27

out14

Se quisermos ver Dilma esquerdar, precisaremos fazer muita pressão
Marcelo Freixo também deverá voltar à oposição de esquerda ao PT, depois do voto crítico em Dilma

Marcelo Freixo também deverá voltar à oposição de esquerda ao PT, depois do voto crítico em Dilma

Depois da suada vitória de Dilma Rousseff nas urnas, é hora de quem lhe deu voto crítico voltar à oposição à esquerda. Depois do “pacto de não agressão” durante o segundo turno, desprendamos a respiração e soltemos o ar. Denunciemos cada aspecto conservador de suas propostas e perspectivas para os próximos quatro anos. E este artigo presta uma contribuição para mostrar à população que votou nela que, se não fizermos pressão para que ela vire à esquerda, o direitismo opressor que ditou grande parte das políticas encabeçadas por ela vai continuar, ou mesmo piorar.

Relembremos que, ao longo do primeiro mandato, Dilma comandou uma série de políticas opressoras e conservadoras, como:
– Privatizações de ferrovias, rodovias, portos, aeroportos e poços de petróleo, sob o eufemista rótulo de “concessão”;
– Alianças espúrias com parte da direita conservadora do Congresso, como os ruralistas, os teocratas evangélicos e nomes como Fernando Collor, José Sarney, Katia Abreu, Paulo Maluf, Renan Calheiros e Jader Barbalho;
Apoio total e suporte à repressão e às consequentes violações de Direitos Humanos e liberdades constitucionais antes, durante e depois da Copa do Mundo de 2014;
– Manutenção de uma segurança pública militarizada, com rejeição à proposta de desmilitarizar as PMs;
– Oferecimento de ajuda da Força Nacional para reprimir os protestos de junho de 2013;
Apoio às famigeradas Unidades de Polícia “Pacificadora” nas comunidades pobres do Rio de Janeiro;
A manutenção intocada da “guerra às drogas” como política de segurança pública;
– Recuos em políticas de Direitos Humanos, como a revogação de medidas em prol das mulheres, pessoas trans e pessoas não héteros, na tentativa de aplacar as demandas dos evangélicos teocratas;
– Política ambiental desprezível, com aumento do desmatamento, desmantelamento do Código Florestal, apoio da bancada ruralista e estagnação na criação de unidades de conservação;
– Início e continuidade, contra tudo e todos, das obras da internacionalmente condenada Usina de Belo Monte, com direito a exaltação da mesma em sua propaganda eleitoral, além de várias outras usinas de alto impacto socioambiental nos rios da Amazônia;
– Demarcação de terras indígenas e quilombolas e reforma agrária quase zeradas, tendo sido piores do que nos governos de Collor e Fernando Henrique;
Apoio irrestrito ao agronegócio, ao modelo agrocapitalista e concentrador de terras, por mais crimes contra o meio ambiente e a vida humana e não humana que os latifundiários rotineiramente cometam;
– Políticas econômicas de apoio praticamente irrestrito às grandes empresas, diminuindo os impostos das montadoras automobilísticas e garantindo lucros recordes aos bancos;
Incentivo à compra e ao uso do carro, em detrimento da valorização do transporte público;
Silenciamento sutil de sindicatos e movimentos sociais, que acabaram deixando de lado a luta política de esquerda e assumindo uma postura pelega;
Despolitização da sociedade, com esta sendo induzida a acreditar que ganhar cidadania é passar a poder comprar e consumir, e não ter seus direitos (educação, saúde, segurança, ir e vir, usufruto de um meio ambiente íntegro etc.) consolidados e adquirir consciência política – tendo essa política, inclusive, rendido muitos votos a Aécio Neves;
– entre diversos outros pontos.

Não é porque teve o apoio crítico de uma grande parcela da esquerda, bem mais do que de setores conservadores da sociedade, que Dilma vai garantir uma guinada à esquerda e a revisão de diversas políticas de direita que havia promovido nesse primeiro mandato. Vai ser preciso fazer muita pressão, ainda mais considerando-se que ela terá como pedras no caminho o Congresso mais reacionário dos últimos 50 anos. Consideremos também que provavelmente a direita fanática vai apontar à cabeça da presidenta um fuzil das forças armadas, ameaçando golpe de Estado caso ela dê uma de João Goulart e esquerdize seu governo.

Por isso fica claro que é hora de acordar, depois do sonho de ver o PSDB ser mantido fora do poder por mais quatro anos. Depois do voto crítico, voltemos à oposição de esquerda. O sonho de um governo petista que respeite as bandeiras da esquerda que a apoiou só vai ser realizado, e olhe lá, com pesada militância dos movimentos sociais, de partidos como PSOL e PSTU e da parcela da sociedade que não se deixou seduzir politicamente pela sereia da inclusão econômica.

imagrs

1 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo