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5 mitos sobre o aborto

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por Roberta Gregoli, do blog Subvertidas, adaptado

Dando continuidade ao meu post da semana anterior a este artigo e aproveitando as ótimas novas de que oUruguai é o primeiro país da América Latina a descriminalizar o aborto, revisito o tópico. Já vi várias versões de mitos sobre o aborto circulando pela internet, mas resolvi criar a minha própria lista, na esperança de adicionar meu vintém ao debate:

1. “Ser a favor do aborto é ser contra a vida” ou “Aborto é assassinato”

Este é, na minha opinião, o argumento mais sedutor contra a legalização do aborto, e também o mais moralizante. Primeiramente, o conceito de vida deve ser tratado com muito mais complexidade do que normalmente vemos por aí. Um feto sem cérebro, que não tem chance nenhuma de sobreviver, é vida? Um óvulo fecundado é vida?

Na verdade, existem diversas teorias sobre quando a vida começa. A Igreja Católica diz que é no momento da concepção, e essa é sem dúvida a ideia mais difundida no Brasil. Mesmo dentro da Igreja Católica, no entanto, há uma corrente dissidente chamadaCatólicas pelo Direito de Decidir, que realiza um trabalho excepcional.

Se não há definição em relação ao conceito de vida, a questão é somente moral e religiosa e daí, num Estado laico, cabe a cada um fazer a sua escolha. Moral e crença religiosa não se impõem com leis.

O ponto central é que um embrião não é uma pessoa dotada de direitos e interesses – ao contrário da mulher. E então uma pergunta merece consideração: a “vida” de um embrião tem mais valor do que a vida de uma mulher? Porque o aborto inseguro é a terceira maior causa de óbitos maternos no Brasil.

Podemos, então, inverter completamente o argumento e dizer que a criminalização do aborto que é, na verdade, contra a vida – a vida de milhões de mulheres que fazem abortos inseguros. “Assassinato sancionado pelo Estado”, como muitos gostam de apelar em relação à descriminalização do aborto.

 

2. “Se legalizar, todo mundo vai sair por aí abortando”

Em outras palavras, o número de abortos aumentaria, certo? Errado. É comprovado que nos países onde o aborto é legalizado, o número de abortos é muito menor do que nos países onde é criminalizado.

A taxa na América Latina, onde as leis são altamente restritivas, é de 32 abortos a cada 1.000 mulheres em idade fértil contra somente 12 em 1.000 na Europa Ocidental, onde o aborto é amplamente legalizado (veja o primeiro item da seção ‘Abortion Law’ aqui).

 

3. “A legalização do aborto encoraja uma postura sexual menos responsável” ou “Se legalizar, ninguém mais vai ‘se cuidar'”

De certa maneira, a resposta ao mito 2 responde a este também, mas é preciso deixar claro:educação sexual e aborto são temas distintos. As feministas lutam pela descriminalização do aborto E por melhor educação sexual.

Acho que não é preciso lembrar que, quem não usa preservativo corre risco de pegar uma infinidade de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a AIDS. E ninguém sai por aí dizendo que a cura da AIDS encorajaria uma postura sexual menos responsável. Ou diz?

 

4. “Hoje só engravida quem quer”

Pois você sabia que a eficácia da camisinha gira em torno de 97 a 98%? E a pílula anticoncepcional em 98 a 99%? Ou seja, a cada 100 mulheres que tomam absolutamente todas as precauções para evitar uma gravidez, 1 a 3 podem terminar tendo uma gravidez indesejada.

Num país de mais ou menos 98 milhões de mulheres, isso representa de 980 mil a quase 3 milhões mulheres. É certo prender essas mulheres por abortarem?

Além disso, garantir a eficácia da pílula anticoncepcional não é tão simples assim. Muita gente não sabe, mas diversos medicamentos cortam o efeito da pílula. E se você esquecer de tomar a pílula um único dia e tiver tido relações sexuais na semana anterior, pode engravidar.

É justo condenar mulheres que engravidaram sob esta circunstância por optarem pelo aborto? Quem nunca esqueceu de tomar antibiótico um dia na vida que atire a primeira pedra.

