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maio14

244 dúvidas minhas sobre o anarquismo

Este post deverá ser atualizado com novas perguntas à medida que surjam mais dúvidas minhas sobre o anarquismo. Postado originalmente em 05/10/2012, atualização mais recente em 27/05/14.

Imagino que me tornarei anarquista em não muito tempo. Já tenho uma visão muito balançada sobre a alegada importância dos Estados, como promotores de serviços públicos, empreendedores de grandes obras, mantenedores da segurança pública, entidades que impedem com a lei que as pessoas se tornem seres caóticos e destrutivamente impulsivos, entre outras funções. Já faz anos que eu sou muito cético em relação à dita importância de símbolos nacionais, ao valor da submissão do indivíduo ao Estado que o governa, à dependência de forças armadas nos Estados modernos, entre outras questões sobre a essência dos Estados. Também acredito que um antimilitarismo desprovido de uma base anarquista é algo incompleto, já que o uso de armas e de violência institucional é algo pertencente à essência dos Estados antigos e modernos.

Porém, tenho uma quantidade enorme de dúvidas sobre o anarquismo, como ele sustenta seus argumentos, como ele pretende mudar o mundo, como será o mundo depois da queda dos Estados e do triunfo das sociedades anarquistas. Por isso, elaborei a lista abaixo, com nada menos que 244 dúvidas minhas sobre o anarquismo e seu envolvimento nos mais diversos aspectos da vida humana individual e coletiva. E eu gostaria sinceramente que todas elas fossem respondidas. Conhecer suas respostas pode ser aquilo que me falta para eu me tornar oficialmente um anarquista, um defensor da abolição dos Estados.

Atualização (09/11/13, 15:30): O blog Federação Anarquista Caipira, que havia respondido no ano passado às minhas primeiras 102 perguntas, está infelizmente fechado. Por isso, novamente o post está carente de respostas, e fica lançado o desafio para que anarquistas respondam às perguntas colocadas aqui.

Aviso: Nenhuma pergunta abaixo usa de retórica nem tenta argumentar contra o anarquismo. São todas dúvidas sérias e sinceras.

 

1. Como seria uma sociedade anarquista depois da abolição do Estado, pelo menos no atual território brasileiro?

2. Quais são as hipóteses anarquistas mais plausíveis pelas quais o Estado seria abolido e a sociedade se transformaria em democracias absolutas (diretas)?

3. Como as sociedades anarquistas a surgir depois da abolição dos Estados aproveitariam a infraestrutura existente à época, infraestrutura essa criada ao longo de décadas ou séculos sob a regência e lógica dos Estados e das sociedades governadas?

4. Se a hipótese da revolução armada contra o Estado prevalecesse, como seria a transição da sociedade estatista às sociedades anarquistas? Como se lidaria com o fato de a porção da sociedade que não se engajou na revolução estar atordoada com a mudança e desejar a volta de um Estado para “pôr ordem” na situação?

5. Como os anarquistas pretendem lidar (ou lidam) com a existência de forças armadas? Como seria viável uma sociedade anarquista livre do perigo de ser subjugada pelo exército da nação que ela renegou ou de nações estrangeiras que ainda não vivenciaram suas revoluções antiestatistas?

6. Haveria espaço para grandes obras de infraestrutura (estradas, ferrovias, usinas hidrelétricas, hospitais de grande porte, escolas grandes, universidades extensas etc.) num panorama de sociedades anarquistas? Se sim, como seriam empreendidas sem um Estado a ordenar essas obras?

7. Como convencer as pessoas de que é um absurdo, por exemplo, alguém ser tratado como uma unidade ou número (vide RG, CPF e outros documentos) pelo Estado e que governar é de fato dominar, submeter e controlar?

8. A Constituição brasileira é contra a secessão, e uma sociedade anarquista se declarar independente do Estado brasileiro seria considerado uma secessão pelo mesmo. Como se daria a reação da sociedade anarquista em emancipação contra uma possível intervenção militar?

9. Já existem escolas anarquistas, que ensinem às crianças a ética de viver pela própria consciência, sem precisar ser regido por leis, em algum lugar do mundo?

10. Como se daria o controle da violência urbana e dos desvios de conduta social perigosos à coletividade, que infelizmente podem ser inevitáveis?

11. Como as sociedades anarquistas lidariam com os conservadores/regressistas estatistas remanescentes?

12. Como o anarquismo lida com as propriedades domésticas (ex.: computadores pessoais, móveis, colchões, casas, carros, bicicletas, eletrodomésticos, roupas, álbuns musicais, DVDs etc.)?

13. Haveria algum sistema de comércio, com ou sem dinheiro, nas sociedades anarquistas? Há viabilidade de o escambo ser um meio permanente de troca de objetos?

14. Como responder aos estatistas que acusam um anarquista funcionário público de estar sendo hipócrita ao não largar seu emprego que só existe graças ao Estado/Administração Pública?

15. Como seria a política do consenso numa democracia direta? E quando as opiniões divergirem a ponto de serem virtualmente inconciliáveis e mutuamente excludentes?

16. Como seria empreendido numa sociedade anarquista o que hoje conhecermos por serviço público?

17. Como a infraestrutura das grandes propriedades privadas rurais (latifúndios) seria repartida entre a coletividade? Como o solo desses latifúndios seria adaptado a policulturas minifundiárias?

18. Por que o anarquismo é hoje relativamente pouco divulgado, mesmo na internet, ao contrário, por exemplo, dos Direitos Animais, cada vez mais divulgados pelos meios democráticos de comunicação?

19. Como a infraestrutura física da internet (backbones, servidores, cabos conectores, antenas etc.) será mantida num mundo sem Estados? E o gerenciamento dos sistemas operacionais? Aliás, ao menos continuará existindo internet num mundo anarquista?

20. Existe o risco de, num mundo em processo de abolição dos Estados, alguma nação remanescente se aproveitar da extinção de cada vez mais nações e de suas forças armadas e começar um ataque expansionista contra as sociedades anarquistas desmilitarizadas? Se sim, como se pretende lidar com essa ameaça?

21. Supondo a possibilidade de casos em que alguns povos indígenas, livres da ameaça das “civilizações”, se transformassem, ao longo dos séculos, em Estados organizados expansionistas, como as sociedades anarquistas lidariam com isso?

22. Existe o risco de sociedades anarquistas acabarem se tornando caóticas por despreparo da população a viver sem a regência das leis e por isso regredirem a um regime estatista? Se sim, como pretendem lidar com essa ameaça?

23. Em algum lugar eu li que o problema não seria lidar com uma sociedade despreparada a uma vida sem Estado, mas sim preparar a sociedade ao anarquismo abolindo os problemas causados pelos Estados. Há alguma prova de que problemas teoricamente controlados pelos instrumentos coercitivos do Estado, como a violência urbana combatida pela polícia e crimes em geral combatidos pelo Poder Judiciário, de fato têm sua origem na essência estatista dessas sociedades e/ou na existência do Estado em si?

24. Como lidar com o problema do abuso e comercialização/doação de drogas pesadas (cocaína, crack, heroína etc.) e com as consequências do abuso de álcool numa sociedade anarquista, que provavelmente não conseguiria abolir o uso de drogas entorpecentes e alteradoras do estado psicológico/psiquiátrico?

25. Como seria a nova Ética do Trabalho numa sociedade livre do Estado e do capitalismo?

26. Como os anarquistas conseguirão desapropriar os meios de produção urbanos e rurais (tomar dos empresários a propriedade sobre suas empresas e máquinas, assim como tomar dos latifundiários suas grandes fazendas)? Sendo quase certa a reação armada dos atuais donos desses meios de produção, seja através do Estado protetor do direito à propriedade privada ou através de exércitos de seguranças particulares, como os anarquistas iriam proceder?

27. Como os anarquistas pretendem conscientizar as classes médias para a lógica da sociedade sem Estado e sem grandes propriedades privadas?

28. Num mundo em que os redutos de vida silvestre estão cada vez mais reduzidos e os recursos naturais não renováveis cada vez menos abundantes, será possível criar sociedades anarcoprimitivistas a partir do zero?

29. Como se dará o desenvolvimento científico e tecnológico nas sociedades anarquistas, considerando-se os produtos realmente essenciais da ciência e tecnologia (como a internet, os medicamentos que curam doenças graves, os computadores, os eletrodomésticos, os meios geradores de energia etc.)?

30. Como o anarquismo lida com a questão do desenvolvimento de tecnologias de exploração espacial? Ou o anarquismo é essencialmente “geocêntrico” no sentido de não se preocupar com o Universo?

31. Uma sociedade anarquista seria à prova de problemas microssociais como ofensas, brigas e alcoolização?

32. Como uma sociedade anarquista lidaria com pessoas neurologicamente tendentes, por exemplo, à psicopatia e sociopatia?

33. O anarquismo é realmente incompatível com as religiões organizadas, em especial o cristianismo e o islamismo? Se sim, como se pretende extingui-las ou transformá-las em religiões libertárias? Pretende-se extinguir dogmas e princípios como a submissão a Deus; a existência do clero como intermediário entre Deus e o ser humano; a direção de templos por pastores, padres, bispos, cardeais, apóstolos, rabinos, sheiks, imãs etc.?

34. Como o anarquismo sob a forma de comunismo libertário pretende lidar com os defensores do direito à propriedade privada? Como lidam inclusive com os minarquistas e anarcocapitalistas (que eu sinceramente não gosto de chamar de “libertários”)?

35. Como os anarquistas intervêm hoje em dia de modo a construir um futuro conjunto de sociedades sem Estado?

36. Anarquia é diferente de anomia. Mas como garantir que TODOS os seres humanos integrantes de uma sociedade anarquista, sem exceção, tenham uma consciência elevada o suficiente para viverem independentes de leis?

37. O anarquismo tem alguma posição em relação aos pais regularem e disciplinarem o comportamento dos filhos menores de idade (pelo qual impõem castigos, recompensas e autoridade)?

38. Como o anarquismo lida com os anseios da adolescência, como a busca por uma identidade individual, a socialização, a experimentação de novos prazeres da vida etc.?

39. O anarquismo tem alguma posição em relação à reprodução humana, macrossocialmente falando? Como lida(rá) com o descontrole reprodutivo em lugares como a África subsaariana e o Oriente Médio?

40. O anarquismo tem algo a falar sobre ordem social?

41. Como o anarquismo lida com os conflitos sociais e a perspectiva de as sociedades serem perpetuamente regidas por contradições e conflitos? Como seriam os conflitos dentro das sociedades anarquistas? Haverá o perigo de alguns desses conflitos suscitarem para muitos a volta da ordem estatista e policial?

42. Como o anarquismo contemporâneo lida com a Natureza como um todo? Como propriedade pública humana ou como uma entidade dotada de valor intrínseco que não deve ser tratada como propriedade pública nem privada?

43. Como a sociedade anarquista lidará com divergências (entre pessoas ou facções detentoras de determinadas opiniões) tão graves que poderão ameaçar sua coesão social?

44. Ainda haverá algum espaço para a existência de líderes em alguma estrutura microssocial (como grupos ativistas, igrejas, vizinhanças etc.)?

45. Como a figura do professor é vista na filosofia anarquista? Ele ainda será um “regente” dos alunos? Como lidará com crianças mal comportadas?

46. Como o anarquismo lida com o disciplinamento doméstico e escolar das crianças?

47. Como os anarquistas não veganos veem os animais não humanos? Não é incoerente que, mesmo numa sociedade anarquista, os animais continuem sendo vistos como propriedade humana?

48. Qual o segredo de uma sociedade anarquista não precisar de polícia para ser uma sociedade livre da criminalidade?

49. Como se pretende lidar, numa sociedade anarquista, com ladrões de micropropriedades (como computadores, meios de transporte e eletrodomésticos), agressores de pessoas inocentes e animais, cometedores de crimes contra a honra pessoal (injúria, calúnia e/ou difamação), homicidas, assassinos de animais não humanos, destruidores ambientais etc.?

50. Como o anarquismo pensa a relação geral do ser humano com o meio ambiente?

51. Como será a transição entre a sociedade estatista e capitalista e a sociedade anarco-comunista?

52. Crianças pequenas serão consideradas tomadoras de decisões políticas numa sociedade adepta da democracia direta?

53. Como o anarquismo lida(rá) com uma população humana terrestre de diversos bilhões de habitantes?

54. Como o anarquismo poderá ser introduzido e estendido a continentes como a África e a Ásia?

55. Como as sociedades anarquistas interagirão com povos indígenas tradicionais?

56. Como o anarquismo lida com as mitologias religiosas apegadas a narrativas ligadas à guerra e ao governo dos deuses sobre os humanos?

57. Como os anarquistas lidam com (refutam) os argumentos direitistas (tanto ultraconservadores como liberais), que afirmam que certas características humanas, como o egoísmo, o instinto competitivo, a busca pelo mérito e pela ascensão social, a posse de propriedades privadas, a ordem de desigualdade social etc. seriam intrínsecos à natureza humana? Há trabalhos, científicos ou não, que refutem esses argumentos?

58. O que o anarquismo contemporâneo pensa sobre a teoria clássica de que uma sociedade capitalista precisa passar por uma fase socialista estatal, precedida por uma revolução popular, para se transformar numa sociedade comunista?

59. É possível propagar o anarquismo em países como Cuba, Coreia do Norte e China?

60. Como anda o anarquismo nos EUA, país de tradição nacionalista/patriótica que aparentemente dá tão pouco espaço à esquerda anarquista e/ou comunista?

61. Como o anarquismo pretende trabalhar globalmente para abolir as forças armadas e polícias e assim acabar com o perigo de ameaças externas bélicas às sociedades anarquistas desmilitarizadas?

62. Como se pretende substituir o modelo de sociedade capitalista, individualista, consumista e estatista hoje dominante por um modelo de sociedade comunista, coletivista (ou que saiba conciliar liberdades individuais com os anseios coletivos), desapegada da “ética de consumo” e independente de Estados?

63. Como o anarquismo, ele próprio possuidor de bandeira(s), símbolo(s) e cores (rubronegro), lida com a existência de símbolos nacionais (bandeiras, hinos, brasões e selos)?

64. Como se pretende lidar com o eventual aparecimento de interesses privados deletérios dentro de uma sociedade anarquista?

65. O anarquismo é essencialmente ateísta? Como lida com o fato de a maioria das religiões existentes reconhecerem no(s) Deus(es) ou entidades subdivinas autoridade, inclusive normativa, sobre os seres humanos?

66. Como as sociedades anarquistas lidarão com a exportação e importação de alimentos de outros continentes (por exemplo, a soja consumida nas ilhas britânicas é importada de outros continentes)? Aliás, ainda haverá um sistema de comércio global (com ou sem o envolvimento do dinheiro), mesmo de alimentos, ou as sociedades anarquistas focarão totalmente os alimentos produzidos localmente?

67. Na internet que existirá num mundo cada vez mais anarquista, como serão as redes sociais e fóruns de discussão? O anarquismo tem algo contra a administração e moderação de fóruns de sistemas como Facebook, Orkut e phpBB?

68. O anarquismo é aplicável a sistemas de informação e redes sociais de internet? Como funcionaria a gestão desses sistemas, incluindo manutenção de hardware e programação?

69. Como será o sistema econômico num mundo de sociedades anarquistas?

70. Como seriam os esportes que dependem de treinadores, considerando-se que os treinadores, pelo menos nos esportes como conhecemos hoje, geralmente precisam usar valores tendentes ao estatismo e militarismo (disciplina estrita, autoridade, punições contra abusos ou omissões, regulação comportamental etc.)?

71. Há condições de surgir uma sociedade anarquista de pelo menos algumas centenas de pessoas, que experimente todas as características de uma ética anarquista, dentro dos próximos 30 anos?

72. Como bandas musicais, que hoje dependem de recursos materiais, empresários, roadies etc., viverão numa sociedade anarquista de economia independente de dinheiro?

73. O anarquismo dá algum espaço ao mérito individual no trabalho? E quando esse trabalho é a educação?

74. Como o anarquismo lida com costumes culturais que possuem características como a meritocracia e a popularidade individual (como nas escolas estadunidenses, onde há a cultura do[a] aluno[a] mais popular da classe)?

75. Existe alguma teoria de como o anarquismo poderá triunfar em países cujos Estados fomentam culturalmente a devoção quase religiosa ao Estado, seja como “pátria” ou como entidade governante, como nos EUA e em ditaduras?

76. Como a direita como se conhece hoje, seja conservadora/autoritária, seja liberal/minarquista, vai deixar de existir numa sociedade anarquista?

77. Como será a disposição de sociedades e culturas num mundo anarquista? E como evitar que diferenças culturais/étnicas desencadeiem sectarismo e intolerância mútua?

78. Afinal de contas, ainda existirá espaço para o dinheiro, mesmo sem ele ser o centro da ordem social, nas sociedades anarquistas? Ou ele será substituído, por exemplo, pelo escambo?

79. Quando Max Weber falou que a violência é intrínseca ao funcionamento do Estado, ele de fato inspirou os anarquistas em sua defesa da abolição dos Estados?

80. Retomando o argumento da “natureza humana” egoísta, competitiva, meritocrática, ostentadora de propriedade privada etc. usado pela direita, se esse argumento realmente não é válido, como se pretende influenciar as pessoas de modo a não serem mais egoístas, competitivas, valorizadors do mérito, desejadoras da propriedade privada etc.?

81. Ainda existirão empresas numa sociedade anarquista? Se sim, como funcionarão? A autogestão dá espaço para que pessoas coordenem equipes na produção de bens e serviços?

82. Como o anarquismo aborda a questão da remuneração, de a pessoa ganhar algo em troca de seu trabalho?

83. Existe alguma objeção ética a um anarquista de hoje ser, por exemplo, administrador e/ou moderador de um grupo no Facebook, uma comunidade no Orkut ou um fórum phpBB?

84. Como os valores da individualidade serão tratados no anarquismo? Que espaço a individualidade do indivíduo terá numa sociedade anarquista?

85. O anarquismo tem algo a dizer sobre relacionamentos monogâmicos fechados, inclusive quando o indivíduo prefere, por conta própria, relacionamentos monogâmicos fechados ao poliamor?

86. O que será feito com livros defensores das ideologias de direita numa sociedade anarquista? E se eles parecerem convincentes para alguns indivíduos, e esses indivíduos começarem a defender a volta dos Estados, das polícias e dos regimes representativos, o que será feito?

87. Em relação aos livros, como o anarquismo lida com as bibliotecas pessoais? Exemplares de livros poderão ser considerados micropropriedade privada, que o indivíduo poderá guardar para si de modo a consultá-lo e relê-lo sempre que preciso, ou todos os livros serão considerados bens comuns? Como assegurar, inclusive, que sociedades anarquistas do outro lado do mundo tenham acesso aos livros escritos numa determinada sociedade anarquista?

88. Como o anarquismo lida com a posse sobre blogs e sites? Seu conteúdo será livre para reprodução, mas alguém poderá ainda se dizer, por exemplo, “dono de um blog” numa sociedade anarquista?

89. Como o anarquismo lida com instituições clericais autoritárias, hierárquicas e conservadoras, como a Igreja Católica?

90. Como o anarquismo lida com culturas “primitivas” que promovem, por exemplo, infanticídios, mutilação genital e patriarcalismo?

91. Socialistas democráticos do século 21 (que não defendem os regimes socialistas históricos instaurados no século 20, mas sim uma nova forma de socialismo) são considerados adversários políticos dos anarquistas?

92. É válida a comparação entre o “Estado de bem-estar social”, que mantém o capitalismo e o regime estatista mas provê bem-estar social à população, e o bem-estarismo animal, que provê condições de bem-estar aos animais não humanos mas continua tratando-os como escravos?

93. O anarquismo passará inevitavelmente por transformar a Ética do Trabalho hoje existente por uma bastante diferente. Como se dará essa transformação?

94. Qual é a propriedade privada a ser abolida no anarquismo? (retome-se a pergunta em que se falou das propriedades domésticas, como computadores, eletrodomésticos, carros, roupas etc.)

95. Considerando-se que o anarquismo implique o comunismo, a igualdade social, a inexistência de classes sociais, como será regulado o tamanho das casas de cada família? Não haveria uma desigualdade entre alguém que tem uma casa de 60m² e alguém que tem uma de 100m²?

96. Como se daria a divisão social do trabalho numa sociedade anarquista?

97. Grupos ativistas (de seja lá qual for a causa) totalmente desprovidos de coordenadores funcionam melhor que grupos ativistas com coordenação local? O anarquismo tem algo a objetar sobre grupos ativistas com coordenadores?

98. Por que há diversas posições anarquistas divergentes? Qual versão de anarquismo é, afinal de contas, a mais plausível, ética e igualitária? (não se inclua o anarcocapitalismo nesta questão)

99. O fato de algumas pessoas serem mais famosas e prestigiadas que outras, em razão de seu trabalho cultural, científico ou intelectual, é abordado no anarquismo?

100. Como se lida, no anarquismo, com divergências pedagógicas nas escolas? E se essas divergências forem tamanhas a ponto de inspirarem o ensino de ideologias diferentes?

101. Como a coleta de lixo vai se dar numa sociedade anarquista? Como vai se lidar com o lixo que não pode ser reciclado nem convertido em material orgânico (como lixo hospitalar)?

102. Como serão geridas as redes de água e esgoto numa sociedade anarquista? Por uma empresa autogerida ou por outro meio?

103. Como mostrar à sociedade que o modo de vida anarquista faz mais sentido do que o capitalista-liberal?

104. Como os anarquistas encaram o fato de que a sociedade atual não está preparada para viver sem Estado e sem polícia?

105. Quais são as causas, reivindicações e objetivos atuais dos anarquistas?

106. Qual é o equivalente esquerdista do “Estado mínimo” (mas ainda existente como Estado) defendido pela direita, no lado libertário do plano cartesiano do espectro político-ideológico? Como seria uma versão “semianarquista” de regime político de esquerda?

107. Como o anarquismo encara a modernidade, considerando-se que grande parte dos seus aspectos, se não todos, são profundamente ligados ao capitalismo, estatismo e positivismo?

108. A sociedade anarquista manterá os aspectos típicos da modernidade? Ou sofrerá uma mudança de volta a um estado pré-moderno? Ou vai originar um modelo híbrido, pós-moderno, de tradições com aspectos modernos e pré-modernos coexistindo?

109. Depois da vitória do anarquismo+veganismo+feminismo+ambientalismo+holismo+demais lutas pró-igualdade, continuará existindo civilização moderna, considerando-se que ela, como conhecemos hoje, ascendeu mediante valores capitalistas, estatistas, patriarcais, industriais e positivistas?

110. Sendo contra a propriedade privada, o anarquismo é contra a casa própria? Se sim, qual(is) a(s) alternativa(s) de moradia que ele defende? Seria a casa comunal, tal como existem ou existiam em diversas culturas tradicionais?

111. Ainda existirão universidades (públicas) numa sociedade anarquista?

112. Como vai se dar a fabricação de livros pra todos num contexto anarquista?

113. Haverá meios de controle de qualidade de produtos em geral, sem um Estado para estabelecer padrões de qualidade e fiscalizar a produção?

114. Qual o destino da globalização num futuro de hegemonia anarquista? Ela será substituída por uma grande cosmópole onde todas as sociedades anarquistas estarão interligadas ou pela volta a um conjunto de sociedades pouco ligadas entre si, similar ao que existia na Antiguidade?

115. No gradiente entre a esquerda estatista não autoritária e a esquerda anarquista, como se dá a diminuição da importância e função do Estado? (na direita o gradiente de declínio do Estado é bem mais claro)

116. Como evitar que haja novas disputas entre direita (regressista, capitalista, apegada às tradições da modernidade) e esquerda (que vai lutar pra manter a ordem igualitária e desprovida de Estados) num futuro de hegemonia anarquista?

117. Como a ciência será conduzida num futuro anarquista?

118. Por que se divulga tão pouco as obras dos teóricos anarquistas contemporâneos? Visto de fora, fica parecendo que o anarquismo como ideologia continua se sustentando predominante ou exclusivamente nos autores clássicos, como Bakunin e Kropotkin.

119. Por que a divulgação do anarquismo como utopia possível parece tão pouca, dando a impressão de que não há pretensão de conquistar cada vez mais pessoas por conscientização e há desinteresse em conquistar a população ainda despolitizada e “masseada”?

120. Por que, pelo menos aparentemente, há tão poucos anarquistas e o movimento anarquista não se desenvolveu expansivamente tal como o socialismo marxista e o comunismo se desenvolveram nos séculos 19 e 20?

121. Como mostrar a um estatista de esquerda que o anarquismo é mais lógico que o socialismo estatista?

122. Ser anarquista hoje implica necessariamente ter um estilo de vida minimamente baseado nos princípios anarquistas, buscando-se diminuir ao máximo a submissão às autoridades e instituições públicas e privadas?

123. Eu simpatizo muito com o anarquismo e tenho ojeriza ao Estado enquanto instituição que manda no povo, protege as elites e o capitalismo e exige para si venerações sob a forma de civismo e patriotismo. Mas não tenho conseguido adotar um estilo de vida inspirado nos valores anarquistas – continuo desejando ganhar dinheiro a ponto de adquirir condições de vida de classe média, tenho desejo de ser professor de universidade pública, tenho medo de apanhar da polícia e ser preso ou multado e não tenho feito quase nada em termos de me rebelar contra o mando estatal. O que preciso fazer para poder enfim me declarar anarquista?

124. Como os anarquistas se posicionam em relação às demandas por transporte público que hoje só podem ser atendidas pelo investimento vindo do Estado em trens, ônibus e ciclovias?

125. Ser anarquista exige a leitura de livros de teoria do anarquismo? Se sim, como vai ser possível massificar o anarquismo numa sociedade em que o hábito de ler sociologia e política é tão restrito e tão pouco popularizado e quase inacessível (pelo preço dos livros e revistas) fora dos cursos universitários de ciências humanas?

126. O anarquismo tem algo a ver com a teoria comunitarista de justiça?

127. Em quê a leitura de manuais de Ciência Política pode ajudar a, por exemplo, criticar com mais força o Estado em sua essência?

