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jul14

Bosque famoso de Presidente Prudente/SP está sendo destruído para dar lugar a condomínio

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Um belíssimo bosque, com cerca de 30 árvores fícus, localizado em Presidente Prudente/SP, está sendo destruído por uma construtora para dar lugar a um condomínio residencial fechado. Esse desmatamento urbano vem escandalizando pessoas de todo o Brasil e, provavelmente, de outros lugares do mundo que estão sabendo disso.

O bosque tinha um corredor de árvores, que foi fotografado e cuja foto foi ganhadora de um concurso de fotografia do site da National Geographic Brasil em abril desse ano. E agora está sendo devorado pela especulação imobiliária e pela falta de planejamento urbano e de políticas ambientais, dois males que assolam muitas cidades, se não a maioria delas, no Brasil.

No domingo, 13 árvores já haviam sido derrubadas, e alguns cidadãos tentaram impedir a destruição das restantes, mas sem sucesso. Afirma-se que, segundo a construtora destruidora, o bosque “não tinha valor estético nenhum” – ou seja, a percepção estética de uma ou mais pessoas endinheiradas lhes dá o poder de vida e morte sobre árvores, animais não humanos e, em última análise, seres humanos – também muito prejudicados em sua saúde pela degradação urbana – e passa por cima impunemente do bem-estar geral.

A Folha de S. Paulo revela mais:

Segundo a Cetesb (agência ambiental paulista), o corte dos fícus não precisou de autorização porque as árvores não eram nativas e não estavam em uma área de preservação ambiental.

O secretário municipal da Comunicação de Presidente Prudente, Marcos Tadeu Cavalcanti, disse que a prefeitura “não podia impedir o corte porque a área é particular”.

No mesmo terreno, a Cetesb liberou a remoção de outras 20 árvores nativas desde que a empreendedora replante 2.500 como forma de compensação ambiental.

O Residencial Monte Azul [da construtora responsável pela destruição] diz que cumprirá a medida.

Também informa que engenheiros aconselharam a empresa a retirar o bosque de fícus porque as árvores poderiam causar danos estruturais às casas que serão construídas.

A destruição de áreas verdes em áreas urbanas também é um problema ambiental de grande magnitude, não sendo esse um atributo exclusivo do desmatamento de regiões rurais ou grandes áreas de matas virgens. Tem causado a morte de incontáveis árvores e animais que as habitam, o severo enfeiamento das cidades, o agravamento do desequilíbrio climático delas, a perda de potenciais parques e a séria degradação da qualidade de vida humana.

Cada vez mais as cidades brasileiras têm destruído suas áreas verdes e dado espaço a ainda mais prédios e condomínios, numa amostra de que as políticas ambientais de ordem municipal e estadual ainda são, em muitos lugares, algo “do futuro”. E isso tem sido agravado pelo fato de que construtoras e empreiteiras de todo o Brasil têm ignorado que a Constituição preza pela função social da propriedade privada, destruindo impune e implacavelmente áreas verdes sob o pretexto de que estavam dentro de área privada – e daí arrogam poder de vida e morte sobre todos os seres que ali habitam.

A mesma desculpa de que o desmatamento se dá dentro de propriedades privadas é usada por agências estatais de meio ambiente (como a Cetesb no estado de São Paulo) para que não haja interferência do Estado nessas situações que beiram o crime ambiental. Com isso, as agências governamentais, hipnotizadas pela ideologia (neo)liberal, não intervêm para salvar as árvores e animais e assegurar que a qualidade de vida das pessoas, que dependem dessas árvores para continuarem tendo um mínimo de bem-estar e saúde, seja degradada pela irresponsabilidade ambiental de empresas imobiliárias.

Fica clara a necessidade de se mudar a mentalidade política dos responsáveis pela gestão de áreas verdes públicas e privadas. E isso não se dará enquanto as pessoas continuarem votando em quem se compromete com o status quo liberal-conservador. Enquanto gestores adeptos da “não interferência na propriedade privada” e do desrespeito do princípio constitucional da função social da propriedade continuam permitindo a privatização e destruição do meio ambiente urbano, árvores, animais não humanos e seres humanos vão definhando e morrendo em cidades cada vez mais insalubres, poluídas, feias e doentes.

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2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

José

julho 25 2014 Responder

Cadê a coragem de citar o nome da construtora?

Mara Moraes

julho 23 2014 Responder

que coisa feia!!

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