 

5. “E se o bebê que você abortou tivesse encontrado a cura do câncer”

A Lola trata desse mito de maneira brilhante e eu complemento: E se a mulher que morreu em decorrência de abortamento inseguro tivesse encontrado a cura do câncer?

O ponto central deste mito é que é muito fácil idealizar a vida em potencial. Isso decorre, a meu ver, da ideia católica da “santidade da vida”. Quando se pensa num bebê, se pensa num anjinho inocente e indefeso. Não que esse bebê é responsabilidade de pais que podem não estar preparados para criá-lo e que um dia, talvez até independente dos pais que teve, possa se tornar um bandido, um estuprador, um líder neonazista, um masculinista…

Da mesma forma, para muitos é fácil condenar a mulher que aborta e imaginá-la como um monstro. Mas os dados mostram que essa mulher pode, na verdade, ser sua tia, sua irmã, sua mãe.

 

Conclusão

O que todos esses mitos têm em comum é a culpabilização das mulheres e a isenção dos homens de qualquer responsabilidade sobre a reprodução e mesmo sobre o aborto em si.

A discussão sobre a legalização do aborto tem que ser problematizada numa profundidade e sutileza muito maior do que a persistência de mitos tão primários expõe, e a velha mídia brasileira, que todos sabem ser retrógrada e conservadora, não tem interesse nenhum em promover debates mais complexos sobre o tema. Ainda bem que temos as mídias alternativas e grupos feministas ativos, como os citados neste post e muitos outros, para trazer uma outra perspectiva para a mesa.

E seguimos tentando para quem sabe um dia chegar a um Estado laico que preze pela escolha, pela saúde e pela vida de suas mulheres.

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20 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Anderson Henrique

dezembro 6 2016 Responder

Argumentos apresentados de forma contundente, mas não é uma verdade absoluta, visto que há divergência dentro da própria ciência a respeito das afirmações feitas aqui.
É importante ressaltar que seres unicelulares como bactérias e protozoários são classificados como vida pela ciência, diante dessa verdade, por que um zigoto não poderia ser classificado como ser vivo. Cientificamente, acredito que não tem como discutir, o feto é uma vida, e como foi originado por dois seres da espécie humana, é uma vida humana. Agora a grande questão é: o feto é uma pessoa dotada de direitos e interesses? A resposta lógica é não, mas aí surge outra questão: quem determina quem é dotado de direito e interesses? O próprio ser humano determina, pode uma vida humana determinar que outra vida humana não é uma pessoa humana? seguindo essa idéia poderíamos até abrir brechas para justificar o holocausto de Hitler ou a escravidão. Se temos um problema social que precisa ser resolvido, que tal tentarmos focar no problema e tentar dar suporte a essas mulheres do que colocar em pauta o sacrifício de uma vida para a resolução desse problema.

Marina Bittencourt

abril 2 2016 Responder

– Já abortei 6 vezes de maneira ilegal, estou grávida novamente de 5 semanas. Não tenho condições psicológicas nem financeiras de ter um filho, sou totalmente culpada e irresponsável por isso, não consigo dormir e nem parar de pensar sobre o que farei à respeito. Já pensei em suicídio. Não tenho religião determinada, mas acredito em Deus e em algumas ” teses” do espiritismo, acredito que nada disso está acontecendo por acaso. Estou nova ainda, já tenho duas filhas (10 e 5 anos) estou me reestruturando agora. No meu último aborto, quase morri, sou hipertensa e tive algumas outras complicações. Sei que todo mundo merece uma 2° ou até uma 3° chance, para voltar à não errar, mas uma 7° chance? Não sei!
Nunca escrevi para um Blog, coloquei na pesquisa : “Aborto é assassinato?” e apareceu esse Blog, que me deixou mais em dúvida ainda sobre o que fazer. Preciso de ajuda!

    Nome (necessário)

    outubro 13 2016 Responder

    Olá Marina,imagino a sua situação…Acredito que posso te ajudar…vc aceita?

Luan

janeiro 22 2015 Responder

Ótimo texto, estão de parabéns. Mas é lamentável como é apresentado um ótimo argumento como o texto, e vem um “cara” e diz simplesmente “Aborto em qualquer estágio da gravidez é assassinato e ponto!”. É como ler o texto e não aprender nada! Lamentável!

    Johnathan Lopes

    janeiro 22 2015 Responder

    Comentário machista e antifeminista apagado. Como foi sua terceira violação de regras dos comentários, você está bloqueado. Com um comentário que culpabiliza a mulher e repreende aliados do feminismo por assim serem, você não tinha futuro aqui. Adeus. RFS

Johnathan Lopes

janeiro 17 2015 Responder

Não sou intelectual e nem bem sucedido na vida igual os senhores Aldrovando e Gustavo mas é fácil expor uma opinião a esse respeito.

Aborto em qualquer estágio da gravidez é assassinato e ponto!
Não existe isso de o corpo é meu e eu decido o que fazer com ele. Se você tem outra vida dentro de si, você não tem mais esse direito de escolha. O aborto é um assassinato sem chance de defesa da vítima, Não é diferente de um assalto a mão armada onde a pessoa morre se não entregar o que na maioria das vezes custou muito trabalho para conseguir. Não interessa se o feto vai se tornar um bandido perigoso ou um cientista que vai inventar um modo instantâneo de viajar por meio de teletransporte ou a cura do câncer, aids, ou qualquer outra doença terrível. isso é problema da lei ou dele quando tiver consciência para agir.

Pode me chamar de machista quem quiser mas, na minha opinião, uma gravidez indesejada é culpa principalmente da mulher sim. Ela vai lá e faz o que quer e que só é da conta dela e do parceiro mas, ela sabe que o problema de gravidez indesejada vai gerar consequência maior pra ela e não se previne por quê? depois pega uma barriga que é o que de menos ruim pode acontecer e vai dizer que não queria e vai tirar porque o corpo é dela e ela faz o que quiser com ele? Fala sério né. Eu não sou contra aborto desde que a gravidez coloque em risco a vida da mãe. Um ótimo exemplo é minha própria esposa. ela tem Glaucoma que é uma doença degenerativa nos olhos e quando ela engravidou nós não sabíamos do problema. ela usa um colírio que causaria má formação do feto e eu pedi que ela tirasse o bebe por esse motivo. Ela não quis e parou de usar o colírio até um ponto seguro da gravidez e hoje meu filho é perfeito e acabou de completar 7 anos de idade. Também sou a favor do aborto em caso de estupro apesar de que é melhor que a vítima tenha um acompanhamento psicológico para tentar evitar isso uma vez que de forma alguma a nova vida tem culpa do acontecido também.

O fato é que violência só tem um fim justo se combatido da mesma maneira. precisa ser combatido com violência sim. Se a lei matasse um assassino salvaria várias outras vidas. assassinato em qualquer grau que não seja por legítima defesa precisa de pena de morte e não só o assassinato em si mas sim qualquer atividade que ponha em risco a vida de terceiros.

    Robson Fernando de Souza

    janeiro 19 2015 Responder

    1. Considerando que um embrião com três semanas é tão (não) senciente quanto uma planta ou um espermatozoide e você condena o direito da mulher ao aborto “em qualquer estágio da gravidez”, você considera a colheita de uma cenoura e a masturbação masculina assassinatos também?

    2. “Não existe isso de o corpo é meu e eu decido o que fazer com ele.” – Ou seja, você se arroga o direito de decidir pelo corpo das mulheres, é isso?

    3. “Pode me chamar de machista quem quiser mas, na minha opinião, uma gravidez indesejada é culpa principalmente da mulher sim. Ela vai lá e faz o que quer e que só é da conta dela e do parceiro mas, ela sabe que o problema de gravidez indesejada vai gerar consequência maior pra ela e não se previne por quê? depois pega uma barriga que é o que de menos ruim pode acontecer e vai dizer que não queria e vai tirar porque o corpo é dela e ela faz o que quiser com ele? Fala sério né.” – Ou seja, você é machista ao dizer isso, ao culpar a mulher, tentar mandar no comportamento dela, ignorar a possibilidade de acidentes (ex.: camisinha furada) e de relacionamentos abusivos e isentar o homem de qualquer responsabilidade por induzir a companheira a uma gravidez indesejada.

    4. “Eu não sou contra aborto desde que a gravidez coloque em risco a vida da mãe. […] Também sou a favor do aborto em caso de estupro” – Ué, agora você é a favor do que você mesmo chama de “assassinato”, mesmo que condicionalmente?

    5. “O fato é que violência só tem um fim justo se combatido da mesma maneira. precisa ser combatido com violência sim.” – Então por que o narcotráfico só tem piorado no Brasil, principalmente em SP e RJ, mesmo com as PMs desses dois estados matando mais do que todos os países que têm pena de morte legalizada somados?

      Johnathan Lopes

      janeiro 20 2015 Responder

      Comentário grosseiro e ofensivo apagado. Refaça-o sem as ofensas e grosserias se quiser comentar aqui. RFS

      Johnathan Lopes

      janeiro 21 2015 Responder

      Segundo comentário grosseiro e ofensivo apagado. Você não fez as remoções que eu exigi. Próximo comentário malcriado do tipo, você será bloqueado. RFS

      Johnathan Lopes

      janeiro 22 2015 Responder

      Peço ao moderador do blog que por favor exclua somente o que achar de tom “mau criado” ou desrespeitoso porque sinceramente não consegui compreender seu entendimento nesse comentário tendo em vista outros comentários que li inclusive direcionado a você. [Ok. RFS]

      [Trecho ofensivo apagado]
      Então sua visão inclui capinar um lote com ervas daninhas ou a pratica do sexo anal e oral? Você acha realmente que tudo tem a mesma importância? Você acha então que alguém que viva em estado mental vegetativo tipo como por exemplo com falta de oxigênio no cérebro e todo mundo sabe como fica alguém assim, você acha que a família deve se desfazer de uma pessoa assim? Como quem colhe um vegetal estragado?

      Você acha arrogante a mulher não ter o direito de decidir o que fazer com o corpo mas concorda que ela decida eliminar a vida que ela assumiu o risco de inserir no próprio corpo? Ela não está escolhendo aí o que fazer com o corpo? Isso não pode trazer riscos tremendos pra ela também?

      Não ignoro a possibilidade de acidentes e nem tento mandar no comportamento da mulher, somente acho que não há uma criança de 10 anos que não saiba o que é um método contraceptivo. onde eu moro se vê um monte de meninas lindas que se envolvem com maloqueiros, bandidos de todos os graus de classificação por achar que vão ter status de “EU SOU A MULHER DO BANDIDÃO QUE TEM MORAL NO BAIRRO” e quando querem sair dessa não conseguem porque o cara não permite. Você acha que outras tomam de exemplo? Ficam loucas para tomar este lugar também. isso é só um exemplo querendo dizer que elas fazem tudo que o cara quer para ficar ao lado dele. Você acha que em caso de gravidez alguém vai dar algum apoio a ela que tinha plena consciência do que ia fazer antes de começar? Se for o caso de um acidente como o preservativo estourar tem a tal pílula do dia seguinte que antes que falem que já seria uma visão de aborto, ela não causa efeito se a mulher já estiver grávida.
      é só ir rápido. Também não isento a responsabilidade do homem, Jamais permitiria uma mulher tirar um filho meu a não ser que isso gerasse algum prejuízo real a sua saúde. Mas nem todos pensam assim e é isso que elas devem considerar.

      Em caso risco a vida você não acha que poderia ser considerado tipo como legitima defesa?
      Mesmo assim, com risco a saúde dela, minha esposa correu o risco de ficar cega para ter o meu filho. Aí você quer considerar a mulher tirar uma vida que ela mesma provocou por fins estéticos. Que legal hein!