128. Existe algum risco de a sociedade moderna sem Estado acabar voltando a dar lugar a antigas coesões coletivistas baseadas na coerção contra os indivíduos mais diferentes e na integridade da comunidade em detrimento das liberdades individuais, e isso pôr a perder as pretensões igualitárias do anarquismo e ameaçar ressuscitar um projeto de Estado?

129. Como o anarquismo prevê a ascensão e convivência dos pensamentos diferentes, incluindo aqueles apegados à tradição estatista e capitalista, e a prevenção do acirramento dos conflitos entre ideias diferentes e da consequente falência do projeto de sociedade igualitária e pacífica?

130. Como o anarquismo lida com a distinção sociológica entre público e massa? Ainda existirão massas em relação a temas sociopolíticos? Se não existirão, como será assegurado que todas as pessoas tenham uma consciência política madura e afinada com o anarquismo?

131. Um mundo anarquista ainda vai contar com transportes rápidos de longa distância, como aviões, trens e navios? Se sim, como vai construir ferrovias e rodovias, administrar frotas desses veículos e estações e terminais rodo/ferro/aquaviários e ter pessoas trabalhando neles?

132. Como o anarquismo encara a alta tecnologia? Algo necessário à humanidade, fruto de necessidades criadas pela sociedade capitalista industrial ou alguma terceira opção? Como encara a necessidade de computadores e da internet?

133. Como o ecoanarquismo encara a “superpopulação” humana global? Como pretende conciliar anarquismo, modelos sustentáveis de sociedade (incluindo simbiose entre a população humana e o ecossistema locais) e grandes populações humanas?

134. Como o anarquismo encara as grandes áreas urbanas, como a Grande São Paulo? Pretende conciliar a existência delas com os modelos anarquistas de sociedade? Se sim, como pretende gerenciar os serviços essenciais (água, luz, esgoto, telecom, transportes etc.)?

135. Como o anarquismo aborda o multiculturalismo? As sociedades anarquistas terão liberdade cultural? E o que se pretende que aconteça se as diferenças culturais dentro da sociedade implicarem, em algum momento, divergências políticas em que haja pessoas defendendo a volta do Estado e modelos culturais com hierarquias?

136. Como o anarquismo aborda a divisão de cursos superiores (universitários)? Emite algum juízo de valor sobre a separação do conhecimento em disciplinas distintas?

137. Quais os valores morais defendidos pelo anarcoprimitivismo?

138. Como o anarcoprimitismo encara o veganismo, que existe hoje graças à agricultura e à ciência da Nutrição?

139. O anarcoprimitivismo defende modelos paleolíticos,  neolíticos ou chalcolíticos de sociedade?

140. É verdade que as futuras anarcoecovilas correm um alto risco de serem atacadas pelas forças armadas ou pela polícia por caracterizarem territórios soberanos dentro do território do Estado brasileiro, ou seja, de virarem novas Canudos?

141. O ecoanarquismo prevê a abolição dos alimentos industrializados? Se sim, como ficará a obtenção de vitaminas B12 e D (esta nos casos de regiões de alta latitude) sem se recorrer a alimentos de origem animal?

142. O que os anarquistas não veganos acham da contradição de defender o fim da propriedade privada mas tratar os animais não humanos como propriedade?

143. Como o anarquismo pretende lidar com as religiões tradicionalistas conservadoras que possuem hierarquia, trazem preconceitos contra minorias em seus dogmas e têm a Deus como um duro “fiscal” moral, como o catolicismo, o pentecostalismo e o islamismo?

144. Como será possível impedir, ao longo das próximas gerações, que mais crianças e adolescentes sejam endoculturadas ao militarismo e ao anti-humanismo e se tornem militares, policiais, seguranças privados ou milicianos?

145. Como será possível a vitória dos anarquistas não pacifistas sobre militares (incluindo policiais) em eventuais batalhas contra o Estado, considerando o atual número reduzido de anarquistas no Brasil e a falta de perspectiva para a massificação da educação libertária mesmo a longo prazo (numa escala de anos e décadas)?

146. O que dizer da divergência entre anarcopacifistas e anarquistas adeptos da violência revolucionária?

147. Como mostrar à sociedade que um mundo ordeiro e sustentável sem Estado e sem hierarquias e desigualdades é possível?

148. Como convencer a sociedade que o reformismo não é o caminho? Como acabar com o preconceito contra o radicalismo e mostrar a falha do raciocínio falacioso de redução ao radical (recusar uma ideia, sem sequer estudá-la, por considerá-la “radical demais” perante as ideologias prevalecentes no momento histórico atual)?

149. Quais são os meios possíveis de se praticar e promover a luta anarquista rumo a um futuro igualitário sem Estados, autoridades, desigualdades e hierarquias?

150. Como o anarquismo encara o pensamento religioso antiestatista de o indivíduo considerar sua(s) divindade(s) como sua única autoridade? Ela pode ser considerada anarquista?

151. Que passos um indivíduo dá de um estado de apego à tradição de Estado liberal/socialdemocrata de representantes elegíveis ao anarquismo convicto?

152. Considerando que existem muitas vertentes anarquistas distintas (o “anarco”capitalismo não se inclui) e cada uma vislumbra um futuro utópico diferente, qual o sentido de sonhar com um futuro de harmonia, paz e consenso sem um Estado que teoricamente garanta a convivência ordeira entre adeptos de pensamentos diferentes?

153. Por que existe dificuldade de se abraçar todas as causas libertárias mesmo entre os próprios anarquistas? Qual o sentido da sociedade que os anarquistas portadores de preconceitos almejam, uma sociedade onde não haja Estado mas haja ainda hierarquias morais (como a cis-heteronormatividade, o etarismo e o capacitismo)?

154. O que mais faz sentido, acreditar na regeneração e conversão política de direitistas e burgueses à ética igualitária e anarquista ou guerrear contra eles, acreditando que “burguês conservador bom é burguês conservador morto”? E quanto aos militares (incluindo policiais)? Vale acreditar na possibilidade de civilizá-los ou é mais comum pensar em guerrear contra eles acreditando que “militar bom é militar morto”? Não seria um contrassenso acreditar nas segundas alternativas, já que caracteriza a versão reversa da frase “bandido bom é bandido morto”?

155. Como é/são a(s) concepção(ões) de família defendida(s) no anarquismo? O que o anarquismo questiona nos moldes atuais de família vigentes?

156. Não seria prudente considerar o anarcoprimitivismo uma espécie diferente de extrema-direita, ao invés de extrema-esquerda, já que ele é basicamente ultrarregressista  e inimigo de todo e qualquer progresso – mais do que mesmo os defensores da restauração aristocrática -, mesmo quando não é um progresso essencialmente econômico, e parece querer retroceder as sociedades modernas a uma situação em que a moral, comparada com hoje, era extremamente anacrônica?

157. Como assegurar que uma realidade anarquista será possível, mesmo com tamanha divergência de correntes dentro do anarquismo?

158. Como o anarquismo lida com a questão da diversidade étnica e religiosa?

159. Como se vislumbra a produção de desenhos animados, quadrinhos, programas televisivos etc. numa sociedade anarquista?

160. Já existem experiências de sociedades anarquistas em andamento no mundo? Se ainda não, como se pretende realizar as primeiras experiências? E como as sociedades-piloto anarquistas, caso já existam, pretendem reagir às eventuais invasões militares,  considerando-se que dificilmente um Estado vai tolerar uma sociedade que não se sujeite à soberania nacional?

161. Como lidar com a fácil corruptibilidade do ser humano, a qual abre o caminho para a restauração das hierarquias e do governo de uns sobre outros?

162. É verdade que todos no anarquismo serão obrigados a produzir seus próprios alimentos, roupas e demais objetos? Se sim, como as pessoas vão ter tempo livre suficiente pra fazerem o que gostam? E caso seja verdade, isso não se contradiz com a existência de indústrias autogestionadas? E quanto a produtos que demandam diversas etapas de produção e a empregação de dezenas, centenas ou milhares de pessoas?

163. Se houver a obrigação de cada pessoa produzir o que for consumir/usar, como haverá segurança alimentar, de modo que todos tenham acesso a todos os nutrientes?

164. Prevalecendo a mesma hipótese, como a produção industrial, mesmo autogerida, continuará viável?

165. Haverá agricultura de larga escala em sociedades anarquistas, com propriedade coletiva sobre plantações extensas?

166. Existirão pecuária e pesca num mundo anarquista?

167. Fala-se bastante “contra o trabalho” no anarquismo. O que esse discurso realmente quer dizer?

168. Haverá espaço para turismo e viagens num mundo anarquista?

169. Um mundo anarquista será livre de guerras? Se sim, o que viabilizará a paz perpétua e global e impedirá guerras entre sociedades anarquistas?

