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Politização não é apoiar e repetir discursos de páginas de crítica política seletiva. É outra coisa
Provavelmente páginas como a TV Revolta já publicaram esta imagem. Mas perceba como a frase se aplica a elas próprias.

Provavelmente páginas como a TV Revolta já publicaram esta imagem. Mas perceba como a frase se aplica a elas próprias.

Este artigo é para você que tem acreditado que páginas como TV Revolta, AnonymousBrasil, Revoltados Online e MCC – Movimento Contra Corrupção são “revolucionárias” e pretendem mudar o Brasil e “tirá-lo da lama”. E que crê que essas páginas representam o avanço da politização e da cidadania engajada no país. Sinto em dizer, mas essas crenças são um engano. E tais páginas não são um indicativo de evolução política da sociedade brasileira, muito pelo contrário. Politização e usufruto de prerrogativas democráticas são outra coisa, outro caminho bem distinto – e elas querem impedir, e não possibilitar, que isso se consolide.

Você que tem visto alguns posts vindos dessas páginas, talvez tenha começado a perceber que o conteúdo político delas varia entre dois polos fixos. Um é a exortação a protestar contra “tudo o que aí está”, e o outro é a incitação ao ódio político seletivamente contra Dilma Rousseff o PT – e no máximo mais alguns aliados deles. Se não percebeu ainda, convido você a observar isso, e entrar no histórico de imagens postadas por essas páginas.

Você perceberá também que não há quase nenhuma imagem criticando os adversários de Dilma e do PT, como Aécio Neves e Eduardo Campos – se você encontrar uma, será com muita sorte, e uma única imagem a cada centenas. Também verá que o conteúdo “politizador” genérico – ex.: “basta de corrupção”, “não reeleja ninguém”, “enquanto te roubam, você grita gol” etc. – carece de inúmeras causas tão urgentes e graves quanto corrupção política e maus investimentos em saúde, educação e segurança.

Por exemplo, procure nessas páginas algo relacionado a Direitos Humanos. Veja se tem alguma postagem denunciando a escalada de crimes de ódio contra negros, mulheres, indígenas, afrorreligiosos, homossexuais, pessoas trans etc., assim como o aumento dos linchamentos e “justiçagens”. Ou algum conteúdo mostrando que a educação não precisa só de investimentos volumosos e da improvável boa vontade de quem está no poder, mas sim de uma revolução pedagógica e institucional completa. Ou então denunciando a escalada do cruel autoritarismo policial – incitado por políticos de quase todos os partidos – contra as manifestações de rua. Ou outras bandeiras que visem a libertação humana e não humana.

Procure também, aliás, as propostas de como melhorar e reestruturar o ensino público brasileiro (fora exigir o investimento de 10% do orçamento federal anual em educação); as reivindicações de implantação de métodos claros de fiscalização popular e institucional contra ações corruptas e compra de candidatos via financiamento corporativo privado; as sugestões de como investir o dinheiro dos impostos na dignificação da saúde pública; e indicações de como engajar a sociedade brasileira a intervir na cultura política, em todas as classes socioeconômicas, de modo a cortar pela raiz a tradição de governar para interesses privados em detrimento do público. Ou, para aumentar o desafio, que projeto de novo sistema socioeconômico e político é proposto de modo a substituir, por revolução, o desagradável sistema em vigor.

Como resultado da procura, você verá o que é a tal “politização” que, divulgada por essas páginas e abundante durante os protestos de junho de 2013, tanto vem sendo chamada de “coxinha”. Uma “politização” baseada em reivindicações sem metas e em demandas genéricas sem substância e, acima de tudo, submissa à ideologia conservadora que, adivinhe só, se empenha em manter a ordem de coisas vigente.

Nisso convido você a pensar: como é o Brasil novo que você desejaria que uma sociedade politizada reivindicasse? É um Brasil do jeito que o MCC e a TV Revolta querem, onde a “grande mudança” conquistada nada mais será do que a substituição do PT no poder, por exemplo, pelo PSDB ou PSB; Joaquim Barbosa será eleito presidente sendo aclamado como “salvador da pátria”; os demais partidos fora o PT manterão, sob as vistas grossas da população, sua velha tradição de roubar dinheiro público e governar para fins privados; a escola permanecerá a mesma instituição autoritária, prisional e antiquada de sempre; e a sociedade continua regida por preconceitos velados ou mesmo explícitos contra minorias políticas e moralismo hipócrita – do tipo “odeio o funk machista, enquanto me amarro num rock misógino”?

Ou é um Brasil realmente justo, onde as prerrogativas democráticas da população são muito maiores; o povo ou governa a si mesmo, ou mantém um poderoso aparato de fiscalização popular dos representantes; a educação básica e superior é radicalmente diferente do que é hoje; a polícia é desmilitarizada e de fato protege os Direitos Humanos ao invés de violá-los; a concentração de renda e de terras foi reduzida ao máximo, ou mesmo abolida; os impostos são progressivos, sendo cobrado mais de quem ganha mais; a saúde pública tem uma estrutura modernizada e trate seus pacientes humanitariamente; entre outras características muito diferentes do que há hoje?

Pensando nessas perguntas, é hora de revermos o que é politização, e se o que essas páginas seletivamente “contra a corrupção” estão realmente promovendo a politização das massas, ou simplesmente usando-as como massa de manobra para interesses político-eleitorais, ideológicos e mesmo lucrativos – já que já há vários “politizadores” lucrando com o comércio de adesivos, camisetas e outros produtos tematizados com o ódio seletivo anti-PT e anti-Dilma que eles mesmos promovem.

E nisso encaremos que, ao contrário do que os mais românticos têm pensado desde junho de 2013, o Brasil ainda não está próximo de alcançar o estágio da plena politização, da consciência do povo de ser ele mesmo seu próprio “salvador” e revolucionador da ordem vigente. Muitos ainda acreditam que “ser politizado” é vociferar de qualquer jeito “contra a corrupção e pela segurança, saúde e educação”, desejar que alguns políticos sejam substituídos por outros e cair na lábia de um doutrinador de rebanhos. Mas politização não é isso. É outra coisa.

É reivindicar saúde, educação, transporte etc. idealizando como serão a saúde, a educação, o transporte público etc. que atenderão melhor aos anseios da população. É abraçar todas as bandeiras políticas que visem a mudança radical da ordem sociocultural, econômica e política vigente, ao invés da conservação ou mesmo agravamento dos problemas atuais. É conhecer a fundo cada um dos problemas coletivos aos quais você se atenta, tomando (cons)ciência das causas e origens deles.

É debater popularmente como será possível resolver cada problema, e ter ciência de que essa resolução vai atrair adversários, ou mesmo inimigos declarados, que querem a manutenção e perpetuação de tudo o que aí está. É começar a agir por conta própria em sua comunidade, em sua escola ou universidade, em seu trabalho etc., discutindo política e sociedade com quem está aberto para novos conhecimentos, e também organizando coletivos de ação política. É também rejeitar que pessoas interesseiras lhe promovam uma lavagem cerebral e se apropriem de sua consciência, fazendo você culpar um único partido e algumas pessoas específicas pelos problemas sociopolíticos existentes e esquecer que a iniquidade política é um problema de dezenas de partidos e séculos de tradição.

Politizar-se não é compor manadas submissas aos ditames e pregações de um ou mais formadores de opinião. É pensar por conta própria; rejeitar a submissão a líderes e oradores; questionar autoridades, instituições e tradições. É adquirir conhecimento histórico e social, trocá-lo com seu próximo e, assim, começar a plantar as sementes da revolução sistemática de que o Brasil precisa. E isso, acredite, a TV Revolta, o MCC, o AnonymousBrasil e outras páginas pseudopolitizadoras querem impedir que aconteça.

