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PM impõe disciplina fascista em escolas públicas militarizadas de Goiás

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Escolas públicas de Goiás entregues às mãos da Polícia Militar estão impondo uma disciplina fascista, típica de quartéis, aos alunos que outrora tinham diversas liberdades e sua individualidade teoricamente respeitada. Desde que foram cedidas à administração militar pelo governo do PSDB, elas estão impondo códigos disciplinares espartanos, forçando aos estudantes diversas proibições e obrigações.

Segundo O Globo, proibições como o uso de batom e esmalte coloridos, as gírias adolescentes e o mascar de chicletes e a imposição de comportamentos como o cantar do hino nacional, a disposição em filas em marcha antes do início da aula do dia e o bater de continência para o diretor da escola amarram fortemente os alunos a uma disciplina que esmaga sua juventude, individualidade e liberdade e os transforma em servos do Estado por algumas horas por dia. É de se invocar, nessas horas, à memória histórica dos regimes fascistas do passado, nos quais os indivíduos eram despidos de qualquer liberdade e cidadania e obrigados a servir, como máquinas disciplinadas, ao Estado soberano.

A educação não lhes serve mais com o ideal – fadado ao fracasso, dada a estrutura sistemática vigente do ensino público e privado no Brasil – de formar cidadãos cientes de seus direitos e prerrogativas democráticos e munidos de conhecimentos úteis para a vida. E assume agora a missão de forçar crianças e adolescentes dentro de caixas e, através do medo, do autoritarismo e da submissão ao braço armado do Estado, fazê-las “não serem violentas”, curiosamente lhes impondo uma ideologia cujo alicerce é a violência e sua naturalização.

O militarismo tomou, até o momento, dez escolas, cedidas à administração policial militar pelo governo de Marconi Perillo, do PSDB*, com a desculpa de controlar os índices de violência em alguns municípios. É de se perceber que o uso de pretextos de bem comum para a imposição de regimes de exceção, frequente ao longo da História humana, se repete no caso: o “combate ao comunismo” impôs regimes fascistas e ditaduras militares em diversos países ao longo do século 20, a “restauração do poder” da Alemanha foi um dos cantos de sereia que possibilitaram a ascensão de Hitler ao poder daquele país, reacionários pedem hoje “intervenção militar” pelo “fim da corrupção” (interessantemente atribuída exclusivamente ao PT), tropas policiais de elite invadem e promovem massacres racistas em favelas pelo Brasil sob o pretexto de “combater o tráfico de drogas”, e agora o “combate à violência” é usado como desculpa para impor um regime disciplinar de caráter fascista em escolas públicas e esmagar a cultura juvenil e as liberdades de crianças e adolescentes.

É muito notável também que o governo tucano* de Goiás assina, com essa militarização do ensino, um atestado de incompetência administrativa, de incapacidade de resolver problemas sociais através de políticas democráticas, participativas e criativas, de inabilidade de lidar civil(izada)mente com o ensino público.

É necessário dizer que Marconi Perillo pretende se candidatar à re-eleição como governador de Goiás. É muito possível que a militarização de escolas não só continue, como se expanda em Goiás, caso ele realmente seja re-eleito.

Os movimentos sociais focados na educação e a população goiana precisam se posicionar sobre como o governo de Perillo está se assumindo incompetente demais para melhorar a educação e abrindo as portas para o militarismo fascista nas escolas estaduais, e lutar pela democratização do ensino em Goiás e no restante do Brasil. Da mesma maneira, esse assunto reforça que a demanda pela desmilitarização da polícia no Brasil deve ser cada vez mais forte, já que a ideologia disciplinar de herança ditatorial também castiga e doutrina os policiais nos quartéis da PM.

 

*Muito embora o PT – assim como a grande maioria dos demais partidos – esteja cada vez mais semelhante ao PSDB e não represente mais perspectiva de mudança significativa nas políticas públicas, convém mostrar como o partido do tucano está “pedindo” para não ser eleito e se mostrando avesso ao aprofundamento da democracia no Brasil. Isso deve ser lembrado nas eleições estaduais e federais de outubro.

imagrs

23 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Marcela

agosto 10 2015 Responder

O maior problema deste país é o fascismo inerente em muitos brasileiros.Vide o ocorrido com os haitianos em SP.A educação não está falida apenas no âmbito das escolas públicas do Brasil,as particulares também estão retrógradas e petrificadas na máxima “passar no vestibular”.Formamos seres na sociedade sem o pensamento crítico necessário,que são manipulados facilmente.Nossos jovens são somente mais um tijolo no muro de uma sociedade carente de grandes pensamentos e feitos.Deixo aqui um vídeo que me trouxe esperança em uma educação libertadora e que aceita diversidades…uma educação pra vida!
http://www.cpflcultura.com.br/2015/06/30/boas-praticas-pedagogicas-no-brasil-hoje-o-caso-da-escola-maria-peregrina-com-mildren-duque-integra/

    sergio

    agosto 10 2015 Responder

    Comentário grosseiro, reacionário e xenófobo apagado. Próximo comentário malcriado e será banido. E lembre-se: xenofobia é crime. RFS

Luiz Carlos

junho 9 2015 Responder

Sou um cara muito pragmático:

Vi no título da matéria: ” PM impõe disciplina fascista em escolas públicas militarizadas de Goiás”, e isso me chamou a atenção, antes essas escolas estavam dominadas pela rebeldia e indisciplina.
O autor defende citando: ” aos alunos que outrora tinham diversas liberdades e sua individualidade teoricamente respeitada.”, mas se essas liberdades e individualidades respeitadas levaram a uma situação prática de caos educacional juntamente com pais e professores desesperados, porque não mudar?

O segundo modelo trouxe resultados práticos, em entrevista os pais relatavam alívio, e percepção visível da mudança de comportamento dos filhos para a melhor, respeitando mais as leis e demonstrando auto-disciplina, sem contar o fato do aumento geral da média e no rendimento escolar do corpo de alunos.

Portanto discordo do termo “disciplina facista”, o ser humano precisa sim de limites, liberdade individual sem controle algum leva ao relativismo moral, cada um faz o que lhe achar melhor seguindo intuições e desejos egoístas em detrimento da coletividade e harmonia social.

Heraldo Villa

outubro 6 2014 Responder

Sou a favor desse projeto, há muitos pais que não estão conseguindo educar seus filhos e consequentemente as escolas não estão conseguindo alfabetiza-los, as leis ultrapassadas, os códigos protetores que foram criados para crianças e adolescentes, a corrupção que infectou o país, a insegurança e principalmente a impunidade, estão colaborando para que os crianças e adolescentes, não consigam diferenciar LIBERDADE de LIBERTINAGEM, então acho que a militarização das escolas, é de suma importância para auxilar na educação e alfabetização do nosso povo. Porém esse auxílio, não pode ser um retorno ás épocas da ditadura, mas, hoje temos a necessidade de ensinar nas escolas, a hierarquia, disciplina, organização, atividades esportivas. Dessa forma, voltará o respeito e amor ao próximo.

RAFAEL

julho 17 2014 Responder

ACHO ATE MELHOR TER ENSINO COM ORDEM MILITAR MELHOR DO QUE ALGUMAS ESCOLAS PARTICULARES QUE A REPROVACAO E AINDA IMINENTE

RAFAEL

julho 17 2014 Responder

Comentário agressivo e machista apagado. Comente discordando, mas sem atirar acusações nem agressividade e promover slutshaming e outras machistadas. RFS

Evaristo Neto

junho 3 2014 Responder

Caro Robson Fernando [Trecho sobre minha vida pessoal passada apagado. Vamos nos ater a falar apenas sobre temas públicos aqui, ok? RFS]. Permita dizer que vc falou muita asneira. Os país aprovam, os professores aprovam, a sociedade aprova. os índices de aprendizado vão lá em cima mas só esquerdopata burro é contra. Aqui em Belo Horizonte o Pt criou uma aberração chamada escola plural, que acabava com a repetência e qualquer cobrança. O que se viu foi uma geração de analfabetos doutrinados e os mais pobres se endividando pra tentar colocar o filho numa escola particular.

