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maio14

Cavalaria vs. indígenas: quando a História parece não ter mudado em nada
Cenas do século 16 se repetem no 21: opressores a cavalo enfrentam indígenas

Cenas do século 16 se repetem no 21: opressores a cavalo enfrentam indígenas

Karl Marx dizia que “a história se repete: na primeira vez como tragédia, na segunda como farsa”. E nisso foi muito emblemática a batalha entre indígenas e policiais em Brasília no último dia 27. Foi literalmente o cumprimento da frase de Marx, no qual as tragédias das guerras entre europeus montados em cavalos e nativos a pé de outros continentes se repetiram na farsa do Brasil “democrático”, “constitucional” e “amparado pelos Direitos Humanos”. Novamente uma força militar destruidora vinha na intenção de se impor na base da força sobre povos invadidos, colonizados, dominados, para assegurar os interesses da classe mais poderosa da cultura dos agressores.

A cena aqui retratada foi a repressão militar contra os indígenas em Brasília, que protestavam contra a política pró-ruralista e anti-indígena do governo Dilma e se juntaram aos manifestantes negros e brancos que, por sua vez, bradavam contra a Copa do Mundo e o despotismo da Fifa e dos governos que a apoiam. As três raças se uniram num só protesto, num simbólico levante do povo contra aqueles que lhes impõem uma dominação assassina. Tanto os indígenas, assolados pelos ruralistas e seus capangas, como os não indígenas, revoltados contra os tantos desmandos da Fifa e dos governos federal, estaduais e municipais, se levantavam contra a imposição dos interesses de quem tem poder e valoriza mais o dinheiro e o poder do que a vida humana e não humana.

Nisso quem manda e desmanda precisa de uma força militar que assegure e proteja seus interesses. Esse foi o caso das tantas guerras que confrontaram invasores a cavalo e defensores nativos a pé, desde a Idade do Bronze até hoje, passando pelo último dia 27. É uma amostra de que a História da humanidade parece não ter mudado em nada em certos quesitos, ao contrário do que se tem acreditado sobre a pacificação gradual das sociedades humanas. Isso porque continuamos vendo uma cultura global de violência e hierarquização incitar invasões, conflitos, guerras e matanças, e nisso os indígenas precisam continuar se defendendo, na base do arco e flecha e das lanças, dos ataques da cavalaria dos brancos.

E os Direitos Humanos acabam relegados a uma mera letra morta, já que o Estado, que deveria proteger os direitos dos nativos, age como o agressor e patrocinador da desgraça deles. O mesmo Estado que deveria fazer valer a proteção constitucional aos povos originais está, na verdade, financiando e protegendo os mais interessados na destruição destes – os latifundiários, que receberão em breve, caso Dilma Rousseff seja reeleita, mais 158 bilhões de reais para que seus lucros se tonem ainda maiores. E ao mesmo tempo trata os indígenas de forma parecida com que os espanhóis sob comando de Hernán Cortés e Francisco Pizarro trataram respectivamente os astecas e os incas.

Fica claro que a humanidade ainda tem muito o que evoluir, e lutar, de modo que as guerras que jogam cavalarias invasoras contra nativos defensivos acabem. E isso infelizmente vai demandar, ironicamente, que os povos resistam sempre aos invasores, estejam eles montados em cavalos – os quais, a saber, também são vítimas dessas guerras, por serem controlados à força pelos seus dominadores e submetidos à escravidão, ao sofrimento e à morte violenta nas guerras –, como os policiais repressores que atuaram em Brasília, ou a pé contando com seus cassetetes e shotguns letais ou “não letais”. Vai ser necessário também que os negros e os brancos se juntem aos nativos numa só luta de libertação, de modo que caiam os ruralistas, seja expulsa a Fifa e seja derrubado o regime capitalista que, sem o menor pudor, repete no século 21 cenas do século 16.

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