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A necessidade do ativismo artístico contra a ascensão da direita brasileira
Charge de Vitor Teixeira, que retrata o típico direitista comentador de portais de notícias. A estampa da bandeira do "Brasil do ódio" é inspirada na bandeira brasileira re-estilizada pelo Consciencia.blog.br

A charge de Vitor Teixeira, que retrata o típico direitista comentador de portais de notícias, é um exemplo de como a arte tem peitado a direita no Brasil. A estampa da bandeira do “Brasil do ódio” é inspirada na bandeira brasileira re-estilizada pelo Consciencia.blog.br nas coletâneas de pérolas de páginas facebookianas de direita

Com a continuidade da ascensão conservadora e protofascista e da disseminação do liberalismo livremercadista, do “libertarismo” e do “anarco”-capitalismo, a esquerda precisa fortalecer sua reação. O uso de argumentos racionais denunciando como essas ideologias incidem em falácias e mentiras é imprescindível, mas não é a única maneira possível de tentar deter essa “nova direita”. O ativismo artístico também será muito bem vindo, para que denuncie como a expansão direitista tem insuflado sentimentos destrutivos e desqualidades e promovido o esvaziamento dos construtivos.

Tudo o que é negativo nessa direita em ascensão deve ser denunciado pelas artes plásticas, cênicas, musicais e escritas. Todas as emoções negativas, as não emoções e as demais “qualidades” negativas que ela tem promovido.

O ativismo artístico precisa denunciar e escancarar:

– o ódio, vindo dos reacionários contra mulheres, negros, homossexuais, pessoas trans, norte-nordestinos, minorias religiosas e irreligiosas, moradores de bairros pobres imigrantes de países humildes etc. e contra o pouco de oportunidades que essas pessoas têm começado a ter nos últimos dez anos;

– a tristeza, das famílias que têm perdido membros muito queridos para os policiais violentos que a direita aplaude ou para os “justiceiros” e linchadores, ou que têm suas casas confiscadas por bancos ou esvaziadas pelos cobradores de aluguel que têm cobrado cada vez mais caro;

– o desamor, vindo dos conservadores cheios de ódio e dos “libertários” que pregam o egoísmo e a competição feroz como se fossem virtudes;

– a melancolia, sentida por muitas pessoas perante um mundo onde a ética tem dado lugar ao valor em dinheiro ou em utilidade, o ser tem sido sobrepujado pelo ter e a arte tem sido reduzida a um mero preço de dinheiro, graças ao capitalismo tão defendido por direitistas;

– o desespero, de quem tem perdido tudo graças ao implacável mercado, que consome sonhos e esmaga vidas, e ao Estado a serviço dele;

– a indiferença, que grande parte da direita defende para tratar os que, tachados de “preguiçosos” e “indolentes”, ficam para trás na corrida pelo sucesso imposta pelo capitalismo e são reduzidos à marginalidade;

– o desprezo, para com as minorias políticas vítimas de implacável e esmagadora opressão e os pobres, considerados “culpados” pelos defensores da meritocracia por suas próprias privações;

– a falta de compaixão, por parte dos mesmos meritocratas, para com as pessoas que são esmagadas pelo sistema e não têm condições de conseguir por conta própria uma vida mais digna;

– a ganância e o egoísmo, pregados pelos defensores do capitalismo como se fossem virtudes, mas que são defeitos devastadores por desunirem os seres humanos;

– a arrogância, que muita gente de direita tem ao lidar com quem é diferente dela – em especial contra pessoas de minorias políticas;

– a sensação de superioridade moral que muitos direitistas pertencentes a categorias politicamente dominantes (homens cis, brancos, heterossexuais, de classe média a alta, cristãos) têm sobre pessoas de minorias políticas;

entre tantos outros flagelos que podem ser atribuídos à direita, seus defensores e suas consequências práticas.

No desenho já há nomes como Carlos Latuff e Vitor Teixeira, denunciando, entre tantos outros assuntos, os absurdos promovidos pela direita que abrange conservadores, liberais-econômicos e “libertários”. Mas a esquerda precisa de mais pessoas para esse trabalho, incluindo mais chargistas e cartunistas, pintores, escultores, musicistas, dançarinos, atores, cineastas, documentaristas, poetas etc. E também será necessário fazer oposição a eventuais backlashes promovidos por artistas de direita que tentem difamar e caluniar a esquerda.

A arte de esquerda precisa de um engajamento mais ostensivo e intensivo na denúncia não só dos argumentos e consequências materiais das ideologias de direita, como também das emoções e antiemoções proporcionadas pelo que elas defendem. O reforço de artistas é essencial para que as forças contrárias à direita se fortaleça e rebaixe-a ao poço das ideias ultrapassadas e desprestigiadas.

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HELOISA HELENA

julho 21 2014 Responder

Interessante! Gostei das sugestões dos dois artistas, vou segui-los e compartilhar os seus trabalhos.

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