25

maio14

Governo do Paraná quer privatizar 12 mil hectares de floresta, e diz que essa área “deveria estar dando lucro”

floresta-paranaense

O governo de Beto Richa (PSDB) no Paraná está dando uma “lição” de como reduzir o verde da biosfera ao verde do dólar. Levou os ambientalistas à fúria depois de prometer privatizar, através de leilão, 12 mil hectares de unidades de conservação públicas, sob o pretexto de que está “em meio a uma grave crise financeira”. A atitude veio acompanhada, segundo a Folha de S. Paulo, de declarações que tornam o verde florestal menos relevante do que o verde dos dólares:

O governo Beto Richa (PSDB) classifica a decisão como “estratégica”. Cita o alto custo para manter as áreas que deveriam dar lucro ao Estado pelo reflorestamento e a venda de madeira.

O Instituto de Florestas do Paraná, autarquia responsável pelas áreas, hoje dá prejuízo. O governo gastou R$ 8 milhões para mantê-lo na atual gestão, e iria desembolsar mais R$ 18 milhões até que ele voltasse a ter lucro.

Adiante, a Folha mostra, escancarando que a única “utilidade” vista pelo governo paranaense para as florestas públicas é justamente derrubar árvores para vender sua madeira:

“O Estado não tem condição de ficar contratando gente para cortar pinus. Vamos gastar energia com outras coisas”, diz o secretário de Agricultura, Norberto Ortigara.

A ideia, segundo ele, é se desfazer aos poucos de todas as áreas do instituto, que somam 45 mil hectares. O governo diz preferir fomentar a atividade privada em reflorestamento a gastar dinheiro público com isso.

O temor dos ambientalistas com a privatização é pela razoável probabilidade de os compradores da área florestal promoverem um desmatamento massivo na área, cuja metade é de remanescentes de mata atlântica. Segundo a Folha, o governo argumentou, em resposta, “que a mata nativa será preservada, já que está protegida por lei, e que toda área em estado avançado de regeneração será transformada em unidade de conservação, conforme prevê um decreto estadual”.

Fica claro que o poder público brasileiro não tem uma visão ecológica do verde no território do país. A preservação florestal é vista como um mero estorvo para o caixa dos governos municipais, estaduais e federal, algo que acarreta “gastos” que “devem ser contidos” por meio de privatização.

Isso demanda uma posição das entidades de luta socioambiental, de modo que se faça uma campanha de resistência popular contra a privatização das florestas e também se mostre à população por que Beto Richa, que pretende se candidatar à reeleição, não merece o voto de ninguém. Quem vê o verde da mata como um mero “estorvo” e motivo de “gastos perdulários” deve ser tratado pela população como tal – um estorvo que deve ser removido.

imagrs

4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Andre

agosto 4 2014 Responder

Já viram o filme do Zé Colmeia… igualzinho…politicodemerda.

ronaldo

maio 26 2014 Responder

a imagem mostra pinheiro araucária, que é uma espécie protegida por lei, o texto fala de pinus, que é uma espécie exótica, usada só para reflorestamento e para abastecer a indústria da celulose principalmente. o estado não tem nada que cuidar de abastecer indústria de celulose, existem muitas outras prioridades. a lei que protege a mata atlântica serve para todos, iniciativa privada e estado, então nesse sentido, nada muda, desonera o estado e rende ativos que podem ser aplicados na saúde, educação, segurança, etc.

Filipe

maio 26 2014 Responder

Olá! Voltei.

Deixa eu entender uma coisa: uma porcentagem da área em questão hoje é usada para produção de madeira. Metade é de mata nativa, que permanecerá intocada, com uma porcentagem de área em recuperação que virará unidade de conservação. Privatizando-se, continuará a mesma coisa, certo?
Quer dizer, se houver fiscalização, coisa que acredito que os movimentos ambientais podem ajudar e receber amparo do Ministério Público.

    Robson Fernando de Souza

    maio 27 2014 Responder

    Provavelmente não continuará a mesma coisa. Além disso, é de se duvidar que um Estado que trata florestas como mero estorvo ou fonte de lucro vá fiscalizar competentemente florestas privadas.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo