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jul14

#NãoVaiTerCopa, a decepção e a resistência

boicote-copa

Desde que a Copa do Mundo começou, muita gente de esquerda que até então estava do lado do #NãoVaiTerCopa rendeu-se ao leviatã do futebol. Os envolvidos com o torneio não pararam de vitimar e prender pessoas. Mas ainda assim, inúmeros esquerdistas continuam aguardando entusiasmados cada jogo, em especial do Brasil, sentando-se junto com os verdeamarelistas de direita nas cadeiras dos bares e torcendo pela esperada redenção do Maracanazo de 1950. Com isso, o sentimento dos que resistem a clamar contra a Copa é um misto de decepção com resistência fiel.

A decepção é com a parcela da esquerda que, até 11 de junho, vociferava forte nas redes sociais e até nas ruas contra a Copa das Tropas. Aquela gente que se indignava com o exército de 200 mil soldados das PMs, da Força Nacional e das Forças Armadas encarregado de impedir a interrupção dos jogos; que via as obras viárias sendo feitas nas coxas e investimentos bem mais importantes sendo negligenciados; que apanhava na rua junto com os que hoje continuam na resistência e no boicote.

Não dá para negar o lamento por ver milhares de atores políticos que, mesmo defensores dos Direitos Humanos, da democracia e da transparência política, estão agora vibrando com os gols do Brasil, apaixonando-se com os das outras seleções e inconscientemente agradecendo a FIFA, Dilma, governadores, empreiteiras etc., até pouco tempo atrás tão criticados por eles. Fábio Hideki, Rafael Marques, Charlys do Nascimento, Hanna dos Santos, Marcleudo Ferreira, Fabio Hamilton da Cruz e tantas outras pessoas cuja prisão ou morte o espectro da Copa causou pagaram uma parte do preço para que agora estejam os ex-aliados e ex-simpatizantes do #NãoVaiTerCopa usufruindo da tão repudiada Copa da igualmente odiosa Fifa.

Já a resistência é dos que permanecem nas ruas, manifestando repúdio à Copa nascida da corrupção, das obras malfeitas e do autoritarismo fifano, e dos que, também remando contra a maré, não arredam o pé do boicote aos jogos nem param de declarar nas redes sociais sua oposição ao famigerado evento. Os resistentes sabem que infelizmente “#EstáTendoCopa”, mas, por fidelidade aos seus ideais, respeito às vítimas e, muitas vezes, aversão ao patriotismo cívico e futebolista, continuam protestando nas avenidas e na internet.

É forte a resistência desses poucos felizardos à força coercitiva que a tradição do futebol e o espírito de Copa do Mundo exercem. Por mais que se comente sobre a qualidade técnica dos jogos, o psicológico dos jogadores da seleção brasileira, o padrão de beleza de Hulk e de algumas torcedoras, os resistentes não querem saber de nada disso. Para eles, nenhum gol do Brasil, nenhuma jogada de futebol-arte, nenhuma fofoca sobre os choros de Neymar e colegas de equipe, nenhum estímulo nacionalista é mais relevante do que a repressão política, a continuação da sucessão de consequências nefastas do torneio, as iniciativas do poder público de cercear direitos civis e políticos ligados ao ato de protestar e grevear.

Apesar dessa decepção com os ex-anticopa e do enfraquecimento numérico dos protestos, o espírito de #NãoVaiTerCopa continua vivo em muitas pessoas. E vai resistir mesmo depois que a Fifa for embora com seus bilhões de dólares lucrados. O Consciencia.blog.br está do lado dos resistentes, e apoia e incita o boicote aos jogos, mesmo que agora ele seja mais simbólico do que dotado de objetivos claros. Mesmo que a hashtag #NãoVaiTerCopa tenha perdido a força, outras novas irão sucedê-la e dar continuidade à oposição anticopa promovida pela esquerda leal a suas causas. Afinal, as bandeiras dos países das seleções, incluindo a brasileira, nunca irão ofuscar as dos Direitos Humanos, da democracia, da luta contra o autoritarismo, da honestidade e transparência política, da soberania popular, da justiça social.

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4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

saulo

julho 5 2014 Responder

o #nãovaitercopa eh a maior prova do quanto a “esquerda” esta longe da realidade. Pois quem realmente moveu a hashtag foram os fascistas. A playboizada metida a revolucionaria esta tendo o que merece, e não adianta tentar apelar, pois eh absurdo alguem achar no direito de impedir um evento apenas por não gostar dele, eh uma pena que ocorreram execessos por parte da pm, mas eh natural que o estado tenha que intervir, para garantir o direito de quem quer assistir os jogos. E com todo respeito, antidemocratico eh alguem se achar no direito de atrapalhar a festa de outra pessoa.

rindoMt

julho 4 2014 Responder

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Fabiano

julho 4 2014 Responder

Parabéns pelo texto!

    Robson Fernando de Souza

    julho 4 2014 Responder

    Valeu, Fabiano =D

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