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Prisões “preventivas” temporárias ilegais tentam impedir último protesto #NãoVaiTerCopa no Rio

Num último rompante de autoritarismo com gosto de ditadura – mas que pode ter perniciosa continuidade em protestos futuros -, a Polícia Civil do Rio de Janeiro emitiu, nesse fim de semana, “cartinhas” dando voz de prisão a dezenas de pessoas participantes das manifestações locais do movimento #NãoVaiTerCopa. A intenção é calar e censurar esse movimento e impedir o protesto final marcado para hoje, último dia da Copa do Mundo, dia da final entre Argentina e Alemanha no Maracanã.

Circulam intensamente as denúncias de provas forjadas na tentativa de incriminar os presos e impedi-los de irem às ruas. Essa postura, típica de Estados de Exceção, está sendo chamada de Minority Report carioca”, em referência ao filme de 2002 no qual pessoas com poderes paranormais previam a ocorrência de crimes e permitiam que a polícia prendesse seus potenciais autores antes que eles acontecessem.

Os mandados de prisão declaram que suas vítimas serão mantidas em reclusão por cinco dias, na clara intenção de que eles não participem do protesto de hoje. Essa prisão “preventiva” ilegal abre um precedente muito perigoso para a democracia (?) brasileira, uma vez que desde já futuros protestos, incluindo os contra as Olimpíadas de 2016, serão tentativamente interceptados e impedidos com essa modalidade de prisão.

Leia abaixo o manifesto de Rafael Gomes Penelas, do Jornal A Nova Democracia, denunciando o fascismo dessa postura da Polícia Civil fluminense:

 

ORGANIZAÇÕES POPULARES IRÃO ÀS RUAS HOJE PELA LIBERTAÇÃO DE TODOS OS PRESOS POLÍTICOS NO RIO

Por RAFAEL GOMES PENELAS / A Nova Democracia

“Acordamos em 1964”.

Esta frase, desde ontem, virou bordão nas redes sociais. Não à toa.

O dia 12 de julho, véspera da final da farra da Fifa no Maracanã, Rio de Janeiro, foi marcado pela prisão arbitrária de dezenas de supostos ativistas em suas residências. A tentativa do aparato repressivo do velho Estado: impedir a realização das manifestações de hoje na capital fluminense.

Resultado da operação desastrosa da Polícia Civil: professores e estudantes presos, acusações falsas, sigilo absoluto nos processos, bandeiras e jornais exibidos como “provas”, qualificação de “quadrilha armada” devido a um revólver encontrado com o pai de uma ativista com o registro fora da validade etc.

Os abutres do monopólio da imprensa, cúmplices com a criminalização, não perdem tempo em dar ênfase nos seus noticiários às acusações infundadas. Os crimes cometidos pelos presos? Nenhum.

E por falar em monopólio da imprensa, todas as suas facções puderam participar da coletiva de imprensa realizada na Cidade da Polícia ontem. Os veículos da imprensa popular foram todos proibidos. O motivo banal pelo qual a equipe de AND foi barrada foi o fato de na casa de algumas pessoas terem sido encontrados exemplares do jornal.

Os fatos atestam o que temos dito nos últimos anos: não existe democracia para o povo no Brasil. De fato, parece que o país “acordou em 1964”, pois tais atitudes se assemelham (e muito) às realizadas pelo regime militar fascista que infelicitou o povo brasileiro por duas décadas.

Setores progressistas da sociedade, Anistia Internacional, sindicatos da educação, sindicato de jornalistas, associação de docentes e frentes populares se solidarizam com os presos políticos. O debate em torno da “liberdade de manifestação”, garantido pela constituição, voltou a ser o assunto do dia.

Por este motivo, os atos contra a Copa da Fifa que serão realizados hoje incrementarão em suas reivindicações a palavra de ordem “Liberdade para todos os presos políticos de 12 de julho”.

A equipe de A Nova Democracia irá cobrir a manifestação que acontecerá neste domingo, às 13h, com concentração na Praça Saens Peña, no bairro da Tijuca.

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