      [Trecho ofensivo apagado]

      Como você acha que os traficantes conseguem armas de uso restrito? Acha mesmo que a polícia não tem envolvimento com tudo que acontece de ruim em todos os nossos estados? Como acha que são formadas melícias? Os que são mortos tal como vários bandidos são por acerto de contas e se não isso são os poucos que estão fazendo a coisa certa. Agora vai me dizer também que você acha que um pai que bate num filho deve ser preso por educa-lo? Não leva em conta que a falta dessas palmadas pode levar a precisar da policia fazer isso depois. Acha certo que um bandido que mata um pai de família em um assalto merece um induto que lhe de o direito de passar o natal e páscoa com a família em casa mesmo considerando que ele volte no prazo estabelecido pela lei (o que nunca acontece) E a família de quem ele matou? Acha mesmo que um bandido que mata alguém não pode responder por isso porque são menores de idade? Acha que um país corrupto como o Brasil pode se comparar a qualquer outro do mundo? Você acha certo a mulher de um bandido receba uma pensão do estado de mais de 2 salários porque ele está preso enquanto um trabalhador honesto trabalha o dia todo por um salario mínimo para esse bandido roubar quando solto? Se for citar todas as leis absurdas ficarei aqui pelo resto do ano.

Gustavo, anarquista bizarro

dezembro 19 2014 Responder

Que festival de hipocrisia não é, senhor aldrovando? Então o senhor é um homem do povo? Defendendo os pobres e oprimidos da corja ateísta/abortista (whatever this shit means)?

Sim, senhor aldrovando, eu sou da elite. Eu possuo rendimentos que me permitem viver uma vida sem grandes dificuldades. Pode-se dizer que eu sou um privilegiado na sociedade brasileira. Moro em uma casa, não passo fome, se me organizar, às vezes, posso até me dar ao luxo de uma ou outra “excentricidade”. Coisa que muitos –se não a maioria– dos nossos compatriotas não têm/podem.
Eu possuo formação superior –coisa que a maioria esmagadora não tem–, tenho a (rara) habilidade de ler um texto e compreendê-lo –incrível, coisa que a maioria, mesmo entre universitários, nao consegue–, falo mais de uma língua e tenho o habito de ler. Isso tudo entre outras coisas que deveriam ser comuns em nosso país, porém, vergonhosamente, não são.

Isso, mesmo não sendo muito, qualifica-me como da elite brasileira. Não há motivos para ficar de peito estufado com esse fato. Ele só diz que inúmeras circunstâncias da minha vida me levaram a este ponto, circunstâncias intrínsecas e extrínsecas à minha pessoa.

O senhor, muito claramente faz parte dessa elite também. Somente pela qualidade de seus textos e pela desenvoltura com que o senhor “debate” –usando um eufemismo– mostra isso sem sombra de dúvida. Apostaria meu dedinho que o senhor não só faz parte da elite intelectual, como leva uma vida que nem de relance lembra a vida do povão, a quem, “muito amorosamente”, o senhor dedica seus textos.

Não perca muito o seu tempo com meu anarquismo, senhor Aldrovando, o senhor não sabe o contexto do “anarquista bizarro”. Sim, eu sou anarquista, porém eu sou um educacionista. COnsidero o estado um mal necessário hoje e, no hipotético caso de uma tentativa de tomada de poder de um exercito “anarco-blackblock”, eu pegaria em armas contra os vagabundos. Todos deveriam saber o que significa esse tipo de “revolução”. Na melhor das hipóteses um Robespierre.

Tenho plena consciência que meu anarquismo é utópico, justamente por isso que eu considero-o somente como “meu padrão de sociedade ideal”. E nada mais que isso. Se eu tivesse que me definir com um “ismo”, seria o realismo. Para mim somente o real é possível.

Vamos voltar para o aborto? Defina vida, senhor Aldrovando. Mas por favor não me venha com o papo de “positivistas ateus”. Seu conceito vale para outros animais?

Ninguém quer obrigar mulheres a abortar, ninguém quer destruir o núcleo da família, ninguém quer matar bebes de seis meses. O que a população que defende o aborto quer é o respeito ao direito que a mulher deveria ter de poder decidir o que fazer com seu corpo. Isso plenamente regulamentado, células não são um ser humano, senhor Aldrovando, mesmo que elas tenho o potencial de, ao continuar o processo de embriogênese, se tornar um. Quer a minha definição de vida, Senhor Aldrovando? Vida começa a partir do momento em que são constatadas ondas cerebrais –via EEG– no feto. Depois disso a mulher não está decidindo somente pelo corpo dela, tem outra vida na discussão e ela tem por obrigação preservá-la.

