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Pastor candidato a deputado estadual em São Paulo incita que eleitorado não vote em ateus

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Os guias eleitorais de rádio e TV começaram nessa terça-feira em todo o Brasil, e com eles já começaram as pérolas dos candidatos teocratas. Entre elas, inclui-se o discurso de intolerância religiosa do Pastor Otávio Pinheiro (nº 14777), candidato a deputado estadual pelo PTB em São Paulo, na última quarta-feira. “Não vote em candidato que não acredita em Deus”, declarou o preconceituoso pastor em seu espaço televisivo.

A incitação dele à discriminação contra candidatos ateus – e, por tabela, também contra candidatos adeptos de religiões politeístas que não acreditam numa divindade nomeada Deus – foi registrada no YouTube, pelo canal Horário Eleitoral 2014 (de 0:36 até o final):

Além disso, ele se declara opositor dos direitos reprodutivos femininos e da descriminalização das drogas hoje ilegais, mesmo a maconha. Presumivelmente coloca seus “princípios” religiosos à frente de qualquer problema de caráter público.

A legislação eleitoral atualmente não prevê punição para candidatos que promovam o ódio e o preconceito por (des)crença religiosa, raça, (identidade de) gênero, orientação sexual, classe etc. Mas acredito que ele pode ser enquadrado pela lei 7.716/1989, que criminaliza a intolerância religiosa, e portanto denunciado ao Ministério Público.

Deixe-se claro aqui que votar em qualquer candidato cujo discurso e proposta atente contra o Estado laico é uma atitude antiética, já que coloca em risco os direitos e a própria vida e integridade física, social e psicológica de inúmeras pessoas, em especial pertencentes a minorias políticas, como mulheres, indígenas, negros, homossexuais, pessoas trans, queers, ateus, afrorreligiosos, espíritas, pagãos, hindus e Hare Krishnas, cristãos de inúmeras denominações, judeus, muçulmanos e tantas outras pessoas. Portanto, pelo menos o mínimo deve ser feito quanto a isso: candidatos contrários ao Estado laico e favoráveis à submissão do Estado e sociedade brasileiros a uma religião específica devem ser rejeitados nas urnas.

E depois das eleições, lembremo-nos de cobrar que a legislação eleitoral passe a punir candidatos que incorram em crime de ódio e incitem o preconceito e a discriminação em seus discursos.

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Carlos

setembro 2 2014 Responder

Aqui não é lugar de dar parabéns a quem incita o ódio e a discriminação. Comentário apagado. RFS

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