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jul14

“Desenvolvimento” das sociedades modernas ameaça culturas indígenas isoladas na América do Sul

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Muitas comunidades indígenas isoladas na América do Sul estão sob risco de destruição, graças a atividades extrativo-industriais e agroindustriais. A denúncia é da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), e mostra como o racismo prático contra as culturas indígenas é comum no subcontinente.

Num documento de 80 páginas, a CIDH denuncia os impactos do corte legal ou ilegal de madeira no Brasil, Peru e Equador, da extração de combustíveis na Bolívia, da mineração ilegal na Venezuela, da bovinocultura e sojicultura latifundiárias no Paraguai e da construção de rodovias e usinas hidrelétricas em áreas de conservação em vários países.

O site da revista Exame alerta:

A demanda crescente por matérias-primas alimentou o desenvolvimento, na última década, dos países sul-americanos, ricos em recursos energéticos e minerais, às vezes em conflitos com as reivindicações de grupos ambientalistas e indígenas.

“Neste contexto, o desafio para os países, organizações e defensores de direitos humanos é conseguir a proteção dos direitos dos povos indígenas em isolamento voluntário e contato inicial, ou ser testemunhas de seu desaparecimento”, destacou a CIDH.

Uns 200 povos indígenas e cerca de 10 mil pessoas vivem em zonas remotas de selva amazônica e na região do Gran Chaco (compartilhada por Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina) e formam a maior população isolada do mundo.

Estas populações vivem em uma “situação única de vulnerabilidade”, sob ameaça apenas em entrar em contato com estranhos, segundo a CIDH, órgão autônomo da OEA.

Além disso, o contato involuntário com missionários e cientistas e com utensílios e alimentos desconhecidos tem provocado prejuízos na identidade cultural desses povos, cujas cosmovisões estão ameaçadas em favor da visão de mundo das sociedades industrializadas e cristãs. Denuncia-se que isso tem ameaçado causar uma “perda cultural irreparável”.

A Exame afirma também:

Em algumas ocasiões, “o povo passa de uma situação de autossuficiência na selva a uma dependência quase total de quem lhe dá comida e medicamentos”, com um “grande efeito desmoralizante na identidade do povo”, segundo o informe.

Nessas horas pensamos como nosso “bem viver” tem implicado necessariamente o “mal viver” de muitas sociedades (ainda) adeptas de estilos de vida tradicionais. Enquanto temos procurado, nas campanhas eleitorais, candidatos que prometam o fomento ao “desenvolvimento”, nos omitimos da procura sobre o que de fato é esse “desenvolvimento” e quais suas consequências para suas vítimas diretas e para nós.

As eleições são uma oportunidade para questionarmos os donos do poder, sobre que “desenvolvimento” eles querem ou dizem querer. Aproveitemo-la então.

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