O que o senhor ganha com esse seu joguinho, senhor Aldrovano? Pensa que vai acabar com o aborto no nosso país? Não vai. Vai continuar o mesmo, mulheres ricas que querem abortar vão abortar, ou no exterior, ou em “clínicas de luxo”. Mulheres pobres vão morrer, ou ficar estéreis em “pulgueiros”.

Quem vai pagar o pato mesmo é a população carente que o senhor, enquanto fala que quer defender, está de forma inescrupulosa, manipulando. Ou melhor dando uma forcinha para que o povo fique mais confuso a respeito de um assunto tão pouco debatido e tão importante.

Gustavo, anarquista bizarro

dezembro 18 2014 Responder

Aldrovando, utilizar de artifícios semânticos funciona para a população em geral –o que é exatamente o que você quer–, mas não só não funciona com as pessoas mais esclarecidas, como mostra a sua total falta de capacidade argumentativa. Se você é a favor da manutenção do status quo, pelo menos aqui –e em outros sites do tipo–, por favor mostre dados convincentes e elabore uma resposta que não seja uma falácia atrás da outra.

Do contrário, fique só no facebook, lá você encontrará um exército de pessoas que “concordarão” com o senhor.

    Aldrovando Cantagalo

    dezembro 19 2014 Responder

    «Aldrovando, utilizar de artifícios semânticos funciona para a população em geral (…), mas não só não funciona com as pessoas mais esclarecidas»

    Pelo jeito, Gustavo, você se julga parte de uma elite, não é? Mais uma vez faz sentido o seu apodo de “anarquista bizarro”: com efeito, é bizarrice ser partidário do anarquismo, que é uma proposta extremada de igualitarismo, ao mesmo tempo em que se orgulha de fazer parte de uma elite de pessoas esclarecidas, felizmente colocadas acima da “população em geral”…

    Como você pôde constatar, não escrevo para as elites, mas para o povão, para a população em geral. Assim, meus comentários não se destinam à leitura de pessoas tão esclarecidas como você. Sinta-se, pois, desobrigado de acompanhá-los e respondê-los. Por favor, não perca seu precioso tempo dando atenção e importância a coisas que estão abaixo de seu elevado nível intelectual. Como diria a dona Florinda, não se junte com essa gentalha. Se meus argumentos são tão ruins como você diz, a atitude mais digna e justa é simplesmente ignorá-los.

    Quanto à população em geral, que são meus destinatários privilegiados, peço respeitosamente que continue a acompanhar meus comentários, a fim de constatar por si mesma minha “total falta de capacidade argumentativa”, se meus dados são convincentes ou não e apontar as falácias em que eventualmente eu haja incorrido.

      Johnathan Lopes

      janeiro 21 2015 Responder

      Eu entendi errado ou ofensas só são permitidas se escritas em outro idioma ou se não se dirigir diretamente a alguém? (whatever this shit means)?

      Imagino que os ditos intelectuais saibam o significado destas palavras não é?!

Gustavo, anarquista bizarro

dezembro 18 2014 Responder

Caro Aldrovando, se o senhor repudia o aborto simplesmente, caso engravide, não aborte. Da mesma forma mulheres que são contra o aborto não abortem caso engravidem.

Mas, por favor, não imponha suas vontades a terceiros.

    Aldrovando Cantagalo

    dezembro 18 2014 Responder

    Gustavo, realmente você é mesmo um anarquista bizarro. Pois de fato é uma bizarrice defender ao mesmo tempo a extinção do estado (a proposta do anarquismo) e a prática do aborto garantida pela legislação estatal…

    Ademais, não entendi a agressividade da sua resposta, nem por que eu não posso impor minha vontade a você, mas você pode impor a sua (a legalização do aborto) a mim.

    Por fim, agradeço a confissão indireta de incapacidade de responder à minha argumentação.

Aldrovando Cantagalo

dezembro 18 2014 Responder

1.Um feto sem cérebro, que não tem chance nenhuma de sobreviver, é vida?

Será que a ilustre e desconhecida autora, ou o autor do blogue, podem explicar como um ente sem vida pode sobreviver? Aliás, a que querem se referir quando falam em “feto sem cerebro”? Existem fetos sem cerebro?