170. Como se assegurar que, depois da abolição do capitalismo e do Estado, nunca mais a violência contra opressores será necessária de novo?

171. Como funciona a adaptação da sociedade a cada indivíduo no anarquismo?

172. A que tipos e espécies de regras o princípio de quebrar regras se aplica?

173. Por que existem anarquistas machistas, especistas, transfóbicos, capacitistas etc.? Isso não atenta contra o ideal anarquista? Gente desse tipo devem ser consideradas não anarquistas, já que praticam e/ou mesmo defendem certas hierarquias morais?

174. Como propagar o anarquismo em meios conservadores, como igrejas católicas ou pentecostais e o meio rural, ainda mais considerando a provável rejeição das pessoas desse meio a ideias radicais de esquerda?

175. Existem núcleos anarquistas rurais em algum país?

176. Como conciliar o ideal universalista do anarquismo com o relativismo e diversidade culturais ao redor do mundo?

177. E se a diversidade abranger culturas bem diferentes das urbanidades euro-americanas e que deem muito valor a formas de governo de uns sobre outros e hierarquias políticas?

178. Existirão restaurantes, lanchonetes, pizzarias etc. em sociedades anarquistas? E bares?

179. Como o anarquismo encara o uso de drogas leves, como álcool e o cigarro de tabaco? E as drogas pesadas?

180. O que os anarquistas propõem para o conserto ou mitigação dos estragos ambientais causados pelas empresas e latifúndios capitalistas?

181. Como as sociedades anarquistas conseguirão recuperar solos e ecossistemas degradados pelo capitalismo?

182. Existe a categorização de bem e mal no anarquismo?

183. O triunfo do anarquismo sobre o sistema capital-estatista será o fim da História?

184. Como são as correntes historiográficas, filosóficas, sociológicas, antropológicas e humano-geográficas anarquistas?

185. Qual o futuro da arquitetura, do urbanismo e do paisagismo depois do triunfo definitivo do anarquismo?

186. Ainda existirão gêneros nas sociedades anarquistas? Se não, qual será o destino das pessoas transgêneras “não não binárias”, que ainda manifestam identidade de gênero?

187. As ciências humanas ainda serão necessárias depois do triunfo do anarquismo? E as ciências exatas e as naturais?

188. Qual o futuro das pesquisas científicas humanas, exatas e naturais no anarquismo?

189. Qual o destino, por exemplo, das rodovias e ferrovias hoje existentes (e das que serão construídas no futuro antes da extinção dos Estados) depois da extinção do capitalismo e do Estado?

190. Há correntes anarquistas que defendem o assassinato de governantes e empresários poderosos? O que diferencia essas prováveis correntes dos bolcheviques que mataram a família real russa em 1917?

191. Como encarar que provavelmente a civilização ocidental deixará de existir depois do triunfo do anarquismo, dando lugar a novas etnicidades? Seria essa sobreposição comparável à diferenciação entre gauleses e franceses?

192. Como conciliar os interesses de pessoas anarquistas que, por exemplo, são veganas, ambientalistas, agroecologistas, antiurbanistas, transfeministas etc. com pessoas também anarquistas mas não veganas, pró-urbanas e não tão defensoras do meio ambiente?

193. Como conciliar anarquistas civilizacionistas e anarcoprimitivistas?

194. Como as ciências humanas, em especial as três ciências sociais (sociologia, antropologia e ciência política) e a filosofia, veem e tratam o anarquismo hoje?

195. Como vai ser realizado o serviço de limpeza pública em sociedades anarquistas?

196. Como os serviços essenciais, como saúde e transporte público, serão realizados sem Estado e empresas privadas?

197. Como as empresas autogeridas vão se sustentar numa sociedade anarquista? Aliás, continuarão existindo empresas, mesmo autogeridas?

198. Qual a posição do anarcoprimitivismo sobre os direitos humanos e os direitos animais? Haverá espaço para se assegurar esses direitos?

199. O que o anarcoprimitivismo fala sobre a saúde humana e a medicina?

200. Que espaço a criatividade terá numa sociedade anarquista?

201. Qual o destino das engenharias em geral num mundo anarquista?

202. Como terão espaço as diversas inteligências múltiplas dos seres humanos (ver a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner) numa sociedade anarquista?

203. Como os artistas irão se sustentar numa sociedade anarquista?

204. Como as pessoas poderão se proteger, num mundo anarquista, de charlatanismos e pseudociências perigosas?

205. Como se desenvolveriam as descobertas científicas e as invenções tecnológicas num mundo anarquista?

206. Qual o futuro da diversidade linguística num mundo anarquista?

207. Qual(is) a(s) garantia(s) de que um mundo anarquista será realmente livre de opressões como o machismo, o especismo, o racismo, o heterossexismo e a transfobia, e de que não haverá novas formas de hierarquizar os seres humanos e os não humanos?

208. Num mundo anarquista, passaria a existir o “bom conservadorismo”, já que a ordem vigente já seria o ideal anarquista realizado?

209. Por que tantxs anarquistas não defendem, ou mesmo desconhecem, o anarquismo intersecional? Sem o espírito da intersecionalidade, como podemos ter a convicção de que o anarquismo é o futuro ideal para a humanidade, se ele falha em derrubar grande parte das hierarquias morais e sociais existentes (de gênero, de espécie, de idade, de capacitismo etc.)?

210. Teoricamente os anarquistas que realizarem experiências de anarcovilas rurais serão intimidados pelo Estado a pagar pelo menos o imposto territorial rural e, na recusa de pagá-lo, serão alvo de ações policiais que pretenderão confiscar a propriedade coletiva rural dos anarquistas envolvidos na experiência. Como se lidaria com esse tipo de ação repressiva do Estado?

211. Como seria possível que pessoas de diferentes vivências, experiências e personalidades fossem, num contexto de hegemonia anarquista, educadas a pensar parecido ideologicamente e nunca aderir a antigos pensamentos políticos de direita e/ou estatistas?

212. Caso grandes obras de infraestrutura continuem sendo construídas num mundo anarquista, como se dará a divisão do trabalho, considerando-se a pouca probabilidade de compatibilizar o labor estritamente dividido de grandes construções com a visão de mundo anarquista?

213. Sem conhecimentos técnicos especializados e levando-se em conta a baixíssima probabilidade de a maioria das pessoas de um mundo anarquista se tornar polímata (dotada de conhecimentos robustos de muitas áreas de conhecimento ao mesmo tempo), como seriam realizadas grandes obras, caso o anarquismo não implique necessariamente a ruralização e simplificação tecnológica da civilização humana?

214. As ações anarcoprimitivistas contra a civilização (exceto contra órgãos militares e policiais) não seriam uma imposição autoritária de sua visão de mundo ao restante da sociedade?

215. Como mostrar à sociedade que o mundo “ideal” imaginado pelos anarcoprimitivistas não é uma distopia sobrevivencialista e violenta na qual quase não haverá paz, segurança e qualidade de vida?

216. Qual o destino do jornalismo num mundo anarquista?

217. Qual o destino dos meios de comunicação em geral num mundo anarquista?

218. Como o anarquismo lida com a imperfeição humana? Como ele pretende driblar isso, que pode ser um obstáculo perigoso para o êxito de uma sociedade sem Estado?

219. Como o anarquismo vê as diferenças de personalidade, de talento, de habilidade, de temperamento, de experiências socializatórias etc. entre os seres humanos?

220. Como os anarquistas lidam com crianças com dificuldades de socialização, ou que, por algum motivo, têm pouco ou nenhum interesse de fazer amizades?

221. Existirá transporte coletivo numa sociedade anarquista? Se sim, a existência de motoristas, pilotos e tripulação, controladores do sistema de transporte, comissários de bordo, equipes de manutenção, engenheiros de transporte etc. não irá se contradizer com o corte do anarquismo com a divisão do trabalho?

222. Qual a garantia de que todo e qualquer trabalho nas futuras sociedades anarquistas será flexível em carga horária e não vai roubar a saúde e as liberdades do indivíduo?

223. Como o patrimônio público passará a ser administrado (construção, manutenção, expansão, reforma etc.) depois da abolição dos Estados?

224. Qual o destino de hospitais religiosos de beneficência num futuro de hegemonia anarquista?

225. O que o anarquismo pensa das ecovilas?

226. Como o anarquismo pretende transformar os modelos urbanos tradicionais existentes hoje? Existe alguma pretensão de, por exemplo, demolir espaços urbanos marcados por refletir um modelo social individualista e reconstruí-los de acordo com uma ideologia mais coletivizada e cooperativista?

227. A oposição anarquista ao Estado se justifica pela teoria marxista de que ele é basicamente um aparelho de dominação burguesa e repressão contra movimentos socais de luta de classe? Ou há uma questão ética mais profunda nessa oposição? Ou as duas coisas?