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6 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Sílvia Vaz de Lima

junho 17 2014 Responder

TV REVOLTA só servia para incitar as pessoas que não tem opinião própria para o caos.
Impressionante como uma pessoa consegue fazer com que milhões de pessoas concordem com ela quando instiga para a falsidade, difamação e maldade. Se fosse para o bem, ninguém seguiria…

Valvico Alves

maio 23 2014 Responder

THEO,JU. Monossilábicos e de fácil empatização ao mesmo tempo que mantém ‘anonimato’. Brincadeira Robsom Fernando de Souza, realmente estamos lidando com profissionais querendo se passar por gente comum e revoltada. Só digo: Serra é mais família e mais competente que o fanfarrão calça curtas de Minas, mesmo assim não conseguiu derrotar as urnas. Nossa gente está abrindo os olhos para os esquemas de vocês. Vai dar DILLMA no primeiro turno.

    Theo

    maio 25 2014 Responder

    Nossa gente está abrindo os olhos para as falcatruas do PT, que de esquerda só tem o discurso.
    Mas sempre haverão idiotas úteis para defender o indefensável.

Theo

maio 21 2014 Responder

É, parece que a tal TV Revolta tá incomodando mesmo!

E politização é concordar cegamente com tudo que as lideranças de esquerda dizem para você concordar.

Uma dica de leitura que encontrei agora, para voces:

“ATOR ALMEJA UM BRASIL DE MARIGHELLA ”
em: http://cristaldo.blogspot.com.br/

JU

maio 19 2014 Responder

Olá Robson,Eu realmente não conheço muito essas páginas que você citou,mas vejo as vezes em postagens de parentes que compartilham e posso dizer que o conteúdo é raso e sem falar que algumas vezes são informações distorcidas ou falsas.
A falta de politização é comum na população em geral,que acaba se apegando a slogans ou frases de efeito.mesmo entre aqueles que se dizem politizados (de direita ou de esquerda),vemos em debates na internet que faltam em muitas pessoas,o conhecimento das teorias que estas dizem defender.

colocado isso,gostaria de comentar alguns trechos do seu texto.

Sobre o sexto parágrafo:
Para começar,o conservadorismo por si só é a negação de qualquer ideologia seja ela o socialismo,libertarianismo ou fascismo ou qualquer outra.
nao nego porém,que algumas pessoas tentem ideologizar o conservadorismo,tornando ele uma coisa estática e dogmática como as demais facções ideológicas.

Quanto aos conservadores terem o desejo de manter a ordem vigente:O que eu mais vejo os conservadores (de direita) fazerem é pedir por MUDANÇAS políticas e insatisfeitos com a atual política brasileira.se alguém quer manter as coisas como estão,estes são os conservadores de esquerda.

oitavo parágrafo:

Desmilitarização da polícia,mais impostos para os ricos,reforma agrária.ser politizado é acreditar nos ideais de esquerda?

    Robson Fernando de Souza

    maio 19 2014 Responder

    “Quanto aos conservadores terem o desejo de manter a ordem vigente:O que eu mais vejo os conservadores (de direita) fazerem é pedir por MUDANÇAS políticas e insatisfeitos com a atual política brasileira.se alguém quer manter as coisas como estão,estes são os conservadores de esquerda.” – Pelo contrário. As “mudanças” que os conservadores reivindicam é o retorno à ordem anterior, a revogação das (poucas) mudanças vivenciadas nos governos federais do PT. Algo mais próximo de ser uma mudança que eles reivindicam é a remoção do PT do poder, de modo que o PSDB retorne ou um futuro partido ainda mais de direita assuma no futuro.

    “Desmilitarização da polícia,mais impostos para os ricos,reforma agrária.ser politizado é acreditar nos ideais de esquerda?” – Ao meu ver, sim. É meu ponto de vista, não uma verdade inquestionável.

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