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set14

SBT Rio relativiza intolerância religiosa chamando-a de “polêmica” e perguntando opinião

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Na semana passada, o SBT mais uma vez mostrou seu descompromisso para com os Direitos Humanos, ao rebaixar à qualidade de “polêmica” um crime de discriminação por intolerãncia religiosa sofrido por uma criança. A relativização do preconceito aconteceu no telejornal SBT Rio (exclusivo para televisões do estado do Rio de Janeiro) do último dia 29.

A matéria noticiou que um menino de 12 anos havia sido discriminado por uma escola municipal, impedido de entrar na escola, por estar ostentando um colar de contas que é parte da iniciação dele no candomblé. O sofrimento da criança foi evidente, com ele declarando o horror que sentiu ao ser vítima de intolerância religiosa. A escola alegou que nenhuma pessoa responsável pela escola estava podendo falar com a equipe de reportagem do SBT.

Ficou claro o tempo todo que foi cometido um crime previsto pela lei 7.716/1989, artigos 20 e (provavelmente) 6º. Mas ainda assim a repórter afirmou que “o assunto rende polêmica”.

O rebaixamento do crime à categoria de “polêmica” se deu porque uma mulher entrevistada, claramente desconhecedora do princípio constitucional e legal do respeito à diversidade religiosa, afirmou que “é só fazer a criança tirar [o colar], colocar dentro da bolsa e entrar na sala de aula” e, se não fosse autorizado pelo pai de santo a retirá-lo, “ele tinha que ficar em casa”.

Por essa mesma lógica da equipe do SBT, se um racista fosse entrevistado e defendesse a atitude da moça que chamou o goleiro Aranha de “macaco” nesse último fim de semana, o crime cometido por ela poderia ser relativizado e considerado “motivo de polêmica” ao invés de atentado óbvio contra a dignidade humana. Nos dois casos, trata-se de submeter os direitos de uma pessoa vítima de preconceito à legitimação ou negação por uma outra que não o sofre.

Essa relativização de um preconceito soma-se aos diversos outros casos de negligência da emissora perante os Direitos Humanos, como a manutenção em seus quadros personalidades reconhecidamente inimigas dos direitos alheios e a sujeição de minorias, como as travestis, a um preconceito coisificador em rede nacional. E aumenta o acervo de provas existentes a serem usadas por uma eventual ação civil pública para exigir, num futuro próximo, a cassação da concessão do SBT.

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josue oliveira

junho 20 2015 Responder

Na semana passada, o SBT mais uma vez mostrou seu descompromisso para com os Direitos Humanos,
Uma clara posição parcial e tendenciosa deste Blog! Direitos Humanos deveria ser para vitimas em geral de crimes contra a vida e liberdade de expressão até onde vai o direito do outro!

    Robson Fernando de Souza

    junho 20 2015 Responder

    Não entendi a crítica. Foi ao SBT, ao blog ou a ambos?
    E você discordou do SBT ou do blog?

Paulo Vitor

setembro 11 2014 Responder

Hove preconceito religioso, o que de fato é absurdo, mas você usaria o mesmo critério se uma criança cristã fosse proibida de entrar na escola com um crucifixo no pescoço, como acontece na França por exemplo ? Eu li outras postagens no seu blog sobre religião e percebi claro sentimento anticristão, por isso tenho essa curiosidade.

    Robson Fernando de Souza

    setembro 11 2014 Responder

    Em primeiro lugar, eu acusaria sim preconceito religioso nesses casos. E em segundo, eu gostaria de saber quais são essas postagens supostamente anticristãs aqui do blog (considerando que o Consciencia.blog.br abandonou qualquer traço de neoateísmo há anos e apagou todos os seus posts neoateístas ainda em meados de 2010).

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