Um óvulo fecundado é vida?

Se um ovulo fecundado não tem vida, então expliquem-me como ele é capaz de nutrir-se e desenvolver-se!

A Igreja Católica diz que é no momento da concepção

Não é só a Igreja. Também o Código Civil de 1916, feito por positivistas ateus, dizia isso no seu art. 4 (“desde a concepção”), o que foi repetido no art. 2 do Codigo Civil da Nova Republica, promulgado pelo também ateu Fernando Henrique Cardoso:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
E também não é apenas a legislação. Na verdade esta é uma constatação que resulta obvia, não somente da observação e experimentação biologica, quanto da simples logica.

Mesmo dentro da Igreja Católica, no entanto, há uma corrente dissidente chamadaCatólicas pelo Direito de Decidir,

Ora, se elas são dissidentes, não podem obviamente estar dentro da Igreja catolica…

Se não há definição em relação ao conceito de vida, a questão é somente moral e religiosa e daí, num Estado laico, cabe a cada um fazer a sua escolha. Moral e crença religiosa não se impõem com leis.

Outra falacia: ainda que não houvesse “definição em relação ao conceito de vida” [Trecho agressivo e ofensivo apagado. Argumente sem partir pro desrespeito, ok? RFS],a lei teria de impor uma definição. Por que a autora pretende que a lei imponha a moral dela e não a dos que dela discordam?

O ponto central é que um embrião não é uma pessoa dotada de direitos e interesses – ao contrário da mulher

Bom, não é o que está no art. 2 do Codigo Civil, em que se lê com todas as letras a expressão “direitos do nascituro”.

Porque o aborto inseguro é a terceira maior causa de óbitos maternos no Brasil.

Segundo o DATASUS, o aborto foi a causa de apenas 120 óbitos maternos em 2012:
http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/mat10uf.def
Por outra parte, segundo os mesmos dados, a tuberculose foi causa de 556 óbitos maternos no mesmo periodo. Se as feministas querem mesmo defender os interesses da mulher, por que não têm com a tuberculose uma preocupação 5x maior que com o aborto?

2.“Se legalizar, todo mundo vai sair por aí abortando”Em outras palavras, o número de abortos aumentaria, certo? Errado. É comprovado que nos países onde o aborto é legalizado, o número de abortos é muito menor do que nos países onde é criminalizado.

A experiencia uruguaia desmente a autora do texto:
http://blogs.diariodonordeste.com.br/update/justica/lei-aumenta-numero-de-abortos-no-uruguai/
Aliás, quem quiser procurar, vai ver que a mesma constatação se repete nos Estados Unidos e na Espanha, em que o numero de abortos disparou depois da legalização.

    Robson Fernando de Souza

    dezembro 18 2014 Responder

    1. Pra você, fetos anencéfalos nunca existiram? E células como espermatozoides e óvulos são seres vivos, inclusive capazes de se reproduzir?
    2. Se a lei supostamente laica diz que a vida “começa na fecundação”, isso quer dizer que a lei é justa e não tem nenhuma influência das denominações religiosas antiescolha?
    3. E por que os antiescolha, através da lei, impõem uma concepção de “vida” que engloba seres não sencientes, promove misoginia e mais mata do que salva vidas?
    4. Esse formulário de pesquisa é muito confuso e de difícil manuseio. Peço que, por favor, traga uma fonte acessível, mais fácil de se pesquisar e ler.
    5. Você homem não tem a prerrogativa de ditar às feministas o que elas “devem” defender, simples assim.
    6. Matéria confusa e manipulad(or)a. Ela não cita dados anteriores de aborto legal nas mesmas condições no Uruguai pra dizer efetivamente que o número de abortos aumentou. Nem é clara ao dizer se o número total de abortos – legais + ilegais – aumentou significativamente.

      Aldrovando Cantagalo

      dezembro 18 2014 Responder

      1. Pra você, fetos anencéfalos nunca existiram?

      Caríssimo Robson, pesquise e descubra que a medicamente chamada “anencefalia” não é ausência total de cérebro.

      E células como espermatozoides e óvulos são seres vivos, inclusive capazes de se reproduzir?

