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fev15

Mensagem para quem tem opiniões formadas pela mídia e está conhecendo a internet

midia-manipula

Você começou recentemente a adotar a internet como noticiário?

Já não recorre mais apenas à televisão e ao rádio como meios de informação jornalística e formação de opiniões?

Então escrevi este texto pensando em você.

Faço aqui um convite a explorar muito mais do que os sites maiores de notícias e descobrir algumas verdades sobre a visão de mundo que a mídia se esforça em fazer que você assimile.

 

O que a mídia esconde

Você, que está descobrindo a internet como meio alternativo de obtenção de informação e formação de opinião, terá agora a oportunidade de perceber algo que talvez nunca tenha notado.

Poderá perceber e pensar como a imagem da realidade, do mundo, passada pela mídia é algo cheio de ilusões, distorções e também mentiras.

Não é uma imagem fiel. E essa imagem não é transmitida com interesses neutros e imparciais ou objetivos altruístas. Ou seja, a imprensa não quer nobremente enriquecer o conhecimento das pessoas e fomentar o exercício do poder político democrático por parte de cada cidadão.

Em sua distorção da realidade, ela esconde de você muitos fatos e visões de mundo.

Listo abaixo diversos exemplos das omissões feitas, geralmente de propósito, pelo jornalismo das grandes emissoras, jornais e revistas e pelos programas populares não jornalísticos:

  • Boa parte dos crimes cometidos por políticos de direita, grandes empresários e filhos de ambos;
  • A responsabilidade de políticos de partidos como o PSDB, o PMDB, o DEM, o PSB e outros, nunca exclusiva do PT, na manutenção da corrupção, da desonestidade e da mentira na ordem política brasileira;
  • A existência de corruptores por trás das ações criminosas dos corruptos;
  • A presença, entre esses corruptores, de grandes empresas, como bancos, empreiteiras, construtoras imobiliárias, indústrias de armas, latifúndios rurais, megacorporações alimentícias e igrejas de fins lucrativos;
  • A existência de interesses públicos e democráticos legítimos motivando as lutas sociais, desde os movimentos de sem-teto e sem-terra até as ações black bloc, ambos tão demonizados nos telejornais;
  • O peso do passado histórico colonial e imperial em muitos dos problemas sociais, políticos e econômicos brasileiros;
  • As interpretações do mundo (econômicas, sociais, políticas, ético-morais etc.) feitas por intelectuais e populares adeptos de visões de mundo progressistas, defensores dos interesses dos mais pobres e vulneráveis da população e reivindicadores de um mundo mais justo e solidário;
  • A responsabilidade da pecuária e das grandes indústrias, assim como dos interesses políticos e econômicos de latifundiários e grandes empresários, na crise ambiental pela qual o planeta passa;
  • As discussões sobre os Direitos Animais e a situação de exploração que castiga bilhões de animais, muito além da divulgação do hábito de consumo vegano e vegetariano;
  • Os efeitos destrutivos da abordagem moral, social, política e econômica do neoliberalismo e do conservadorismo para a grande maioria da população mundial e o meio ambiente;
  • A urgência de se rediscutir e repensar o modelo de civilização hoje predominante no mundo;
  • A própria promoção, por parte dos meios de comunicação, de uma imagem de mundo distorcida e cheia de ilusões, omissões e mentiras.

 

O que a mídia distorce e manipula

Além da omissão proposital de fatos, outra maneira da mídia de massa de transmitir uma imagem fantasiosa do mundo é a deliberada distorção e manipulação de informações e aspectos da realidade. Dentre os exemplos de distorções, estão:

  • A imagem, comumente transmitida de forma estereotipada, depreciativa e extremamente preconceituosa, de mulheres, pessoas negras, pessoas trans, pobres das periferias, homossexuais, bissexuais, assexuais, ateus, afrorreligiosos, muçulmanos, evangélicos, integrantes de movimentos sociais, intelectuais e/ou militantes de esquerda, vegans e vegetarianos etc.;
  • O pensamento e atuação política da esquerda no Brasil e em outros lugares do mundo;
  • As consequências da aplicação das bandeiras políticas da esquerda;
  • A responsabilidade, geralmente exagerada e superestimada, do PT na cultura política de corrupção e iniquidade governamental;
  • Os reais efeitos da eventual legalização do uso de drogas hoje ilegais, do aborto e da eutanásia;
  • Os propósitos e objetivos dos movimentos sociais e/ou políticos envolvidos com conflitos contra a ordem social vigente, como sem-terras, sem-tetos, feministas, negros, LGBTs, anarquistas, socialistas etc.;
  • As razões de a polícia ser tão violenta ao reprimir movimentos sociais que estão protestando e ao atuar em comunidades pobres;
  • A necessidade de levar as discussões políticas às escolas, evitando as brigas partidárias e ideológicas;
  • O porquê e o contexto político, econômico e social dos problemas ambientais, os quais costumam ser tratados como mera questão de comportamentos individuais e domésticos (lixo nas ruas, desperdício de água e energia etc.) ao invés de algo que envolve a sociedade enquanto coletividade;
  • A “importância” superestimada de haver uma elite socioeconômica, política e religiosa ditando o que as pessoas “abaixo” dela devem pensar e fazer em suas vidas.

 

O que você pode começar a ver com ceticismo na imprensa

A partir do que este artigo revela, você agora tem a opção de passar a encarar com ceticismo muita coisa que a mídia noticia, ao invés daquela velha aceitação acrítica, em situações como quando:

  • Os programas policialescos defendem a radicalização da atuação da polícia – passando ela a ser ainda mais violenta e cruel do que já é – e a manutenção da “guerra às drogas” como “solução” para a criminalidade;
  • Os mesmos programas e os telejornais demonizam os protestos de rua e exaltam a repressão policial contra os “baderneiros”;
  • Os telejornais centram fogo pesado nos PT e seus membros, mas omitem ou diminui as denúncias e acusações igualmente  ou ainda mais pesadas contra gente de partidos como o PSDB, DEM e PMDB e as bancadas “Boi, Bala e Bíblia”;
  • São exaustivamente defendidas reivindicações conservadoras, como a manutenção da ordem social e econômica vigente, a repressão militar como “solução” para a “desordem” e a “baderna”, a perpetuação da criminalização do aborto e da “guerra às drogas”, o ganho e acúmulo de dinheiro e outros bens materiais como norte moral da sociedade e o combate seletivo à corrupção;
  • Programas “cristãos” associam crenças não cristãs e costumes e valores não conservadores ao mal;
  • Se fala de protestos, mas abordam muito superficialmente, ou sequer abordam, as razões de eles estarem acontecendo;
  • Os discursos “anticorrupção” e “pela moralização da política” focam em culpar um ou poucos partidos e pessoas, como o PT e os ex-presidentes Lula e Dilma, por tudo que há de antiético e iníquo na política brasileira, e inocentam ou diminuem a culpa de todos os demais partidos;
  • A imprensa se diz “imparcial”.

 

Que interesses há por trás dos noticiários e mesmo dos programas não jornalísticos

interesses fortes por trás desses comportamentos de omissão e manipulação promovidos pela mídia de massa. Dentre eles pode-se destacar, como exemplos:

  • A promoção do conservadorismo e do capitalismo como se fossem as únicas visões de mundo certas da história da humanidade;
  • A proteção da imagem institucional e do lucro das empresas anunciantes e de políticos aliados dos donos das corporações de comunicação;
  • O objetivo dos donos de TVs, jornais, revistas e portais de internet de nunca perderem suas concessões públicas de televisão, nem suas grandes propriedades (fazendas, mansões etc.), por ocasião de indício por algum crime que tenham cometido;
  • A manutenção da população num estado de ignorância e desinformação, de modo que ela nunca se veja como capaz de se manifestar contra os verdadeiros problemas sociais, econômicos, políticos e éticos do país e da sociedade;
  • A indução de mulheres, negros, homossexuais, pessoas trans etc. ao ódio de si mesmas(os) e à negação da própria liberdade, de modo que recorram às igrejas e aos produtos de beleza como maneira de “se tornarem felizes” e “de bem com a vida”, para que as igrejas e a indústria “da beleza” lucrem cada vez mais.

 

A quais veículos de comunicação recorrer, como alternativa à grande mídia

Uma dúvida que você talvez esteja tendo agora, depois de perceber que a mídia distorceu a sua visão do mundo por causa de interesses escusos, é: para onde recorrer, em se tratando de informação?

Uma sugestão que dou é que se diversifique o número de veículos de informação frequentados:

  • Portais de notícia confiáveis – e colunas desses sites, tomando-se cuidado máximo com sites demasiadamente tendenciosos e reincidentes em espalhar boatos;
  • Blogs de opinião;
  • Noticiários da TV fechada (caso tenha TV por assinatura);
  • Documentários históricos e sociais em sites e aplicativos de vídeo (como YouTube e Netflix).

Recomendo a você que nunca consuma o conteúdo desses lugares sem dar lugar a uma reflexão sobre o mundo. Sempre reflita sobre se aquilo que está sendo passado realmente faz sentido. Seja qual ideologia estiver sendo defendida, conservadora ou progressista, nunca as aceite sem questionamento e reflexão.

Além disso, algo também razoável que você pode fazer é aumentar, das maneiras possíveis para você, o contato com comunidades pobres, incluindo habitantes de favelas e pessoas em situação de rua.

Muitos de seus preconceitos sobre a população pobre e trabalhadora e suas demandas irão se esfarelar como talco, caso você tenha meios de entrar em contato regular com pessoas pobres.

 

Considerações finais

Essas medidas sugeridas permitirão a você pensar por conta própria, com independência e liberdade, e não mais permitir que os meios de comunicação em massa ditem verticalmente o que você “deve” pensar e acreditar.

É com senso crítico e autonomia de pensamento que você poderá se libertar de preconceitos e também de valores anti-humanistas que fazem deste mundo um lugar ruim para bilhões de pessoas humanas e não humanas viverem. A partir daí, um imenso mundo novo se revelará diante de seus olhos.

Então, a hora é essa de você declarar sua libertação da influência alienante da grande mídia e conhecer e pensar o mundo à sua própria maneira.

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2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Nathalie

Fevereiro 16 2015 Responder

Vocês estão de parabéns, ótimo texto.

    Robson Fernando de Souza

    Fevereiro 16 2015 Responder

    Obrigado, Nathalie. ^^

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