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Intolerância religiosa engrossa guerra de baixaria entre eleitores de Dilma e de Aécio

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A baixaria na campanha eleitoral do segundo turno presidencial tem vindo dos dois lados, e um dos aspectos mais escabrosos dela é o apelo e incitação à intolerância religiosa. Dilma Rousseff tem sido apontada como supostamente ateia, e Aécio Neves é “acusado” de pertencer à maçonaria, e eleitores de ambos têm explorado essas suposições como “razões” para que um ou o outro não receba votos.

Embora os dois não sejam – pelo menos até onde se sabe – nem ateus (Dilma afirma ter dúvidas sobre se Deus existe ou não) nem maçons (o Boatos.org desmentiu os rumores de filiação de Aécio à maçonaria), suas crenças ou descrenças religiosas, quaisquer que fossem, não deporiam em nada contra seu caráter e suas realizações políticas. Mas o criminoso preconceito de alguns eleitores dos dois lados tenta dizer que o suposto ateísmo de Dilma e a suposta filiação maçônica de Aécio lhes implicariam sim falta de caráter e de competência.

A incitação à intolerância religiosa tem sido veiculada através do compartilhamento de vídeos como esses dois abaixo:

Dilma, a suposta ateia, em entrevista à Folha de S. Paulo na época em que era ministra-chefe da Casa Civil:

Aécio, o suposto maçom:

Os dois vídeos têm sido divulgados, por intenção maliciosa ou puro fanatismo religioso, no Facebook, como os dois prints abaixo exemplificam:

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Nessa guerra de intolerância, alguns cristãos com déficit de senso crítico e respeito às diferenças têm sido convencidos de que Dilma seria uma pessoa de mau caráter por alegadamente não crer em Deus. E outros que possuem a mesma debilidade têm ouvido, e acreditado, que a maçonaria seria uma ordem mística diabólica, “satanista”, veneradora do Diabo, e por isso Aécio, sendo supostamente um maçom, seria um ser humano maligno.

Com isso tudo, a democracia sai perdendo feio. Numa época em que se havia plantado, depois dos protestos de junho de 2013, a ilusão do despertar da consciênica política das massas, toda essa crença foi por água abaixo. Crimes de ódio são cometidos dos dois lados – embora, no aspecto da violência física e verbal, eleitores de Aécio estejam se sobressaindo – na tentativa desesperada de arrancar votos uns dos outros. Enquanto isso, o debate de ideias e ideologias e a análise racional e lúcida das competências dos dois candidatos e de suas equipes ficam em segundo plano.

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