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out14

Em comícios no Centro-Oeste, Aécio Neves alimenta o ódio antipetista de seu eleitorado

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O presidenciável Aécio Neves está pegando pesado em seus comícios. Em discursos exaltados feitos em Campo Grande e Goiânia, ele na prática incitou ainda mais ódio contra a candidatura de Dilma, o PT e, indiretamente, os apoiadores dos mesmos. Ele mesmo mostra que alimenta a fornalha do ódio antipetista, e assim faz a consciência política do brasileiro médio dar passos para trás.

A Folha de S. Paulo relata um discurso raivoso vindo dele no comício feito em Campo Grande ontem:

Em um dos discursos mais exaltados da campanha até agora, o presidenciável Aécio Neves (PSDB) declarou nesta terça-feira (21) que irá “libertar o país do PT”, e que “não tem medo” dos adversários.

[…]

“Vou libertar o país desse partido político que tomou conta do Brasil e esqueceu dos brasileiros”[, discursou].

[…]

Aécio disse que vai “refundar a Federação do Brasil”. “Vou vencer as eleições e vou tirar o PT do governo federal”, afirmou.

O candidato ainda pediu que os militantes sejam a sua “voz rouca para dizer: basta de PT”. “Sejam a minha coragem, a minha determinação.”

E O Globo mostrou que, na noite do mesmo dia, ele havia feito em Goiânia um comício também marcado pela incitação à exaltação popular contra o partido de Dilma:

Em tom quase messiânico, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse na noite de ontem, na Praça Cívica, no centro de Goiânia, que pretende “libertar” o País do “tempo da infâmia e da mentira”. Ele acusou o governo de Dilma Rousseff, adversária do PT que disputa a reeleição, de autoritarismo. “Nestes cinco dias que nos separam da grande libertação, sejam a minha voz rouca, sejam a minha coragem, para que possamos mudar de verdade o Brasil”, afirmou.

[…] “Assim como há 30 anos Tancredo convocava de Goiás todos os brasileiros para deixar o regime autoritário, quero convocar os brasileiros a deixar para trás o tempo da corrupção, do desgoverno, da irresponsabilidade, da infâmia e da mentira”, afirmou. “Vamos construir um Brasil novo, onde todos têm oportunidade de construir o seu destino.”

Anteontem eu mostrei que Aécio está devendo uma declaração ou nota oficial sobre a onda de discursos de ódio contra nordestinos, negros e pobres que se alastrou pelo Brasil nos dias seguintes ao segundo turno. E expus também que ele não falou nada ainda sobre as agressões verbais e físicas cometidas por eleitores fanáticos seus contra apoiadores de Dilma. Mas os discursos feitos nesses dois comícios mostram claramente que ele nunca irá dar tal declaração contrária à violência política criminosa promovida por gente de seu eleitorado.

Ele não falar nada sobre isso, porque ele mesmo é cúmplice desse alastramento do ódio antipetista fanático. Ele está ajudando a alimentar ainda mais a transformação do que deveria ser um momento de debates políticos sérios num tempo de quase literal guerra eleitoral. E também pode-se presumir que ele tem medo de perder uma grande quantidade de votos caso diga não aceitar o apoio de gente criminosamente intolerante.

Por outro lado, Dilma e Lula também têm promovido discursos imprudentes, como quando o ex-presidente comparou os ataques à candidatura dela promovidos por tucanos à perseguição política promovida pelos nazistas na Alemanha das décadas de 1930 e 40, e quando a presidenta afirmou que “não [irá] deixar pena de tucano presa. Só voando por aí”.

Mas Aécio, apesar de dizer em vários momentos que considera ataques dirigidos a ele “inaceitáveis”, responde com mais ataques, e não promove a moralização do debate político. Pelo contrário, logo depois de dizer que gostaria de jogar água para apagar a fogueira, joga gasolina nela.

Desce a lenha no eleitorado de Dilma, acusando-o de baixo nível, mas mantém um interesseiro silêncio sobre a baixaria promovida por seus próprios eleitores. E usa seus comícios para incitar ainda mais hostilidade contra o outro lado, não percebendo – ou fingindo não perceber – que isso tem ajudado a transformar oposição política em inimizade, violência e descarga de discursos criminosos de ódio social.

Fica clara a contribuição de Aécio Neves para o retrocesso da saúde da democracia(?) brasileira. Numa época em que se tinha a ilusão, desde os protestos de junho do ano passado, de que o Brasil enfim estava começando a reivindicar uma democracia mais madura e avançada, vemos essa crença descer pelo ralo e ser substituída pela decepção em ver o acirramento do ódio como forma irracional de manifestação política, a um nível que não se viu talvez nem na campanha presidencial de Collor vs. Lula. E um ódio que, graças aos discursos de pessoas como o candidato tucano, tem sido promovido a um nível mais perigoso, o da intolerância e da violência contra opositores e contra minorias políticas historicamente oprimidas.

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