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A inépcia da esquerda diante da manutenção do endireitamento de Dilma
Fonte: Governismo, a doença infantil. Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

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Pouco depois da reeleição de Dilma Rousseff, falei que a militância de esquerda precisava fazer pressão nas ruas para ela cumprir a tendência, desenhada no segundo turno, de ela virar à esquerda no seu próximo mandato. Mas ela abortou sua suposta esquerdização, deu uma banana ao eleitorado crítico, não governista, e radicalizou ainda mais seu endireitamento. E o que se vê na oposição de esquerda, diante disso, é inépcia, bastante palavreado para pouca ação.

Em poucas semanas, a presidenta ameaçou emplacar a ruralista Kátia Abreu no Ministério da Agricultura, nomeou o banqueiro neoliberal Joaquim Levy na Fazenda e trouxe o patrão usineiro Armando Monteiro como ministro do Desenvolvimento. E chamou Cid Gomes para a Educação – convite declinado por ele – e Anthony Garotinho para ser vice-presidente do Banco do Brasil.

Mas diante disso tudo, pouco ou nada se viu além de protestos localizados nas redes sociais da internet. Nada tem sido visto em se tratando de disposição para mobilizar-se e protestar nas ruas, mesmo que com um número inicialmente tímido de manifestantes como havia acontecido nas marchas contra Marco Feliciano em 2013 e contra Belo Monte em 2011. Só murmúrios de insatisfação: de uns, a expressão verbal da decepção; de outros, mensagens públicas do tipo “Eu avisei, viu?”.

Nem as ameaças de aumento nas passagens de ônibus e os indicadores de corrupção na hipócrita oposição tucana ao PT estão bastando para alimentar uma indignação na esquerda. O marasmo reina, prevalecendo a tradição brasileira de se falar, falar e falar dos problemas do país mas não se mobilizar nas ruas para exigir sua resolução – tradição essa que foi momentaneamente quebrada em junho de 2013 mas já voltaria ao “normal” em julho.

Tive a ilusão de que a esquerda que havia votado criticamente em Dilma ou recomendado o não voto em Aécio Neves estava preparada para pressionar a presidenta reeleita e não deixá-la endireitar de novo. Achei ingenuamente que havia a possibilidade de repetir as Jornadas de Junho à medida que Dilma impusesse novas traições aos seus eleitores mais céticos. Mas a realidade quebrou essa imaginação pollyânica.

Nem PSOL, nem PSTU, nem movimentos sociais apartidários, nem militantes independentes experientes com manifestações de rua. Ninguém tem marcado protestos, ou as mobilizações marcadas têm tido visibilidade de menos. O máximo que se tem visto são alguns abaixo-assinados no Avaaz ou Change.org, os quais a História tem ensinado que são bastante ineficazes quando levam menos de um milhão de assinaturas.

Nisso a sensação é de decepção completa. Tanto por Dilma, que traiu o último voto de confiança de muita gente e rasgou os votos críticos que havia recebido, como pela esquerda, que tem sido muito conformista. A perspectiva é que Dilma governe como Aécio Neves governaria, tal como entre 2011 e 2014 promoveu políticas de fazer inveja a José Serra, candidato derrotado de 2010. E promova, depois de tantos retrocessos e conservadorismos, a derrota do PT e a vitória do PSDB em 2018, já que seu endireitamento quase lhe custou a reeleição.

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6 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Fernando

dezembro 12 2014 Responder

O Jorge resumiu bem o que eu tencionava dizer, de modo que só me resta uma pergunta: é sério que a especulação de que o Anthony “tudo a 1 real” Garotinho é um indício de endireitamento do governo?

    Fernando

    dezembro 12 2014 Responder

    Ficou um baita vácuo sintático no meu comentário, mas acho que me fiz entender.

Ronaldo

dezembro 12 2014 Responder

Caro Jorge, a macro economia não é mais importante do que a micro economia. Deveriamos ser sêres autônomos, conscientes da realidade e da sociedade constituida. Sem esta cumplicidade social seremos controlados pelos falsos políticos (lavamos nossas próprias mãos). O mau político prefere ficar escondido na representação informal. Você conhece algum político que diz que não tem voz própria e de que ele é só um burocrata?

Jorge

dezembro 11 2014 Responder

O discurso esquerdista serve para ganhar votos. Na pratica o que realmente funciona a longo prazo é a ortodoxia econômica, e a Dilma sabe disso. É só a militância que ainda acredita em unicórnios vermelhos voadores.

Ronaldo

dezembro 11 2014 Responder

Robson, o que existe no Brasil é uma democracia egocêntrica. Politico verdadeiramente democrata faz questão de que o povo participe de sua gestão. Se falta sabedoria ao povo, o político deveria mostra e provar a sua sapiência ao povo. Há desde os bons aos maus políticos e há, também, os perdidos e sem rumo. Direita e esquerda estão no mesmo barco, quem nos dividiu não pensa no todo.

HELOISA HELENA

dezembro 11 2014 Responder

Somente uma frase: é de desanimar…

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