08

dez14

Governo do Rio assume que trata alunos como coisas/produtos e vê escolas como fábricas

escola-linha-de-montagem-titulo

Uma publicidade bizarra do Governo do Estado do Rio de Janeiro acabou revelando como o governo dali vê a educação pública: como um sistema de fábricas que produz alunos-objetos a serem usados pelo mercado de trabalho e pela ordem social vigente. A peça de propaganda foi veiculada ontem em jornais estaduais fluminenses como O Globo (ver página 5 da versão digitalizada do jornal):

Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

A famigerada peça publicitária anuncia o programa “Fábrica de Escolas do Amanhã”, projeto que consiste em construir escolas públicas em grande quantidade a um ritmo acelerado. À primeira vista, essa proposta parece ser inovadora e valorizadora da educação pública, mas detalhes da propaganda mostram que a coisa não é uma maravilha.

Dois detalhes escancaram a baixa qualidade dessa educação a ser favorecida pela “Fábrica de Escolas do Amanhã”. O primeiro está embaixo, com a imagem do projeto 3D de uma das escolas, presumindo-se que todas terão a mesma arquitetura. É uma arquitetura que não soa muito diferente do que seria um presídio “moderno” ou uma fábrica – fechada, pouco contato com áreas verdes, confinadora, transmissora de uma sensação de estar num ambiente de estrito controle de pessoas.

E o segundo são as três crianças sentadas em carteiras em cima de uma esteira industrial. Essa imagem deixa a entender que o propósito dessas “escolas do amanhã” é pouco ou nada mais do que, ao pior estilo “Vigiar e Punir” (livro do sociólogo e filósofo Michel Foucault), fabricar seres humanos disciplinados, docilizados e submissos ao mercado de trabalho e à ordem social vigente.

Fica evidente que essas escolas, assim como as instituições de ensino já existentes no Rio e em todo o restante do Brasil, pretendem tratar seus estudantes como coisas, produtos a serem fabricados e lançados no mercado, bons robozinhos prontos para obedecer às empresas e ao Estado.

Diante de tal mecanicização do ensino, os espaços para o reconhecimento das individualidades, criatividades, anseios sociais, talentos próprios etc. das crianças e adolescentes são muito reduzidos. Não se forma seres pensantes ensinados a investigarem, interpretarem e intervirem no mundo, mas sim objetos utilitários “feitos” para trabalhar e servir.

Fica evidente como é que governos como o estadual do Rio veem a educação. E da mesma forma, evidencia-se também que a superação do sistema sociopolítico vigente passa necessariamente por superar esse paradigma de educação pública e reivindicar escolas que saibam que estão tratando com seres humanos, e não com objetos ou escravos.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

William Toledo

dezembro 11 2014 Responder

De fato é chocante a semelhança com trecho do filme “The Wall”. Fiquei na dúvida, é uma peça publicitária da prefeitura do Rio ou do governo do estado?

Carlos

dezembro 8 2014 Responder

Qual semelhança com pink floyd – another brick in the wall …

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo