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Aécio Neves está devendo uma declaração sobre a atual onda de ódio sociopolítico e criminal

aecio-agressivo

Os resultados do primeiro turno presidencial e a tendência ascendente que Aécio Neves passou a ter desde então – mas que pelo visto parou e até começou a se reverter – trouxeram uma avassaladora epidemia de ódio político, social e criminal pelo Brasil. Diante de tantos discursos criminosos de aversão contra nordestinos, negros, pessoas pobres, petistas e militantes de esquerda, o candidato tucano a presidente está devendo uma declaração oficial sobre essa onda raivosa movida pelo antipetismo fanático plantado nas massas.

Já é sabido de praticamente todos nós que o otimismo (inicial) da direita conservadora brasileira diante das chances elevadas de Aécio ganhar no segundo turno, assim como a abundância de votos a Dilma vindos do Nordeste e do Norte no round anterior, jogaram um balde de gasolina no já ardente fogo do ódio social e do fanatismo político antipetista em muitos lugares do país.

E isso trouxe para fora da escuridão do subterrâneo muito do ódio que grande parte da classe média conservadora brasileira tem contra diversas minorias políticas. No caso atual, pobres, negros e nordestinos têm sido os alvos mais visados. Multiplicararam-se nas redes sociais, talvez aos milhares, as declarações criminosas que pregavam a discriminação óbvia e explícita, a segregação e/ou até mesmo o extermínio de pessoas pertencentes a tais categorias.

E ao mesmo tempo, disseminou-se e radicalizou-se um furioso e fanático ódio contra o PT, alimentado há mais de uma década pela mídia corporativa, por igrejas cristãs de clero politicamente reacionário e também por sites, blogs e páginas sociais assumidamente de direita. Repetem-se, sem qualquer senso crítico, bordões como “Fora PT”, “Fora Dilma” e “Fora coruPTos”. E segundo Consciencia.blog.br já alertou, estão se multiplicando os casos de hostilização verbal e até mesmo violência física contra eleitores de Dilma.

Mas Aécio se comporta como se nada de absurdo estivesse acontecendo entre seu eleitorado. Ele tem ignorado o fato de que eleitores seus estão promovendo e levando às últimas consequências um ódio que funde múltiplos preconceitos sociais com convicção política baseada em passionalismo fanático e aversão doentia ao partido oposto. Isso mesmo quando o seu próprio partido, o PSDB, tem se mobilizado, num tímido mas existente sinal de desaprovação perante tudo isso, para apurar se muitos dos discursos racistas que têm aparecido realmente vieram de perfis falsos mantidos por militantes pró-Dilma.

Em momento nenhum, até hoje, ele em pessoa emitiu uma nota escrita ou declaração oral de repúdio e oposição aos ataques verbais ou físicos de ódio social e político que têm condenavelmente sujado a já turbulenta disputa de votos entre as duas facções do eleitorado brasileiro. Ele não tem manifestado rejeitar o apoio e o voto dos autores dos discursos criminosos contra nordestinos, negros e pobres, nem dos agressores que têm literalmente atacado dilmistas nas ruas e na internet.

Pelo contrário, às vezes fica parecendo que ele se aproveita da onda de antipetismo fanático. E até ajuda a jogar gasolina na fogueira, como nas considerações finais do agressivo debate do SBT na quinta-feira passada. Naquela ocasião ele fez menção ao “tamanho desgoverno” atribuído à adversária e acusou-a de “dividir de forma perversa e pouco generosa o Brasil entre nós e eles” e tratá-lo “como inimigo a ser abatido a qualquer custo”.

Diz que vai “libertar” o Brasil de “toda essa corrupção e desgoverno”. Subvaloriza a apologia ao lado racional – se é que esse lado existe – da escolha pelo voto a ele. E mantém o antipetismo passional, a revolta (seletiva) contra “tudo o que está aí”, como o motivo supremo para se votar nele. Tanto que muita gente não faz a mínima ideia do que ele realmente propõe, tampouco da qualidade do seu programa de governo, de suas propostas.

Votam em Aécio unicamente pela obsessão, quase patológica, de ver o PT ser derrotado nas urnas de qualquer jeito e obrigado a deixar o Palácio do Planalto. E ele parece estar tirando vantagem disso, manipulando e usando as emoções das pessoas – e negligenciando o incentivo ao uso da razão, talvez porque ele perde feio quando as propostas, as histórias de vida e as posturas pessoais dele e de Dilma são comparadas com critérios racionais – para tentar triunfar no próximo domingo. E as consequências mais extremas disso já estamos vendo por aí.

Sobre isso tudo, Aécio nos deve uma satisfação, uma explicação, uma declaração oficial. Senão, como diz o tradicional ditado, “quem cala, consente”. E esse constrangedor silêncio o coloca, para dizer o mínimo, como suspeito de estar incitando a irracionalidade política e o fanatismo e afundando no lago de lama a já combalida consciência coletiva política de grande parte dos cidadãos brasileiros.

 

P.S.: Este post não nega que Dilma também tem o dever moral de dar uma declaração sobre as baixarias promovidas por parte de seu eleitorado. Mesmo não tendo resultado nas mesmas consequências extremas de discursos criminosos de ódio e agressões verbais e/ou físicas disseminadas, a baixaria vinda de dilmistas também tem sido decisiva para manter na imaturidade e na semibarbárie o debate político no Brasil. E antes que novas menções à professora que ofendeu eleitores de Aécio em Brasília, o Partido Comunista Brasileiro, ao qual ela diz pertencer, já deslegitimou o discurso dela, reiterou sua opção pelo voto nulo e prometeu tomar providências contra ela.

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