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out14

A hipocrisia dos conservadores que dizem “pedir mudança” mas votaram pela conservação da “lama” política brasileira
Muitos conservadores bradam "É a porra do Brasil!" quando alguma banda toca cover dessa música de Legião Urbana. Mas seus votos contribuem para que o seu país continue uma "porra".

Muitos conservadores bradam “É a porra do Brasil!” quando alguma banda toca cover dessa música de Legião Urbana. Mas seus votos contribuem para que o seu país continue a “porra” da qual tanto reclamam.

Tem-se tornado bastante visível, ainda mais neste ano, o fato de que uma enorme parcela de eleitores conservadores de direita tem-se atribuído o suposto esforço de “exigir mudanças e decência na política”. Mas essa alegada atitude tem sido contrariada com hipocrisia: esse eleitorado direitista é uma das categorias de eleitores que mais têm contribuído para a perpetuação, ao invés da mudança, no estado de sujeira do quadro político brasileiro, seja no Congresso federal, seja nos estados e municípios.

Muitos deles falam que são “conservadores pedindo por mudanças”, ao ponto em que aplaudem o slogan da candidatura do presidenciável Aécio Neves – “Muda, Brasil”. Mas na prática essa “mudança” foi traduzida como um aprofundamento ainda mais radical do cenário atual dos poderes Executivo e Legislativo.

Vociferam muito contra a corrupção cometida por membros do PT, e daí parecem crer que, tirando o PT do Poder Executivo e diminuindo o máximo possível as bancadas estaduais e federais do partido, o Brasil será verdadeiramente um país com “menos corrupção”, ou mesmo “livre da corrupção”.

Mas na tentativa de realizar esse desejo antipetista, elegem os primeiros elementos que aparecem pela frente fazendo canto de sereia. Mesmo sendo gente conhecidamente corrupta da bancada evangélica teocrática, tucanos cujos nomes também estão sujos e não foram inocentados e ruralistas envolvidos com trabalho escravo, destruição ambiental e fraudes fundiárias.

Em outras palavras, bradam “Tudo contra o PT!”, mas omitem que, nesse “tudo”, está incluído até mesmo eleger corruptos não petistas. Pelo que fica aparente, não é a corrupção o que esse eleitorado conservador odeia e quer ver acabar, mas sim o PT e os mandatos de seus parlamentares e governantes. E o argumento “contra a corrupção” é apenas uma fachada para disfarçar de altruísmo esse ódio político.

E agora, quando o próximo plantel do Congresso Nacional começar a exalar seus fedores de corrupção, rasgamento da Constituição e demais crimes, os conservadores que o colocaram no poder não terão qualquer moral para reclamar. Desfrutarão integralmente do país ao qual a banda Legião Urbana se referiu na música “Que País É Esse?”.

Essa parcela da direita que tanto diz “querer mudanças” votou justamente para que elas continuem sem acontecer. Ao invés de um quadro político estadual e federal mais justo e democrático e menos corrupto, teremos a partir de 2015 o exato contrário.

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