228. Qual a posição do anarquismo sobre a obra de Marx? É verdade que muitos anarquistas discordam da teoria marxiana?

229. Onde é possível comprar (ou receber por doação) livros sobre anarquismo – teoria anarquista, educação libertária, ética anarquista etc.? Há fácil acesso a essa literatura em qualquer cidade brasileira?

230. Como os anarquistas atuam na zona rural brasileira?

231. Quais os planos dos anarquistas brasileiros para atuação libertária na zona rural?

232. Existe algum meio de, por exemplo, anarquistas infiltrados sabotarem grandes corporações e latifúndios de modo a inviabilizar a continuidade de sua existência e funcionamento?

233. Como os Antifas vêm agindo em relação ao crescimento da direita autoritária brasileira, de caráter protofascista e inspirada em nomes como Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro, institutos intelectuais como Mises Brasil e Millennium e líderes evangélicos fundamentalistas?

234. Quais as principais divergências entre comunistas e anarquistas?

235. Por que a direita autoritária brasileira tem dado tanta atenção ao comunismo – mesmo décadas depois do colapso da grande maioria das experiências governamentais socialistas que teoricamente deveriam preparar o terreno para a implantação do comunismo mas falharam nisso -, mas virtualmente nenhuma ao anarquismo?

236. Quais as perspectivas de crescimento do anarquismo a curto, médio e longo prazo? É possível o anarquismo crescer, digamos, nas próximas três décadas até o ponto de se configurar uma notável ameaça à ordem vigente, ou as perspectivas daqui para lá ainda são de crescimento relativamente lento e tímido?

237. Como os anarquistas têm atuado nos protestos que têm acontecido no Brasil, de porte pequeno a grande, desde junho de 2013?

238. Como o princípio “A sociedade vai se adaptar ao indivíduo, e não o indivíduo à sociedade” se aplicaria a duas pessoas que têm opiniões muito diferentes, opostas até, sobre algo – por exemplo, se é melhor usar drogas com fins recreativos regularmente ou ter uma atitude de “respeito” ao próprio corpo com abstenção de qualquer droga de finalidade não medicinal; se é melhor e mais prioritário investir no indivíduo para favorecer a coletividade ou investir na coletividade para beneficiar os indivíduos; e se é preferível ter um estilo de vida “zen” e calmo ou um agitado de muitas baladas?

239. Como o anarquismo vê as transformações das funções do Estado, que, ao longo do século 20, deixou de ser exclusivamente um aparelho armado a serviço da burguesia e passou a ser também sujeito de políticas públicas, garantidor de muitos direitos e administrador de bens públicos?

240. O modelo de cidade grande (metrópoles, capitais, downtown) hoje prevalecente é atrelado ao sistema capitalista e estatista ou existiria num contexto não capitalista? Existe alguma perspectiva de como reaproveitar a infraestrutura existente num eventual triunfo anarquista?

241. Como o anarquismo vai garantir que, depois do seu triunfo, haja a abolição de todo e qualquer parâmetro de estratificação social, ao invés da simples substituição do dinheiro e de outras propriedades privadas por outro parâmetro cuja abundância ou carência determine que algumas pessoas tenham mais prestígio e poder do que outras?

242. Os anarquistas têm alguma pretensão de remover do poder ruralistas, teocratas, militares e qualquer outra pessoa que leve às últimas consequências o caráter opressor do Estado? Ou os objetivos de curto ou médio prazo dos anarquistas são ainda maiores do que fazer isso?

243. Existirá jornalismo num mundo anarquista?

244. Existe a perspectiva de o anarquismo triunfar no mundo inteiro? Se sim, como os anarquistas pretendem lidar com aquelas culturas nativas/indígenas cujos valores e crenças sejam essencialmente hierarquistas?

imagrs

20 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Letícia Souza

outubro 3 2016 Responder

Olá! As suas perguntas me ajudaram muito! E se você, ou alguém que entenda mais do assunto, puder conversar comigo, desde já agradeço!! Estudo na Etec de Francisco Morato, e meu professor de Filosofia organizou um tribunal, e meu grupo está defendendo a Anarquia perante a democracia. Sei que a democracia é falha (e muito) porém preciso de argumentos plausíveis para não cometer falácia no dia. Quero defender a anarquia, sem falar baboseiras e me utilizar de argumentos redundantes… Quem puder me ajudar, eis meu e-mail: leticiasouza.s@outlook.com . Espero pela ajuda de algum de vocês…

    Robson Fernando de Souza

    outubro 4 2016 Responder

    Olá, Letícia =) Fico feliz que as perguntas tenham ajudado você. Mas infelizmente não consegui respostas a nenhuma delas. Abs

Max

junho 16 2016 Responder

o que o anarquismo protege ?

Leonardo Gusmão

maio 25 2016 Responder

Olá, essas perguntas mostram que você passou por alguns conflitos de você para você, e quando os homens fazem isso encontram perguntas que os leva a dois sentimentos em relação a vida…A que te da força pra seguir tendo sempre como base alguns principios que aprimoraram o seu caráter, saberá que existirão obstáculos e sucederão tragédias e apesar do cansaço não desistirá já que essa convicção te aproximará de pessoas que te darão apoio, mesmo que sejá uma só ou mesmo que estejam distantes. Seu maior objetivo será a harmonia entre os homens.
O outro sentimento se resume a uma palavra : VAZIO…você se torna indiferente…,não que você se torne um homem mal,é capaz de salvar uma pessoa arriscando sua vida se for preciso…mas não se importa com aqueles que não esteja vendo…não se importa mais com o resultado das escolhas erradas, você apenas se isola e vê o circo pegar fogo.Dependendo da sua personalidade você deixa isso bem claro ou se cala para não magoar aqueles que querem o seu bem…afinal eles estão cegos acreditando que a forma como vivem agora durará para sempre.Pois tenha certeza…ela não vai!

Veja bem, quero te mostrar que uma mudança real não está em formulas, receitas, numeros,Deus ou Ciência…está dentro de nós, na maneira como escolhemos viver e a coragem para nos mantermos firmes mesmo diante do medo.

newton

junho 10 2015 Responder

Ei joww… se vc quer ser anarquista, que tal começar por ser realista: nem o brasil, nem o mundo vai ser anarquista na nossa geração. isso é um processo meio longo cara. e a meu ver o anarquismo verdadeiro não pode conquistar ninguem com outras leis e outras formas invasivas q ja conhecemos. a idéia e se isolar, se negar a viver, pelo menos o maximo que consseguissemos, igual ao resto dos imperialistas. as unicas regras que vejo numa sociedade anarquista , seria as punitivas, no caso de violação da vida, de direitos basicos, que são comuns a todos. pq não juntamos nossos trocados e vamos pra uma cidade do interior? com todos anarquistas e simpatizantes, poderiamos comprar muita terra, e formar nossa comunidade,teriamos que cumprir ainda algumas leis, mas com empenho e coperação de todos, aos poucos poderiamos fazer mudanças tão significativas, a ponto de atrair outras pessoas. gosto sempre de lembraR o exemplo de Gandhi: ele conseguiu a independencia de um país inteiro apenas cruzando os braços.,ah e com certeza seria muito importante divulgar essa ideia de modo um pouco mais pessoal. acho que promover campanhas de educação de forma abrangente e sistematica como fazem algumas religiões, levaria a porta de cada pessoa em todos os bairros de uma cidade, mostraria de maneira mais clara, que o anarquismo é bem diferente daquilo que estao acostumados a ouvir.
abraço!

Haroldo

maio 6 2015 Responder

Pois eu me declaro 100% anarquista. Ser anarquista não é um padrão definido de antemão. é acreditar que o que está posto e imposto pode ser diferente respeitando as diferenças e individualidades. Ser anarquista, graças a Deus, é ser utópico, acreditar na construção de um mundo melhor para se viver. Como fazer isso, promover essa mudança? Aos poucos, apoiando causas coletivas. Como a fábula do beija-flor que ajuda a apagar o incêndio em uma floresta, fazendo a sua parte. Não há respostas prontas para suas questões, pois questões sobre o futuro sempre existiram. O que posso dizer é: contribua para derrubar governos tirânicos. Aposte na coletividade. Não seja opressor, nem oprimido. Seja um anarquista.

tantofaz

julho 9 2014 Responder

a grande maioria das suas perguntas demonstra que você pretende que exista um mundo tão ‘estável’ ou mais estável do que o atual, isso inclui todas as nossas facilidaedes, como poder comprar comida no mercado, água quente, internet e elevadores. então, pra maioria das suas questões a resposta seria “depende”. depende do tipo de anarquismo, do anarcoprimitivismo, anarcoindividualismo, anarquismo ontológico ou neoanarquismo etc.

