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Candidatos e eleitores com programas negativos: a onda reacionária brasileira vai às urnas

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A ascensão conservadora-reacionária no Brasil mostra sua cara também na campanha eleitoral. Já são bem diversos os candidatos a mandatos legislativos ou executivos que mostram nenhuma proposta fora a negação dos direitos das minorias políticas e do direito universal ao usufruto de patrimônio público e coletivo. São pretendentes que não só ascendem a partir da massa reacionária, como também a tem como público-alvo a ser conquistado como seu eleitor.

Muito se vê, talvez mais hoje do que em outras épocas recentes, que muita gente não prefere votar em alguém que prometa principalmente realizar investimentos e levar a sério os direitos dos cidadãos. Sua preferência manifesta é, ao invés, eleger candidatos que prometam cassar os precários direitos de pessoas de categorias odiadas e discriminadas e enquadrá-las à força em papéis sociais opressivos e estanques construídos pelos detentores de poder.

Eleitores e candidatos dessa violenta tendência priorizam, por exemplo, aquele candidato que defende o extermínio de criminosos civis ao invés da recuperação e ressocialização, propõe a eliminação de políticas sociais afirmativas, promete revogar os parcos direitos de pessoas não heterossexuais e prega a destruição da maioria das liberdades duramente conquistadas pelas mulheres.

Muitas vezes tais promessas vêm disfarçadas de termos vagos, como “defesa da família”, “meritocracia” e “pelo direito à propriedade”. Fazem-no mesmo que isso implique esnobar quem traz propostas realistas ligadas à valorização das tão defendidas saúde, educação, habitação e segurança. E é frequente que tais personalidades não tragam nenhuma proposta positiva e construtiva, focando-se ao invés em programas estritamente negativos.

Diversos deles também fazem ou apoiam promessas de privatização generalizada de tudo que seja patrimônio público ou coletividade não humana autônoma. Aplaudem ou fazem propostas que consistem, em palavras explícitas, em roubar tudo aquilo que é propriedade coletiva da população, converter ecossistemas em coisas a serem empossadas e entregar tudo nas mãos de ricos proprietários individuais. Não se importam em, assim, acabar com diversos direitos constitucionais, convertê-los em privilégios a serem comprados ou contratados – muitas vezes a preços altos – e transformar a Natureza em bem privado.

Em outras palavras, são candidatos cujas bandeiras de campanha são o ódio ao diferente e ao público. E cuja candidatura se sustenta graças a um filão inteiro de milhares ou mesmo milhões de eleitores que odeiam minorias, repudiam a justiça social e rejeitam qualquer senso de pertencimento a uma coletividade solidária.

Presume-se, não se tendo porém provado por pesquisas ainda, que grande parte dessa hostil categoria de votáveis e votantes vem das classes média e média-alta urbanas, de igrejas cristãs dominadas ou paridas pelo fundamentalismo – nesse caso, independente de classe social – e/ou dos quartéis das PMs e das forças armadas. Outro aspecto especulável de sua procedência é que estudaram predominantemente em escolas comprometidas com a reprodução da ideologia capitalista, liberal-econômica e cristã conservadora e tiveram pouco ou nenhum contato próximo e amigável, ao longo da vida, com pessoas negras, pobres, feministas, não heterossexuais, transgêneras, não cristãs e dotadas de convicções políticas de esquerda.

É relativamente complicado denunciar esse tipo ideológico de candidatos. Muitas vezes há o risco de, ao se escancarar como absurdo o que determinados postulantes prometem, torná-los mais conhecidos perante a massa ultraconservadora. Esse tem sido o caso de alguns candidatos a deputado que se assumem privatistas, anticomunistas e antipetistas em São Paulo.

Esses candidatos paulistas se mostram caricatos e folclóricos o tempo todo, deixando a entender que se candidataram não para (tentar) fazer algo pela população, mas sim para ganhar fama e elevar bandeiras reacionárias. Mas acabam aparecendo como “ótimas opções” para serem votadas por numerosos eleitores que abdicaram da razão.

Mas há sim uma alternativa, que permite escancará-los como indignos de qualquer mandato. É escancarar seus “podres”, ou seja, divulgar a público crimes devidamente comprovados que tenham cometido no passado e de que nunca tenham se arrependido, como corrupção, crimes de ódio (como agressões físicas, incitações à discriminação e injúrias raciais), calúnia, abuso de autoridade, estelionato e envolvimento com o narcotráfico. Ou então, propostas deles que estejam no limite entre o absurdo folclórico e o crime ou o ultrapassem.

Pelo próprio amadurecimento e aprofundamento da democracia no país, precisa-se manter essa furiosa direita longe dos três poderes. Com ações prudentes, esse lado sombrio da falsa “festa da democracia” brasileira deve ser denunciado, oposicionado e esvaziado de qualquer prestígio. Afinal, tratam-se de candidatos e eleitores que usam os meios ditos democráticos para minar a própria democracia limitada que rege o Brasil. E o êxito deles custará muito caro para quem quer o simples direito de ter direitos.

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eduino vaz

outubro 24 2014 Responder

São os movidos por interesses individualista, jamais pensam no coletivo e odeiam a todos que não assemelhem-se a eles…
prostitutos de luxo, não titubeiam ante a uma “oferta melhor”, mesmo estando em jogo a soberania e independência de nosso povo… Venceremos!!!!
Somos a resistência, resilientes…

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