Disciplina não faz mal a ninguem. Tenho 36 anos e no meu tempo de aluno se algum imbecil tentasse agredir o MESTRE apanharia do resto da turma. Hoje há uma imensa inversão de valores onde o errado é o certo. [Ataque pessoal apagado. Evite apontar dedo, seja pra mim, seja pra outros comentaristas, quando for opinar, ok? RFS]

Heitor Fabossi

abril 12 2014 Responder

O próximo passo será filtrar e restringir o conteúdo das aulas de história, filosofia etc…??? Marcha soldado cabeça de papel !!!??? …Lamentável !!!

Filipe

abril 11 2014 Responder

Robson, obrigado pela sugestão. Não sei se terei tempo tão cedo, mas sei do ótimo autor que é Michel Foucault.

Eu gostaria de saber o que vc recomenda para melhorar a disciplina em sala de aula. Muitos falam que quem é defensor dos direitos humanos não apresenta soluções para os problemas. Gostaria de ouvir o que vc tem a dizer nesse caso, pois seria uma forma de propor soluções melhores que a disciplina militar.

    Robson Fernando de Souza

    abril 11 2014 Responder

    Vou dizer por alto, por não ter formação psicopedagógica: educação democrática, cultura de paz, igualdade moral entre professores e alunos – ambas as categorias aprendendo uma com a outra -, transdisciplinaridade, uso dos saberes culturais e tradicionais no ensino, valorização da cultura da periferia.

Victoria

abril 11 2014 Responder

Bom pra ensinar disciplina, ordem e respeito criando assim um ótimo ambiente para as crianças poderem aprender e se desenvolver… quanto ao proibirem chiclete/batom, etc… é falta de respeito (ou sempre foi o que me disseram inclusive professores) mascar chiclete em sala de aula e/ou quando se conversa com os outros, e em relação ao batom, vivem reclamando que a meninada anda muito saidinha ae quando uma escola proíbe é ruim? Isso é mais pra evitar que as meninas fiquem visitando o banheiro para retocar o dito cujo ao invés de prestar atenção na aula, nada demais…

Os tão aclamados “educadores” que criticam esse tipo de iniciativa obviamente confundem libertinagem com liberdade

Pelo menos nessa escola não deve existir nenhum aluno falando palavrão e batendo nos professores, não deve ter aluno brigando em sala de aula também… do jeito que as coisas andam daqui a pouco os alunos vão expulsar os professores da sala de aula ( coisa que já fazem na USP) e anotar as próprias notas no boletim escolar.

Pena que não vão fazer isso aqui em SP

filipe

abril 11 2014 Responder

Robson, bom dia.

Bem, eu prezo muito a liberdade. Mas também tenho amigos professores que se queixam muito da opressão que sofrem de alunos: desrespeito, ameaças… Não julgo a atitude de adotar a disciplina militar, se ela trouxer mais segurança e respeito ao ambiente escolar. Talvez ela possa ainda melhorar a autoestima dos alunos, ao dar a eles um senso de pertencer a uma organização.

    Robson Fernando de Souza

    abril 11 2014 Responder

    Filipe, recomendo a leitura de um livro chamado “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault. Ele fala muito bem dessa coisa da imposição do regime disciplinar em presídios, escolas e outras instituições, e como ele está longe de “melhorar” a sociedade.

      Victoria

      abril 11 2014 Responder

      E como anda o ensino nas escolas públicas de todo o país? Casos e mais casos de professores sendo agredidos física e verbalmente?

      Crianças/adolescentes precisam de disciplina (a não ser que vocês gostem do que ocorreu na USP onde o professor foi retirado a força da sala de aula por “alunos”, e olha que esses são bem adultos), precisam de limite, aprender respeito, educação, consideração ao próximo.

      Eles precisam aprender a dar valor ao estudo, ao que tem, e a sempre querer mais.

      Atualmente o ensino público não proporciona nada disso.

      Agora basta existir uma ótima iniciativa como essa para criticarem baseados em livros… ok, mas primeiro coloque seus filhos em uma escola pública antes de querer comentar cheio de demagogia e indicar um livro como “isso não dá certo”.

marina

abril 10 2014 Responder

olá,eu em um colégio militar (do exercito,não administrado pela pm)onde o sistema é praticamente o mesmo.Não concordo também com o fato do estado não conseguir administrar suas escolas e “empurrá-las” para a PM,já que este não é o seu dever,mas acredito que houve uma melhora sim,apesar dos alunos estarem proibidos de “denegrir o nome do CPMG ou de qualquer de seus membros”,pois como uma das alunas deu falou em uma entrevista ao oglobo,haviam casos de uso de drogas dentro dos banheiros,professores sofrendo sequestros relâmpagos e até casos de prostituição,coisas que não fazem mais parte do cotidiano dos alunos e da comunidade.Quanto a imposição dessas novas normas estarem “esmaga sua juventude, individualidade e liberdade e os transforma em servos do Estado por algumas horas por dia” não é uma total verdade.As normas impostas estão lá para mostrar um novo modo de agir a alunos que não tinham mínima noção de respeito.Se os alunos estivessem se sentindo tão “oprimidos” já estariam recorrendo aos seus pais(que são os que mais agradecem e notaram a mudança de comportamento dos filhos)e não estariam aceitando tão bem.Se todos de lá estão felizes com a mudança não se pode saber,mas o fato é que ninguém quer sair e todos disputam vagas para entrar.Se falei alguma coisa incoerente,me perdoem,pois é a opinião de uma garota de 14 anos que estudo muito(como vários para entrar nesses temidos colégios militares e que não se arrepende.Por fora parece repugnante,mas para nós que notamos a mudança não é bem assim.

    Robson Fernando de Souza

    abril 11 2014 Responder

    Marina, tem essa questão também, a da inculcação ideológica. Os estudantes nem percebem o quanto estão sendo doutrinados e tendo suas liberdades roubadas, uma vez que estão apreciando e sendo iludidos pela ideologia autoritária ali presente.

      Victoria

      abril 11 2014 Responder

      Isso não existe, tanto que os pais dos alunos só fazem tecer elogios a nova disciplina/administração implantada nas escolas, os alunos também.

      Agora os alunos tem condições de realmente estudar em paz.

      Agora os professores tem condições aceitáveis de trabalho, tem condições de desenvolver um trabalho realmente digno.

      Em paz, consciente e sem apologia ou doutrinação nenhuma.

      Não existe roubo de liberdade, aprender a respeitar o próximo, respeitar a escola e o professor é perder a liberdade?

      Doutrinação é aprender a respeitar o próximo, a agir e ser um cidadão, um membro produtivo da sociedade?

      Certamente não.

        Robson Fernando de Souza

        abril 11 2014 Responder

        Você chama uma ordem baseada em coerção, medo, cultura de violência e imposição violenta de autoridade de “paz”? Aceita realmente que se sacrifique as liberdades individuais e coletivas (como a de manifestação cultural) em troca de um pouco de segurança?

        “Em paz, consciente e sem apologia ou doutrinação nenhuma.” – Militarismo e cultura de violência não são ideologias inculcadas em estudantes e militares por doutrinação?

        “Não existe roubo de liberdade, aprender a respeitar o próximo, respeitar a escola e o professor é perder a liberdade?” – Você acredita que a perda do direito do indivíduo de manifestar sua cultura (no caso, os jovens foram proibidos de manifestar, dentro das escolas, a cultura juvenil típica das periferias) não é um roubo de liberdade?

        “Doutrinação é aprender a respeitar o próximo, a agir e ser um cidadão, um membro produtivo da sociedade?” – O que é “respeitar o próximo”, “agir como um cidadão” e “ser um membro produtivo da sociedade” pra você?

HueHueBR

abril 10 2014 Responder

Só pq o heitor te refutou (mandou muito bem,aliás) voce inventou um motivo pra censurar o post dele (coisa de esquerdista,só pra variar).

Héctor Catalan

abril 9 2014 Responder

Comentário ofensivo apagado. Se discorda do post, discorde sem ofensas, ok? RFS

Breno Sansão

abril 9 2014 Responder

É de se ver realmente pela matéria, que há um certo ar de pouco caso, no que pode dar certo, desde que não venha do PT, haja vista que quem escreveu o artigo, não noticiou a satisfação dos pais de alunos. É isto que nós temos que saber. Por quê esse jornalista não divulgou na matéria, que a maioria esmagadora dos pais de alunos, está satisfeita com os atuais resultados? Já que as escolas administradas por militares e as católicas,têm os melhores resultados na aprendizagem do Brasil. Parece que reacionário é ele.

Thiago

abril 9 2014 Responder

Excelente texto!

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo