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jul14

Coligação de Dilma evidencia que seu segundo mandato será de mais descaso para com bandeiras de esquerda

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Se algumas pessoas ainda acreditam que o PT e Dilma Rousseff (ainda) são de esquerda e duvidam que ambos estão em franca guinada à direita, a coligação da campanha de reeleição dela acaba com essas dúvidas. O PT se uniu a diversos partidos fortemente envolvidos com as bancadas teocrática e ruralista e com nomes de extrema-direita, e confirma assim que dará ainda mais gestos braçais de banana para as demandas populares e da esquerda no provável segundo mandato de Dilma.

Além do próprio PT, estão na coligação PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PRB, PDT e PCdoB. O PMDB é um partido desprovido de ideologia e tanto faz para ele estar ao lado do PT, do PSDB, do PSB, de partidos teocráticos ou de qualquer outro que mantenha a ordem política brasileira vigente. PSD e PP são herdeiros diretos da ARENA, o partido governista da ditadura militar de 1964-85, tendo o PSD sido fundado como dissidência do DEM e o PP sendo o partido de Paulo Maluf e Jair Bolsonaro, e são redutos de boa parte da bancada ruralista. Já PR, PROS e PRB são partidos umbilicalmente ligados à bancada teocrática evangélica – o PR nasceu da fusão entre o PRONA, de extrema-direita, e o PL, neoliberal e conservador, e PRB e PROS são crias dos teocratas. E o PDT e o PCdoB, partidos ex-socialistas, renderam-se ao pragmatismo e ao peleguismo, queimaram suas bandeiras originais e hoje são um zero à direita decimal em termos de militância política socialista e progressista.

Com uma base aliada inicial dessa, não é de se esperar qualquer postura favorável do provável segundo Governo Dilma em se tratando de políticas de reforma agrária, Direitos Humanos, meio ambiente, direitos trabalhistas, reformulação do sistema educacional básico e universitário, desmilitarização das polícias, enfim, nada que represente a mínima virada à esquerda. A perspectiva é sim de continuidade ou mesmo radicalização das políticas de beneficiamento aos latifundiários, concessões aos teocratas, privatização de bens públicos, repressão aos movimentos sociais e às greves, desmonte da política e legislação ambientais, negligência perante a opressão contra camponeses e indígenas, entre outras políticas nada de esquerda.

Fica claro que Dilma, Aécio Neves e Eduardo Campos são farinhas do mesmo saco. Se há alguma diferença entre os três, é algo que, se fosse quantificado, estaria nos décimos ou centésimos de porcento. Fica assim três opções: votar em Luciana Genro do PSOL, caso ela não decepcione em algum momento, anular o voto ou simplesmente não votar – e justificar a abstenção.

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Alex

julho 13 2014 Responder

Uma pergunta, Robson: em quem você vai votar pra presidente esse ano?

    Robson Fernando de Souza

    julho 13 2014 Responder

    Em Luciana Genro, se ela não decepcionar durante a campanha.

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