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set14

Associação empresarial de Ponta Grossa/PR defende que beneficiários de programas de renda mínima sejam proibidos de votar
odio-a-democracia

Foto: RPC TV

A “Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa” (PR) está tentando baixar o nível da campanha eleitoral no Paraná. A entidade, composta de empresários e profissionais liberais, entregou uma lista de propostas a candidatos pontagrossenses a deputados estaduais e federais, estando entre elas a demanda para que pessoas beneficiadas por programas governamentais de renda mínima, como o Bolsa Família, tenham seu direito ao voto cassado.

O telejornal Paraná TV, da RPC TV daquele estado, mostrou a tal lista, constando a antidemocrática e elitista “sugestão”. Representantes da associação dizem que a ideia em torno de tal proposta é “provocar o debate sobre o assunto”.

Mas é possível ver, mesmo de bem longe, que o debate (?) pretendido teria a mesma “qualidade” das páginas de direita cujas pérolas Consciencia.blog.br responde. Não faltariam as mais estapafúrdias “justificativas” para se defender a cassação desse direito político das pessoas pobres que recebem ajuda de custo dos governos (muncipais, estaduais e/ou federal).

O presidente da associação diz que “o benefício como está sendo concedido, [que] não está sendo fiscalizado como deveria, pode ser sim considerado uma compra de voto. Ou criar esse vínculo entre as duas partes, e isso afeta logicamente as eleições. Entendemos que, para que houvesse lisura nas eleições, esses beneficiados não deveriam ter direito a voto.”

Esse mesmo argumento poderia ser extrapolado para proibir que, por exemplo, presidentes de empresas nacionais que recebessem financiamento do BNDES e/ou isenção ou redução de impostos, ou mesmo microempreendedores que obtivessem linha de crédito em bancos estatais fossem proibidos de votar e financiar candidaturas. Afinal, já que estão recebendo benefícios do governo e lucrando mais graças a eles, estariam tendo seu voto comprado.

Além disso, pessoas que trazem tal alegação não se lembram que membros dos poderes Legislativo e Executivo recebem diversos auxílios, dezenas de vezes maiores do que o Bolsa Família que uma família recebe. Mas nem por isso as vemos defendendo que políticos que se candidatem ou não à reeleição sejam privados do direito de ir à urna.

Menos ainda vemos essa turma defendendo que presidentes de bancos que recebem os pagamentos de juros e amortização da dívida pública também sejam proibidos de votar e financiar seus candidatos desejados. Mas quando o assunto é benefícios para pessoas pobres, vem toda uma grita clamando pela abolição dos programas sociais que os concedem e pelo constrangimento aversivo contra quem é beneficiado.

Costuma-se trazer argumentos “altruístas” sobre isso, como “lisura das eleições” e “falta de fiscalização”, mas eles não são usados para situações em que pessoas bem mais endinheiradas recebem benefícios muito mais pomposos e bem menos transparentes. Percebemos que por trás dessas “preocupações”, podem ser encontrados ódios reacionários contra o PT*, partido que unificou diversos benefícios com o Bolsa Família, e contra a própria população pobre, comumente chamada de “preguiçosa” e “mamateira” quando recebe ajudas de custo de programas sociais.

Não sei se esse é o caso da tal associação empresarial, mas não é lógico acreditar que existem boas intenções quando se tenta “debater” a cassação de direitos políticos de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Mesmo numa época em que se (tenta) debate(r) o aprofundamento dos direitos políticos da sociedade brasileira de modo que tenha mais poder de influenciar ou ditar decisões políticas, ainda temos que ver pessoas tentando minar e pôr abaixo a já tão restrita “democracia” eleitoral. Fica a dica, então, para que a população paranaense não vote em ninguém que esteja sendo apoiado pela associação de empresários mencionada.

 

*Reconhecer um ponto positivo do PT não implica defender, nem apoiar eleitoralmente, esse partido.

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