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fev15

Pela demolição da Via Mangue do Recife
Foto: Rafael Bandeira/Secopa

Foto: Rafael Bandeira/Secopa

Uma avenida do Recife que eu – assim como provavelmente milhares ou milhões de pessoas mais – gostaria de ver sendo demolida e apagada do mapa é a tal da Via Mangue, que liga a Ponte Governador Paulo Guerra, entre os bairros de Cabanga e Pina, às avenidas Gen. Edson Amâncio Ramalho, Fernando Simões Barbosa e Dom João VI, em Boa Viagem. Ela é um monumento ao que há de mais ultrapassado e excludente em se tratando de transporte público. Posso dizer, um monumento à vergonha, que simboliza o atraso, a carrocracia, a destruição ambiental, a injustiça social e a degradação estética no urbanismo recifense.

A Via Mangue está para o Recife assim como o Minhocão, cuja derrubada está sendo pretendida pela prefeitura, está para São Paulo e a Perimetral, já demolida, estava para o Rio de Janeiro. Os três são símbolos de uma época em que os carros eram/são a prioridade nas políticas de transporte e mobilidade, políticas essas que inclusive dão um gesto de dedo médio em riste para o meio ambiente.

A famigerada nova avenida recifense foi construída passando por cima de um dos maiores manguezais urbanos restantes do mundo, e também passa longitudinalmente acima de um dos rios desse mangue. Resultou no desmatamento de um bom pedaço desse manguezal, e cortou a entrada do que poderia se tornar um Parque dos Manguezais – uma área que, se a prefeitura da cidade tivesse uma visão ambiental decente, poderia ser comprada da Marinha e servir como maior atração ecoturística da cidade.

Além de ter nascido da destruição parcial de um dos ecossistemas mais ameaçados e agredidos do mundo, ela é um reflexo de uma política urbano-viária típica de meados do século 20 – aquela de construir mais e mais avenidas para dar passagem a um número estimuladamente crescente de carros. Visava originalmente “solucionar” ou aliviar o tráfego de transporte individual motorizado na zona sul do Recife, mas fracassou, já penando com engarrafamentos nos horários de pico.

Vale destacar, inclusive, que a Via Mangue não tem paradas de ônibus. Não atende a um público pobre, que não tem condições de pagar pela compra e manutenção de um carro, mesmo popular. Portanto, ela reflete também uma política elitista de privilegiar quem tem dinheiro para arcar com os gastos implicados pela posse de automóveis.

E para piorar, seu início, na Ponte Governador Paulo Guerra, corta a passagem de pedestres e ciclistas entre os bairros Cabanga e Pina. Não oferece uma opção segura a ter que passar pelo obstáculo entre calçada e pista e atravessar perigosamente a via. Desde suas pontas, a avenida foi pensada excluindo quem não usa carro.

Isso sem falar do enfeiamento estético da região de Pina e Boa Viagem. Bem que a ponte pseudoestaiada do início da via tenta lhe dar um ar de “bela”. Mas os viadutos do final da mesma, na ponta norte das avenidas que ligam a Antônio Falcão à Avenida Domingos Ferreira, e o fato de passar por cima do mangue e de um rio desmontam essa proposta estética. O efeito do aspecto de avenida elevada faz a via dar a uma parte do Pina e de Boa Viagem um prejuízo estético parecido com o causado pelo Minhocão paulistano no seu entorno.

Por esses problemas, defendo algo que muita gente vai considerar polêmico ou mesmo absurdo: a derrubada da Via Mangue, a restauração do mangue local (se possível) e sua substituição pela construção, nas avenidas Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar, de linhas de VLT que liguem a estação de metrô Joana Bezerra a Barra de Jangada, em Jaboatão. Isso, pese o desperdício de dinheiro representado pela construção da carrocrática avenida, implicaria uma justa mudança de prioridades na política de mobilidade urbana em Recife e região metropolitana, passando a se focar nas pessoas ao invés dos carros. E desfaria o estrago estético e até moral causado em Boa Viagem e Pina por causa do “furo” do mangue e dos viadutos.

imagrs

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Alexsandro

fevereiro 11 2015 Responder

Só lamento uma coisa sobre a via mangue : deveria ter sido construída há pelo menos 20 anos.

Comentario

fevereiro 11 2015 Responder

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