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Dicionários online reforçam machismo e preconceito contra ateus em verbetes

dicionario-preconceito

Pelo menos dois dicionários online de língua portuguesa estão reforçando o preconceito contra mulheres e contra ateus em determinados verbetes. Há anos é denunciado que o Michaelis e o Priberam estão legitimando, ao definir as palavras “efeminar”, “ímpio” e “homem”, o machismo e misoginia e a ateofobia.

O Michaelis assim define o verbo efeminar:

efeminar-michaelis

Já o Priberam define assim o substantivo ou adjetivo ímpio, relacionando, através dele, ateísmo e irreligião com crueldade, desumanidade e desrespeito:

impio-priberam

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Os dois dicionários também cometem preconceito ao supervalorizarem o substantivo homem (Michaelis e Priberam), tanto legitimando sua definição como ser humano genérico ou espécie humana, como atribuindo aos homens (os seres humanos masculinos adultos) virtudes supostamente “mais presentes” neles do que nas mulheres:

homem-michaelis

“Homem” segundo o Michaelis

 

 

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“Homem” segundo o Priberam. Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

Mensagens de protesto devem ser enviadas às páginas facebookianas da Editora Melhoramentos (autora do Michaelis) e do Priberam, de modo que retirem as denotações preconceituosas de seus dicionários – ainda que seja bem mais difícil que revoguem pelo menos a falsa definição unissex da palavra homem.

imagrs

3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Marcelo

julho 29 2014 Responder

Quer dizer que, segundo o entendimento do blog, todo e qualquer dicionário que “ouse” escrever alguma definição ou conceito diferente do “dever ser” estabelecido pelos pensadores do blog, ou do politicamente conveniente, estará incorrendo em algo digno de “execração”, quiçá, criminalização.
É realmente curiosa a intolerância dos “tolerantes”…

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julho 29 2014 Responder

Uma vez que o dicionário tem a função de registrar o uso das palavras de uma língua, o único dos casos apresentados que realmente configura-se como preconceito é o primeiro.

Quanto ao adjetivo “ímpio”, a definição não “relaciona ateísmo com crueldade, desumanidade e desrespeito”. Se um mesmo termo possui diversos significados de acordo com o contexto, cabe ao dicionário listá-los. O dicionário fê-lo corretamente, pois incluiu significados diferentes em acepções separadas. (A relação alegada teria sido feita caso o dicionário apresentasse, por exemplo, “descrente” e “cruel” na mesma acepção.)

O substantivo “homem” é utilizado com o significado genérico em diversos contextos, inclusive formais. Evito tal uso, prefiro reservar o termo apenas para pessoas do sexo masculino, e sem a conotação de “força” e “maturidade”. No entanto, o dicionário não deve deixar de registrar um dos usos, ainda que não seja recomendada sua utilização, pois não cabe aos lexicógrafos ditar regras sobre a língua, mas apenas registrar seu uso. Se, no futuro, algum desses sentidos cair em desuso, então os dicionários devem removê-lo (e não na ordem inversa). Entretanto, os dicionários poderiam contribuir para a conscientização dos leitores por meio de uma observação no fim do verbete, explicitando que determinados sentidos do termo não são recomendados.

Portanto, a única denúncia correta é a primeira, pois não é um registro do uso de uma palavra: o próprio dicionário sugere que mulheres são mais fracas.

Por fim, parabéns pelo ótimo trabalho no blog.

    Robson Fernando de Souza

    julho 29 2014 Responder

    Os verbetes poderiam vir com adendo dizendo que o uso dessas palavras nos sentidos criticados é controverso. Como vc mesmo disse: “os dicionários poderiam contribuir para a conscientização dos leitores por meio de uma observação no fim do verbete, explicitando que determinados sentidos do termo não são recomendados.” E obrigado pela apreciação.

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