negar o aparato tecnológico talvez não pareça interessante a essa altura do campeonato, mas administrar esse aparato sem um modelo corporativo ou estadista também não soa muito promissor. em uma mudança repentina de panorama como voce propoe na primeira pergunta certamente seríamos escravizados pelas corporações, que exerceriam seu ‘livre arbítrio’ para nos oprimir (como se fosse muito diferente do que acontece hoje).

a ideia de coletividade precisaria surgir com muita força, mas não em um sentido religioso ou utópico, mas em uma consciencia da coletividade com fins de sobrevivencia. por exemplo, o agricultor que tem um filho que adora desenhos precisa considerar que os responsáveis pela criação do desenho também precisam comer, então para que ele possa criar esses desenhos que alegram seu filho e, consequentemente a ele mesmo, ele precisaria contribuir para aquilo espontaneamente, complexo demais para o modelo industrial de especialização única que vivemos. o conceito de metrópole também precisaria ser repensado e a densidade demográfica precisaria ser reduzida.
uma fuga desse modelo é proposta no livro ‘o fetiche da tecnologia’ onde, resumindo muito, relatam-se experiencia de fábricas recuperadas, onde o povo se apropriou do aparato tecnológico para benefício próprio, que é diferente de uma estatização de multinacionais, como fez hugo chavez. talvez nesse modelo de recuperação tudo pudesse ser ‘recuperado’ desde agricultura até o maior avanço hi-tech de entrenimento.

existe um modelo de escola anarquista, em portugal, escola da ponte é o nome.

apesar dessas soluções, talvez você esteja cometendo um equívoco ao acreditar que esses modelos podem funcionar em escala macro, por isso julgo que a maioria das suas perguntas são um tanto inocentes, já que você está pensando no modelo industrial imposto. esses conceitos são mais plausíveis em escala micro.

Alexandre

novembro 23 2013 Responder

Robson,
Você já tentou fazer essas perguntas em algum site anarquista gringo? Eu acredito que exista muito mais conteúdo pró-anarquismo em blogs e fóruns de língua inglesa, o que facilitaria a obtenção de respostas para as suas perguntas.
Caso você não tenha interesse ou por acaso não consiga traduzir, eu poderia tentar fazê-lo.

Abraço!

    Robson Fernando de Souza

    novembro 24 2013 Responder

    Oi, Alexandre. Ainda não tentei, e agora já tem conteúdo demais pra eu traduzir =/ Agradeço se você puder traduzir =) Abs

      Alexandre

      novembro 24 2013 Responder

      Fiquei empolgado com as suas dúvidas, já que eu mesmo compartilho algumas delas. Embora não tenha muito tempo pra traduzir, já dei início ao projeto e espero terminá-lo até o final do ano. :D

        Robson Fernando de Souza

        novembro 24 2013 Responder

        Massa, valeu =)

Tangobalango

outubro 10 2012 Responder

parei na questao 50 agora e ate entao…

questao 29:
creio que se passamos a uma outra sociabilidade, o desenvolvimento tecnologico surja por necessidades, ex, algo que faça um deficiente se locomover melhor, produtos que atingiam o minimo a terra…
e nao por interesses financeiros.

questao 47:
Lembrete,
Mesmo que o anarquismo em seus princípios tenha surgido como um pensamento para relações humanas, não podemos excluir de fato nenhum que o tratamento para os animais não humanos passa por uma ideia de dominação, exploração de outro ser sencientes e de interesses próprios.
mesmo que seja na forma de caçar, o que também não representaria uma cadeia alimentar, visto o desenvolvimento humano e de suas tecnologias.

questao 50.

no que o brother murray fala, eu trocaria o humanismo por uma questao que lembre mais o biocentrismo.

Tangobalango

outubro 8 2012 Responder

ate agora so li ate a 25 e dessas discordo em 2 posiçoes, a 13 e a 24:

13. Haveria algum sistema de comércio, com ou sem dinheiro, nas sociedades anarquistas? Há viabilidade de o escambo ser um meio permanente de troca de objetos?

Temos os Exemplos, como Em alguns lugares durante a guerra civil espanhola o dinheiro foi totalmente removido, a ser substituído por vales. E ali Para os anarco-comunistas, a livre associação só se torna possível mediante a abolição do dinheiro e do mercado, juntamente com a supressão do Estado.
Do mesmo modo que não haverá mais essa forma abstrata da atividade humana que se chama “trabalho”, mas sim uma multiplicidade de manifestações humanas sigulares, também os produtos dessas múltiplas atividades não mais poderão assumir a forma abstrata que os torna equivalentes entre si que se chama “mercadoria” (por exemplo, não fará mais sentido abstrair uma caixa de fósforos e uma banana e dizer que uma caixa de fósforos é equivalente a dez bananas, isto é o dinheiro desapareceria) porque cada produto, ao ser produzido pelos indivíduos em livre associação com outros, também será singular, e a quantidade de sacrifício, de esforço, de trabalho para produzi-lo (base quantitativa que dá à mercadoria seu valor de troca e dirige e constrange toda atividade na sociedade capitalista como meio de aumentar incessantemente o valor de troca, o lucro) não motivará ninguém a produzir algo, mas sim sua utilidade, necessidade, prazer e autorrealização (o esforço sendo apenas um aspecto entre outros, nunca o aspecto determinante da motivação).

24. Como lidar com o problema do abuso e comercialização/doação de drogas pesadas (cocaína, crack, heroína etc.) e com as consequências do abuso de álcool numa sociedade anarquista, que provavelmente não conseguiria abolir o uso de drogas entorpecentes e alteradoras do estado psicológico/psiquiátrico?

Sobre AS consequências do uso de álcool já houve um exemplo que foi mais ou menos assim: se alguém embriagado destrui-se a casa de outro, então ele teria que conserta-la, se chegasse ao ponto de matar alguém sobre efeito de alguma substância, essa pessoa teria que sustentar as crianças e a família da pessoa falecida, não sei se isso seria a melhor forma, mas lembro dessa questão.
acho que teria que se estudar os casos, pois muitos podem usar alguma substancia de forma mais libertaria, como uma expansão dos sentidos, etc. e outros podem usar de formas que podem chegar a esses casos, mas também devemos lembrar que a forma que muitos se portam quando estão sobre efeito do álcool msm, eh por causa do meio onde esta inserido, em cotidianos violentos, e isso reflete no seu estado no momento de embriaguez.

e sobre a questao,
12. Como o anarquismo lida com as propriedades domésticas (ex.: computadores pessoais, móveis, colchões, casas, carros, bicicletas, eletrodomésticos, roupas, álbuns musicais, DVDs etc.)?

poderiamos pensar que temos coisas bem distintas aqui que deveriam ser melhor pensadas os seus usos, por ex, um PC pode servir para estudos, comunicaçao e msm a diversao, algo poderiamos pensar, pois a sociedade começar a coletivizar sus bens, que tds tenham PCs em casa para utilzar para esses fins por ex, porem, o uso para crianças deve ser acompanhado para elxs nao trocarem suas vidas reais pelas virtuais e por causa tb dos males que podem causar, como problemas na vista. porem msm que cause males, ainda eh muito diferente do carro, que com certeza causara, vamos lembrar que msm que acabassem tds as mortes no transito, ainda teriamos o grande problema de poluiçao, que por ex hj em dia mata cerca de 8000 pessoas em SP tds os anos devido a problemas de respiraçao adquiridos ao estado que essa cidade vive, entao acho que isso nao deveria ser uma posse para ngm, que tranportes em carros deveriam no maximo servir a doentes, idosos, crianças, gestantes e deficientes, mas vamos lembrar tb que as cidades hj se encontram em tais estados, se dividindo, as distancias aumentando, etc. por causa dos carros. emtao o que deveria ser feito, nesse caso eh garantir tranportes melhores para tds,nao o carro, lembrando tb que se socializamos tds os bens, seria mais facil a aquisiçao de carros, entao poderia ser que tds quisessem te-lo e como ainda teriamos um tanto da sociedade que viviamos antes, entao muitos poderiam querer te-lo.

e sobre a questao 100
100. Como se lida, no anarquismo, com divergências pedagógicas nas escolas? E se essas divergências forem tamanhas a ponto de inspirarem o ensino de ideologias diferentes?
R: É quase um consenso o ato de evitar ideologias, e permitir o desenvolvimento das crianças da forma que quiserem caminhar.

discordo na que se a resposta for para a atual sociedade, ao deixar a criança livre para o seu desenvolvimento e apenas, ela pode mais facilmente se desenvolver criando valores capitalistas e opressores, pois o mundo ainda passa esses valores, entao, acho que deve-se educar uma criança nao sendo autoritario a ponto de privar ela de se espojar no chao, brincar com o que quiser, dizer que isso ou aquilo nao eh que eh o comportamento certo a se tomar,mas que deveriamos ensina-la um certo caminho a tomar e a partir de quando ela for crescendo deixar cada vez mais livre o seu aprendizado.

