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Antes de achar que algo “não é preconceituoso”, pergunte antes à minoria afetada se realmente não foi preconceituoso

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É muito frequente entre pessoas pertencentes a categorias dominantes (pessoas brancas, homens, heterossexuais, pessoas cisgêneras, gente de classe média a alta etc.) julgar que determinado discurso, seja ele escrito, oral ou imagético, “não foi preconceituoso” mesmo sem terem ouvido a opinião de pessoas potencialmente afetadas por ele. Essa atitude é equivocada e precisa ser revista, em nome da empatia, da alteridade e da justiça.

Por exemplo, uma “piada” que menciona pejorativamente negros pobres é julgada por um branco de classe média como não tendo sido racista nem elitista. Isso acontece mesmo que esse branco não tenha parado para ouvir a opinião de pessoas negras de bairros pobres, se elas acharam ou não tal “piada” discriminatória contra si. E em muitos casos, o indivíduo em questão não aceita ser questionado, reage como se tivesse dado o veredito de uma verdade absoluta cuja discordância deveria ser respondida com punição.

O que acontece é que pessoas de categorias dominantes, a depender de em quais destas se incluem, não sofrem com a violência simbólica trazida por discursos opressores. Nem são atingidos pelas consequências dessas opressões. E isso as faz não ter bagagem e autoridade moral para julgar algo como não opressivo.

Como exemplo, pensemos que pessoas brancas não têm como julgar que determinado discurso “não é racista”. Afinal, elas não sofrem com as violências do racismo velado ou explícito. Também homens cis não têm capacidade de considerar algo como “não machista”, “não misógino”, já que não são as vítimas-alvo do machismo e da misoginia, não sofrem suas consequências mais fortes e cruéis.

Daí o melhor a se fazer, antes de bater o martelo e dizer que algo “não foi racista/machista/heterossexista/transfóbico/elitista/etc.” é perguntar àquelas pessoas que podem ter se sentido ofendidas e atingidas por esse algo o que elas acharam. Elas têm muito mais vivência como vítimas de preconceito, sentem de verdade na pele a dor de ouvir ou ler discursos opressores e sofrer as consequências posteriores do reforçamento dessas violências. Muito mais do que quem não é atingido.

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