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nov14

Os médicos e os monstros: a ascensão do anti-humanismo reacionário entre parte da classe médica brasileira
O conto de Dr. Jekyll parece estar inspirando a convicção moral de muitos graduandos e graduados em Medicina. Agem como "médicos monstros" ao declararem seus ódios sociais e políticos

O conto de Dr. Jekyll parece estar inspirando a convicção moral de muitos graduandos e graduados em Medicina. Agem como “médicos monstros” ao declararem seus ódios sociais e políticos

As notícias que têm pipocado desde o lançamento do programa governamental federal Mais Médicos apontam para o crescimento da notoriedade de uma parcela nada ética da classe médica brasileira. Sabe-se cada vez mais que as faculdades de Medicina estão formando muitos profissionais completamente descomprometidos com os Direitos Humanos, a situação geral da saúde no Brasil, os demais problemas da sociedade e o respeito aos seus pacientes.

Toma-se cada vez mais conhecimento de que os cursos médicos brasileiros, ou pelo menos alguns deles, estão sendo ninhos de “médicos monstros” que fazem o clássico conto de Dr. Jekyll e Mr. Hyde parecer conto de fadas infantil. Racistas, misóginos, criminosos, anti-humanistas, reacionários fanáticos, muitos graduandos e graduados em Medicina estão dando perspectivas sombrias de um sistema público e privado de saúde cheio de profissionais desprovidos de ética e humanidade.

Tomaram-se manchetes nos jornais dessa semana os casos de misoginia, racismo e crimes sexuais protagonizados por estudantes de Medicina, como no caso do hino da bateria estudantil na USP de Ribeirão Preto e dos estupros nas festas da Faculdade de Medicina.

Um fórum virtual de médicos e alunos de Medicina no Facebook ganhou notoriedade da sociedade também por atentados aos Direitos Humanos. De lá saíram várias declarações de ódio a nordestinos, a pobres e a eleitores de Dilma, além de apologias a crimes contra a humanidade e discursos de inspiração nazista.

No ano passado, haviam ganhado notoriedade as manifestações reacionárias de parte da classe médica contra a vinda de doutores cubanos a qual visava preencher lacunas no atendimento médico público em muitas cidades brasileiras. Nessa ocasião, também foram notáveis o racismo e o ódio de classe vindo de pessoas que se supõe que deveriam estar a serviço da vida e dignidade humanas, e não contra ambas.

Por trás de todo esse ódio criminoso, está uma forte e fanática convicção político-ideológica radical de direita. É uma postura que tende ao fascismo e ao ultraconservadorismo, propagando ódio contra os Direitos Humanos, a democracia, a esquerda brasileira, o PT e os setores da população mais beneficiados pelas bandeiras e políticas sociais sustentadas por ambos.

Enquanto tudo isso tem acontecido, os conselhos federais e regionais de profissionais de saúde têm-se mantido omissos. Não têm parecido estar comprometidos em lidar com o problema da formação de médicos anti-humanistas carregados dessa quase psicopatia moral e social. Pouco ou nada têm feito perante a misoginia, o racismo e a falta de escrúpulo político vindos de muitos profissionais e estudantes.

Não parecem se incomodar perante essa degradação da reputação da classe médica brasileira. Nem com o fato de que, por causa do ódio sociopolítico de alguns, queima-se o filme de toda uma categoria de profissionais.

Evidencia-se que a sociedade precisa cobrar dos conselhos e das instituições universitárias uma postura perante esse crescente anti-humanismo. Essa cobrança precisa se intensificar desde já, considerando-se que esse problema, em última análise, põe em risco a vida de milhares ou mesmo milhões de seres humanos.

imagrs

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haroldo

novembro 13 2014 Responder

bacana o texto
mas voce acha que o crm conselho regional de medicina, orgão incompetente e acomodado vai fiscalizar isso?

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