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Dilma é reeleita. Campanha da redenção vence campanha do ódio. Depois de comemorar, voltaremos a cobrar

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Dilma Rousseff foi reeleita presidenta ontem, e governará o Brasil por mais quatro anos. Sua vitória representa o triunfo de uma campanha marcada, no segundo turno, pela evolução e redenção. E traz o alívio de não termos que aturar um quadriênio de “reinado” absoluto do conservadorismo nos poderes executivo e legislativo em Brasília. E de agora em diante serão retomadas as críticas e a oposição vinda de quem declarou voto crítico nela para não deixar Aécio Neves ganhar.

Foi bem perceptível, pelo menos aos meus olhos, que a militância pró-Dilma evoluiu ao longo das últimas três semanas, enquanto a pró-Aécio degenerou-se. Dilmistas começaram o segundo turno em pânico, apelando para o medo, divulgando boatos e partindo muitas vezes para baixaria, na tentativa de mostrar desesperadamente que Aécio não merecia ser eleito. Foi a fase da luta entre o medo e o ódio.

Mas na última semana, depois de comportamentos estúpidos por parte do candidato tucano, como seu machismo escancarado, sua dificuldade de apresentar propostas mais profundas do que um pires, aspectos bizarros de seu histórico sociopolítico e o bom desempenho – ainda que não excelente – de Dilma nas pesquisas, a presidenta cresceu nas pesquisas e Aécio passou a cair.

Com isso a militância pôde se acalmar mais e adotar métodos mais limpos de conquista de votos. Dilma e dilmistas voltaram a poder inspirar esperança pela continuidade um modelo de políticas públicas que, segundo o programa eleitoral e os dados da economia e do social – como a queda do desemprego e a saída do Brasil do mapa-múndi da fome -, mostrou ter dado certo. A presidenta passou a apresentar uma agenda positiva, não mais tão fortemente ligada ao medo do retrocesso que viria com uma vitória de Aécio.

Já ele e sua militância desceram a ladeira. De um início otimista, marcado por amplos apoios e a esperança de muita gente de enfim ver o PT sair do poder depois de doze anos, o tucano viu sua candidatura começar a dar defeitos. Aliás, os aecistas desde o começo já transpiravam ódio contra minorias políticas – com ênfase em pobres, negros e nordestinos.

E esse ódio, que mesclava aversão criminosa a essas minorias com antipetismo fanático, foi se tornando cada vez mais forte. E passavam vergonha nas ruas, com seu fanatismo e seu ímpeto de violência contra seus opositores, como os vídeos da Folha de S. Paulo e da Carta Capital (vídeo 1, vídeo 2, vídeo 3) mostraram.

Paralelamente a isso, Aécio mostrou-se agressivo, machista e vazio nos debates com Dilma. Suas propostas não tinham nenhuma profundidade, tinham um caráter evidentemente demagógico. O próprio tucano comprou a carapuça de incitador do ódio político irracional contra o PT – culminando com discursos exaltados seus e a sua “grande proposta”, enfatizada no debate da Globo, de “acabar com a corrupção” apenas tirando o PT do poder.

Os próprios eleitores já convictos, críticos ou não, de Dilma aproveitaram isso para mostrar que, com uma parcela representativa de eleitorado tão estúpida e apoios tão perigosos – como os mais “renomados” nomes do ódio brasileiro, a exemplo de Silas Malafaia, Marco Feliciano, Levy Fidelix, Jair Bolsonaro, e dezenas de páginas de ódio misógino, reacionário, elitista e heterossexista -, era cada vez mais tenebroso o voto em Aécio.

E depois de horas de apreensão, ontem Dilma conseguiu êxito. Quando ela obteve a vitória matemática nos votos, o clima foi de alívio e comemoração para quem havia votado nela, e mais ódio ainda para quem havia votado em Aécio. O ódio contra nordestinos, pobres e negros voltou a se alastrar nas redes sociais. Gente que odeia a democracia começou a pedir impeachment contra a presidenta reeleita, num autêntico lamento de mau perdedor.

Depois desse alívio de quem votou em Dilma para impedir a volta do PSDB ao Palácio do Planalto, é hora de voltar à cobrança e, também, à oposição à esquerda. Ela, em seu discurso de vitória, não deu perspectiva de que vai de fato virar à esquerda – o que até era esperado diante de um Brasil dividido quase ao meio e que poderia explodir em ainda mais revolta antipetista caso ela, logo de cara, desse uma de Evo Morales ou Fernando Haddad. E apesar de não ter investido (tanto) na conquista de votos conservadores como havia feito em 2010, ela não abriu mão de seu apoio ao agronegócio e ao militarismo da segurança pública, duas bandeiras de direita.

Daí é hora de acordar do “sonho” de ver o Brasil ser “salvo” de 4 anos de governo tucano, e voltar à oposição. Denunciemos cada postura conservadora que ela e seu governo adotem nos próximos quatro anos. Se a presidenta e o PT voltarem a endireitar, vamos às ruas de novo. E antes de voltarmos a demandar a radicalização da democracia brasileira, precisamos investir primeiro em promover o amadurecimento político da população, que, mesmo em sua parcela pró-Dilma, se mostrou muito imatura e violenta ao “debater” política durante o segundo turno.

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Gustavo

outubro 27 2014 Responder

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