Arthur

outubro 7 2012 Responder

Tentei responder da melhor forma possível…não é uma resposta definitiva, mas acho que é alguma coisa :)

http://anarcaipira.blogspot.com.br/2012/10/100-respostas-sobre-o-anarquismo.html

    Robson Fernando de Souza

    outubro 7 2012 Responder

    Valeu, Arthur, vou ler logo logo. Abração

Ernesto von Rückert

outubro 6 2012 Responder

Compartilho de muitas ideias que você defende e pretendo responder, uma por uma, suas dúvidas a respeito do anarquismo, postadas em seu blog Consciência. Pedi para ser seu amigo no Facebook, mas ele me pôs de castigo por eu ter pedido amizade a quem não conheço. Peço que visite meu pefil e meu site http://www.ruckert.pro.br, onde há links para meus blogs e outras comunidades de que participo. Recomendo, especialmente, que veja meu Formspring (em “Pergunte-me”). Se achar válido, queria que solicitasse minha amizade no Facebook, para que eu possa aceitá-la, já que estou impedido de pedir.

M.Eduardo

outubro 6 2012 Responder

Um post muito interessante e muito rico em ideias, nem tenho a pretensão de querer responder a qualquer das perguntas. Mas o que fica claro é que existem muitas concepções de anarquismo. Eu entendo que um dos pontos mais críticos é a discussão do anarquismo e da propriedade privada. Não consigo conceber um mundo muito diferente do atual, em que as pessoas possam e queiram ter suas coisas, ainda que não sejam completamente suas, daí entender que buscar uma função social da propriedade seja um caminho válido e viável.

Entendo mais o anarquismo do ponto de vista dos direitos e deveres, das pessoas participarem e construírem a sua comunidade. Porém, sabemos muito bem que as pessoas tem aptidões e interesses diferentes, então é mais razoável acreditar numa sociedade colaborativa, em que cada um, com suas individualidades e diferenças, contribua voluntariamente para o bem comum, na medida em que também contribua para o próprio bem.

Ou seja, é difícil pensar em um sistema viável e sustentável que não busque a conciliação entre dois pontos: felicidade e bem comum. A dificuldade maior é que muitas vezes os dois objetivos entram em conflito, e não é preciso ser gênio para saber qual as pessoas irão preferir.

Com base na observação de experiências históricas e teorias filosóficas posso concluir que são condições essenciais para o êxito de uma experiência social ao menos dois elementos: vontade e consenso. Experiências anarquistas foram possíveis em comunidades pequenas, porque isso derivou da adesão voluntária, consciente, comprometida com os propósitos do grupo. Tenho sérias dificuldades em imaginar como isso poderia se realizar em grande escala, considero isso mesmo praticamente impossível.

Às vezes chego a me definir como um hobbesiano anarquista, uma situação paradoxal na qual admito e julgo necessária a existência de um Estado mas na qual contesto a idéia de um governo nas mãos de uma elite política, de um poder que não esteja na mão do próprio povo.

Diante de todas essas dificuldades, ainda entendo que a democracia seja o menos pior dos sistemas, uma vez que pode ser baseada na vontade e no consenso, na construção de consensos e na mediação de conflitos. A democracia abarca em si a noção de pluralidade, uma condição que torna viável inclusive a realização de experiências socialistas ou anarquistas, que não vão afetar a sociedade como um todo, mas apenas os seus integrantes.

O problema é que não temos ainda uma democracia, mas uma protodemocracia ou uma pseudodemocracia, que funciona mais como uma plutocracia, onde os políticos agem no próprio interesse e daqueles que os apoiam, onde aquele que deveria ter o verdadeiro poder, que é o cidadão, não o exerce, por diversos problemas: educação precária, falta de consciência social e política, preocupação com a própria sobrevivência, comodismo e conformismo.

Creio que mais importante que discutir o sistema político é entender que a maior riqueza de um país não está no que ele produz, mas quem ele produz: é o cidadão. Pela qualidade das nossas pessoas, seja a educação, formação, consciência, atitude, tolerância, respeito, valores, teremos tijolos sólidos para construir uma sociedade próspera e feliz. Sem isso não teremos mais que um castelo de areia, seja qual o nome político que a isso se dê.

Jesiel

outubro 6 2012 Responder

Muito interessante o post. Queria dividir alguns pensamentos meus sobre o tema apenas complementado as questões expostas.

Pensando sobre modelos anarquistas que preveem regras em mini-sociedades, que decidiram essas regras através da democracia direta, eu vejo um problema; cada mini-sociedade iria criar modelos baseados na geografia do lugar onde vivem, seu passado, sua cultura, etc. Naturalmente, quem não estivesse satisfeito com as decisões da maioria de uma sociedade iria tentar se mudar e procurar algum núcleo social que possuísse valores próximos aos seus, pessoais. Então, no final, teríamos mini-sociedades cada vez mais homogêneas e com tendência a exclusão de outras ideias. Por exemplo, uma sociedade anarquista em que a maioria decida por continuar o consumo de carne (seja por caça em que o animal não seria uma propriedade e viveria livremente, seja por qualquer outro método) acabaria fazendo que membros veganos procurassem uma sociedade assim pra morar e acabariam se “isolando”. Acho que você resumiu essa problemática na questão 77.

Eu fui um editor muito ativo da Wikipédia por uns dois anos (agora estou no Wikcionário, bem mais vazio). A Wikipédia é uma experiência anarquista em seu modelo de decisões, lá as discussões tentam sempre buscar o consenso e só em último caso abrir uma votação. Porém, pra um editor comum começar a participar das decisões ele tem que ter um apreço grande por ler a longa documentação interna, ter facilidade de expressar suas ideias e ter o equilíbrio de saber defende-las ad infinitum sem se estressar. Cada novo debate que é aberto traz textos enormes de vários editores, muitos textos pra ler e diversas argumentos pra refutar. Enfim, uma pessoa que não tenha, naturalmente, facilidade em se expressar e discutir acaba não tendo como fazer valer sua opinião (a menos que encontre alguém com facilidade de se expressar que a apoie). Penso que o mesmo poderia acontecer em sociedades anarquistas, nas quais as pessoas iriam propor suas regras; mesmo que a pessoa tivesse uma boa ideia, ela não teria voz se não tivesse algumas características naturais.

As questões que, pessoalmente me afetam mais, são: como um Estado grande como o Brasil, ao se tornar anarquista, continuaria interagindo entre si internamente e se auxiliaria em caso de uma tentativa de invasão estrangeira? Poderia um Estado, sozinho, se tornar anarquista em meio a um mundo totalmente capitalista? Essa ação não seria vista como uma má influência por potências capitalistas (assim como o surgimento de Estados comunistas foram) que tentariam intervir com força pra tentar fazer o Estado ressurgir? Acho que você resumiu elas nas questões 5 e 20.

Eu discordo da sua visão na questão 18. Eu acho que o anarquismo hoje vem sendo muito divulgado, seja pelo cinema (como o filme V de Vingança e o último do Batman), seja por bandas (sobretudo punks), seja por grupos como os Anônimos, seja por quadrinhos e até mesmo em animações japonesas (onde eu, particularmente, tive meu primeiro contato com a ideologia). O problema, ao meu ver, é que o anarquismo tem muitas vertentes, contando com as do anarquismo tradicional (que já são muitas) e as do neoanarquismo. Então, as divulgações do anarquismo acabam sendo superficiais.

Por último, quero deixar uma sugestão de post. Eu não me lembro onde vi esse post divulgado, pode até ser que vi aqui, se for o caso peço perdão antecipadamente.

http://www.outraspalavras.net/2012/07/13/as-cidades-rebeldes-de-david-harvey/

vinícius h

outubro 5 2012 Responder

Interessantíssimo. Isso me fez pensar bastante na minha posição anarquista. Também não me declaro 100% anarquista pois tenho muitas dúvidas. É um assunto bem vago e pouco discutido.
Mas eu encontrei a resposta para umas 20 dessas perguntas nos documentários “Zeitgeist II Addendum” e “Zeitgeist III Moving Forward”. Eles demonstram uma forma de economia sem governos e sem nenhum tipo de dinheiro.
A resposta do movimento Zeitgeist para os problemas sociais como roubos é excluir benefícios que levem a essa atitude. Se todos tivessem o que precisassem, não haveria roubo.

http://www.youtube.com/watch?v=EewGMBOB4Gg
http://www.youtube.com/watch?v=4Z9WVZddH9w

Eu particularmente tenho um pouco de medo do movimento Zeitgeist, parece muito fácil para eles implantarem uma ditadura depois que os governos cairem. Acho que o melhor mesmo é pegarmos as ideias ótimas do Movimento Zeitgeist e de Jaques Fresco, o gênio por trás do “Resource Based System”, e usá-las nós mesmos em futuras micro sociedades anarquistas.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo