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Texto publicado no site do Diário da Manhã compara “falta de Deus” com corrupção

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Em artigo do site do Diário da Manhã do último dia 10 um leitor (cujo nome não é muito relevante aqui de se revelar) comparou a “falta de Deus” à corrupção, à “falta de vergonha” e à “falta de brio”. Isso aconteceu no texto intitulado “Resposta a Gercy Camêlo, de quem é a culpa da insegurança“, que almeja responder ao colunista Gercy Joaquim Camêlo e argumentar, ao contrário deste, que a violência urbana e rural teria sim culpados.

Nas linhas 17 e 18, o leitor afirma que “o Brasil vive hoje sob a égide da corrupção, da falta de brio, da falta de vergonha, da falta de Deus“, sutilmente culpando uma suposta falta de senso religioso na população brasileira pela insegurança nas cidades e no campo. Ele deixa a entender, ao comparar “falta de Deus” com corrupção, que pessoas “sem Deus” seriam mais propensas a cometer crimes e violar princípios éticos, reforçando o senso comum preconceituoso que coloca o ateísmo e a não religiosidade como se fossem determinantes de falta de caráter de um indivíduo.

Quem afirma absurdos como esse ignora que o Brasil nunca deixou de ser um dos países mais religiosos do mundo, com menos de 10% da população declarando-se sem religião e um número bem menor e ainda desconhecido assumindo o ateísmo. Ignora também que países com muito menos fervor religioso em sua cultura gozam de taxas muito menores de violência, como na Escandinávia, além de que muitos crimes no Brasil são motivados por preconceitos de fundo religioso, como a transfobia, a intolerância religiosa, a misoginia e o heterossexismo – ou seja, por “excesso de Deus”, não por “falta” dele.

Protestos educados devem ser deixados nos comentários do texto (para quem tem conta no Facebook). Textos que apelam para a falsa e preconceituosa crença de que a “falta de Deus” e, por tabela, a irreligiosidade e o ateísmo são determinantes para a violência e falta de caráter de um indivíduo devem ser repudiados.

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