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out14

Uma última palavra sobre as eleições antes do segundo turno de amanhã

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Amanhã vai ser o esperado dia do segundo turno das eleições presidenciais, e a expectativa nervosa aflora dos dois lados. Não se tem a mínima ideia de quem de fato vai ganhar. E nisso chega ao fim uma das mais nervosas épocas eleitorais, senão a mais nervosa, desde a redemocratização.

As campanhas dos dois lados mesclaram, a níveis distintos, carnaval, desfile de torcida organizada e procissão de seita religiosa fanática. Mostraram que grande parte da população brasileira não incorporou em seus valores socioculturais e políticos o espírito democrático, da tolerância, da discordância respeitosa, do repúdio a maniqueísmos e terrorismos psicológicos.

Mas foi possível perceber, pese a minha visão enviesada por minha subjetividade política, que houve de certa forma uma evolução da militância pró-Dilma. De uma primeira semana permeada de apelos ao medo, boatos desesperados contra Aécio, amadureceu-se para uma última semana abençoada de otimismo, esperança, propagandas felizes e também denúncias embasadas cada vez mais impactantes, embora alguns poucos apelos ao medo continuassem brotando.

Já o lado de quem apoia Aécio eu percebi que permaneceu empesteado por ódio e mais ódio, além de ignorância tanto sobre História do Brasil e Sociologia como sobre as próprias propostas feitas pelo candidato. Focou-se demais o “Fora PT”, o ódio antipetista, o ato de votar em qualquer pessoa que implique a derrota do PT, e de menos o que o tucano teria de bom (?) para oferecer num eventual governo federal seu.

Um outro fato que eu percebi foi que há uma grande esperança, entre muitos votantes em Dilma, que ela vá guinar à esquerda a partir de 2015 caso seja reeleita. Isso pôde ser visto pelo fato de que pouco ou nada se viu, nesse segundo turno, de Dilma tentar cativar a parcela conservadora do eleitorado, diferente do que havia acontecido em 2010. Pelo visto, se for reeleita, será graças a uma grande parcela da esquerda brasileira e da população pobre.

No meio disso tudo, declarei meu voto crítico em Dilma, por muitos motivos pró-Dilma e anti-Aécio. Não estou afim de ver o sistema sociopolítico e econômico brasileiro se tornar ainda mais opressor do que já é. E torço muito, com o coração na mão, que ela consiga se reeleger e impedir a volta do tucanato do Palácio do Planalto.

E nisso eu aguardo, ao longo das tensas horas de hoje, o resultado da apuração. Ela e ele têm chances fortes de ganhar, embora Dilma tenha um pouco mais probabilidade de triunfar. Não verei o resultado como o triunfo do bem sobre o mal, ou vice-versa, mas sim como a manutenção de um modelo de governança que tem garantido um mínimo de dignidade às pessoas mais sofridas ou a vinda de uma pseudomudança que trará retrocessos diversos para a sociedade.

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2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

HELOISA HELENA

outubro 26 2014 Responder

Realmente, a campanha foi de tirar o fôlego, Robson! E valeu, votei na Dilma pelo mesmo motivo: “a manutenção de um modelo de governança que tem garantido um mínimo de dignidade às pessoas mais sofridas”. Podemos respirar mais tranquilamente, embora eu acredite que ela terá muitas dificuldades, principalmente com o novo Congresso,

    Robson Fernando de Souza

    outubro 27 2014 Responder

    Pois é, Heloisa. Foi muito sofrida essa campanha. E o medo de Aécio ganhar marcou o dia inteiro ontem.

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