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dez14

O reacionarismo é uma forma de despolitização. Ou melhor, é antipolitização
Jair Bolsonaro, um dos líderes aclamados pelos reacionários, para impor uma ordem na qual a política aparente não ser necessária para os governados.

Jair Bolsonaro, um dos líderes aclamados pelos reacionários, para impor uma ordem na qual a política aparente não ser necessária para os governados.

Muitos reacionários assumidos posam como “politizados”, “defensores da democracia e da liberdade”, gente que “luta” contra a “ditadura comunista” e/ou a corrupção. Mas toda essa aparência de ativismo político oculta o interesse dessas pessoas de não precisarem mais discutir política a sério. O reacionarismo parece “politizado(r)”, mas é uma maneira de expressar e desejar despolitização, aversão à discussão política. É uma antipolitização.

Isso porque o reacionário (re)age com o intuito de calar o debate político. Ele não quer promover política, mas sim derrubar a oposição de esquerda para que possa se recolher novamente ao seu dia-a-dia sem que ninguém lhe questione as crenças que sempre teve. Não quer uma sociedade politicamente efervescente, mas em ordem, silenciosa – mesmo que tenha sido silenciada à força.

Isso é evidenciado quando pedem a restauração da ditadura militar, ou votam num potencial presidente civil de direita que, com o apoio da massa reacionária, reprima a esquerda e a force, com violência, a se recolher a um estado de insignificância. Assim os pejorativamente chamados esquerdistas pararão de tagarelar e deixarão “os cidadãos de bem trabalhadores” tocarem suas vidas “em paz”, sem as críticas de quem questiona as opressões.

Nisso o debate político é silenciado. A política deixa de acontecer de forma ativa e explícita nas ruas, dando lugar ao controle violento das opiniões, à ordem estabelecida pela força, ao silêncio das vozes que outrora desfrutavam da democracia para soar. Nisso se percebe que o reacionarismo é antipolítico porque é autoritário, é antidemocrático, quer uma sociedade em que falar de política, fazer política, “não seja necessário” para os governados.

Nisso puxa-se o gancho para outro aspecto da antipolitização reacionária. É o desejo de ser regido, arrebanhado, governado. É querer não precisar sair do estado passivo da obediência a um governante conservador-autoritário de direita. É não precisar pensar politicamente por conta própria, bastando seguir um líder para viver em ordem numa sociedade regida pela máxima “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Esse desejo de ser tocado e guiado é muito visível quando percebemos o que pede a direita que vai às ruas ou se expressa na internet, como pode ser observado nas vezes em que se foi às ruas pedir pelo impeachment ilegal de Dilma Rousseff ou por um novo golpe militar. Os manifestantes em questão cobram que outros façam por eles a História acontecer, ajam em nome deles, sejam esses outros o Congresso, o Supremo Tribunal Federal, as Forças Armadas ou um hipotético líder político de direita carismático e populista.

Não querem eles mesmos fazer a História acontecer, como ocorreu, por exemplo, vindo dos cidadãos nas ruas de vários países do Oriente Médio durante as revoluções da Primavera Árabe em 2010 e 2011. Isso inclusive pode ser visto como uma das características da direita brasileira: restringir o termo democracia a escolher pelo voto, ou pelo clamor golpista de uma parcela autoritária da população, quem vai governar.

Não é à toa que, com tal desejo de que outro(s) pense(m) por eles, os reacionários escolham para si um líder, um guru, um representante maior que os tutelem ideologicamente.

Daí vemos muitas dessas pessoas, por exemplo, clamando por Jair Bolsonaro para que se candidate a presidente, adotando Olavo de Carvalho como seu “líder intelectual”, seguindo Silas Malafaia por considerá-lo um porta-voz de Deus e revelador das vontades do mesmo, abraçando acriticamente as declarações opinativas de gente como Reinaldo Azevedo, Pondé e Rachel Sheherazade. Em outras palavras, buscam um ideólogo que lhes tragam ideias mastigadas, prontas para serem aceitas, obedecidas e consumidas e que lhes legitimem e realimentem os ódios e preconceitos.

Nisso a categoria reacionária mostra que quer alguém que se ponha como “herói” e “líder” da “guerra” contra os “inimigos”. Esses “inimigos” podem ser, por exemplo, os criminosos de rua, os militantes de esquerda, os discordantes dos dogmas da religião (ou do neoateísmo). Quer que esse “líder” e “herói” combata “os outros”, aqueles que dão medo, como, por exemplo, a esquerda (generalizada e rebaixada ao “comunismo totalitário”), os movimentos sociopolíticos que ameaçam o status quo (como o feminismo, o movimento dos não heterossexuais, o veganismo de libertação, o ambientalismo de esquerda e o anticapitalismo) etc.

A realidade ideal que essa direita radicalizada pinta é que o líder assuma, silencie à força a oposição, restaure a ordem que existia no passado e determine o que se deve e o que não se deve pensar e expressar. Daí vemos que o reacionarismo, por sua essência autoritária e sedenta de líderes políticos e/ou ideológicos, é uma expressão antipolítica, que busca a despolitização da sociedade. Quer eliminar a democracia e a necessidade de as pessoas governadas agirem como atores políticos. Quer “fazer política” tornando-a desnecessária para a manutenção da ordem. Ou seja, sua “política” é a despolitização.

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4 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Adriel

dezembro 14 2014 Responder

Só vejo ESQUERDISTA e COMUNISTA nessa página! Falam que a direita só despersa ódio mas esses esquerdopatas só estão rebatendo ódio com ódio sem nenhum argumento lógico!

Raphael Almeida

dezembro 3 2014 Responder

“Isso porque o reacionário (re)age com o intuito de calar o debate político. Ele não quer promover política, mas sim derrubar a oposição de esquerda para que possa se recolher novamente ao seu dia-a-dia sem que ninguém lhe questione as crenças que sempre teve.”

Cara quantas vezes tu censurasse aqui no teu blog e eu não fiz nada , uma vez foi porque eu disse que era contra o feminismo a outra porque eu aleguei que no teu texto faltou honestidade intelectual ,ou seja ,nas duas vezes não te xinguei nen te desrespeitei, apenas discordei da tua opinião coisa que tu ;DEMOCRATA DE ESQUERDA não tolera né. Pra mim A discordância essencial no debate político . Agora vê só, eu ainda insisto em dialogar contigo , mesmo tu não aceitando o meu direito de me expressar e discordar.Vou lhe dizer uma coisa Robson vc fala em democracia , debate politico ,etc. Mas no seu íntimo tem uma imensa dificuldade de conviver com opiniões dispares da sua e vem falar mal do nosso futuro presidente:Jair Bolsonaro, tenha mais respeito meu rapaz!!!! Um grande abraço meu amigo.

    Robson Fernando de Souza

    dezembro 4 2014 Responder

    1. Todos os seus comentários apagados violavam alguma regra de comentário, como a vedação ao antifeminismo e à agressividade.
    2. Eu já tinha dito uma vez que não iria discutir mais política com você, já que as discussões entre vc e eu, aqui no blog e fora dele, nunca dão qualquer fruto palatável. E vc mesmo tinha falado que não comentaria mais por aqui, já que alegadamente “não tolero” suas opiniões.
    3. Não vejo por que discutir com quem acha que um deputado cujo “programa de governo” é puro ódio seria um “bom” presidente.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo