointitula “AnonymousBrasil” segue a corrente dos reacionários e tem investido contra a aprovação do Marco Civil. Tem tentado, em outros momentos, alternar entre as pautas da direita e as da esquerda, mas é clara sua tendência de priorizar as demandas direitistas, dando prioridade a posts antipetistas. Não à toa, tem recebido muitos comentários de apoio de reacionários cheios de ódio, alguns acreditando estar numa “ditadura comunista”, outros clamando pelo nome do extremista Jair Bolsonaro, e outros dando rompantes de misoginia e mansplaining (atitude de homens machistas que tentam convencer mulheres feministas de que elas estão “erradas” e eles “certos” sobre assuntos pertinentes ao feminismo) sem sofrerem qualquer oposição e advertência da página.

Não é à toa que diversas células Anonymous brasileiras romperam recentemente com essa página, por terem percebido que ela de fato adotou uma postura alinhada com reacionários que dizem ter o combate à corrupção como bandeira. Convém dizer que elas têm opiniões bem mais equilibradas sobre o Marco Civil, evitando explicitamente rejeitá-lo totalmente ou apoiá-lo inquestionadamente (exemplos do Anonymous FUEL BR e do Anonymous Curitiba).

E o Consciencia.blog.br presta seu apoio a essas células, que, ao contrário do autointitulado “AnonymousBrasil”, mantêm acesa a chama libertária que inspirou o aparecimento do Anonymous enquanto ideia pautada na libertação humana.

imagrs

4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

anonimo!!!

abril 6 2014 Responder

o Ipea ja se manifestou dizendo que errou na pesquisa é o numero geral teve uma queda de 64 pra 26% entao

a pagina estava correta

    Robson Fernando de Souza

    abril 6 2014 Responder

    E eu confirmei isso no post, não neguei.

    Robson Fernando de Souza

    abril 6 2014 Responder

    Clarion, o cara que nega a existência do machismo? Não, obrigado.

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