      Você não sabe a diferença entre um óvulo fecundado e um não-fecundado ou um espermatozóide? Não sabe que para formar um novo indivíduo humano é necessária a fusão de ambas as células sexuais? Por gentileza, pesquise o que significa cariogamia em ciências biológicas.

      2. Se a lei supostamente laica diz que a vida “começa na fecundação”, isso quer dizer que a lei é justa e não tem nenhuma influência das denominações religiosas antiescolha?

      Eu não disse que a lei seja justa — embora de fato ela seja, porque respeita uma instância da própria natureza humana. Eu disse que é injusto e inverídico dizer que só a Igreja catolica diz começar a vida na concepção. Esse é um dado da legislação e das ciências biológicas. Quem fez o primeiro Codigo Civil foi Clovis Bevilaqua que era positivista e evolucionista, e que por essas mesmas razões antipatizava com a Igreja catolica. Agora você é que deve provar que ele fez isso por influência de “denominações religiosas”: quem alega tem o ônus da prova.

      3. E por que os antiescolha, através da lei, impõem uma concepção de “vida” que engloba seres não sencientes, promove misoginia e mais mata do que salva vidas?

      Você está me acusando de misoginia? E com base em que você fala que a legislação mais mata do que salva vidas? E as vidas dos bebês, não contam pra você?

      Legislação que salva vidas é a legislação que pune quem faz aborto, que pune quem mata bebês indefesos.

      4. Esse formulário de pesquisa é muito confuso e de difícil manuseio. Peço que, por favor, traga uma fonte acessível, mais fácil de se pesquisar e ler.

      Infelizmente, o Ministério da Saúde, que promove oficialmente a ideologia abortista, dificulta o acesso a esses dados. Não é culpa minha. São dados oficiais. Se estiver mesmo interessado em se inteirar do assunto, você terá paciência e jeito para encontrá-los. Mas você não pode rejeitar uma prova simplesmente porque acha complicado acessá-la.

      5. Você homem não tem a prerrogativa de ditar às feministas o que elas “devem” defender, simples assim.

      Ora, por que não? Elas mesmas não dizem o que eu devo defender? Eu não tenho o direito de apontar contradições nos comportamentos alheios, comportamentos aliás que dizem respeito não à vida privada, mas à toda a sociedade?

      E “simples assim” não é argumento nem justificativa.

      6. Matéria confusa e manipulad(or)a. Ela não cita dados anteriores de aborto legal nas mesmas condições no Uruguai pra dizer efetivamente que o número de abortos aumentou. Nem é clara ao dizer se o número total de abortos – legais + ilegais – aumentou significativamente.

      Talvez estes dados sejam mais claros para você:
      http://en.wikipedia.org/wiki/Abortion_statistics_in_the_United_States
      http://es.wikipedia.org/wiki/Aborto_en_Espa%C3%B1a#N.C3.BAmero_de_abortos_en_Espa.C3.B1a
      http://elpais.com/elpais/2013/12/18/media/1387384587_836262.html
      http://www.abc.es/sociedad/20130610/abci-aborto-espana-aumento-201306091955.html

      [Trecho agressivo e ofensivo apagado. Argumente sem partir pro desrespeito, ok? RFS]

      Acho que se o texto fosse tão agressivo e ofensivo assim, você poderia reclamar como fez, mas não apagá-lo, para que todos os leitores pudessem conferir e confirmar a agressividade e a ofensividade do texto. Não desrespeitei ninguém, apenas reclamei da redação. Só que agora os demais leitores não podem confirmar o acerto do seu juízo subjetivo, porque você mesmo suprimiu a prova do fato. É simplesmente a sua palavra contra a minha.

      Eu, por exemplo, considero extremamente desrespeitoso ser tratado de “antiescolha”. Mas prefiro relevar sua falta de respeito para comigo, em beneficio do debate intelectual. Aliás, eu adjetivei o texto, não a pessoa que o escreveu. Você, pelo contrário, adjetiva a minha própria pessoa pejorativamente e não vê mal nenhum nisso.

Aldrovando Cantagalo

dezembro 18 2014 Responder

testando

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