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mar15

Pérolas de direita #13

10-perolas-de-direita

TW (aviso): Algumas pérolas contêm machismo.

O Consciencia.blog.br traz mais uma coletânea de 10 pérolas de direita, incluindo comentários e imagens de pessoas ou páginas assumidamente de direita (conservadores/reacionários, neoliberais, teocratas cristãos, “libertários”, “anarco”capitalistas, nacionalistas, patriotas coxinhas etc., com prioridade para conservadores/reacionários).

Nas Pérolas de direita você encontra o que há de mais anti-inteligente, odiento, preconceituoso, opressor, autoritário, falacioso, irracional e fanático na direita brasileira.

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00121-policialarmado

Calem a boca, seus esquerdistas. Deixem o Bolsonaro filho violar a Constituição (Art. 5º, XVI) em paz e ir armado a uma manifestação pública!

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00122-honestidadeintelectual

Eu sim, de direita, é que sei o que é honestidade intelectual. Mesmo sendo usuário assíduo de falácias, manipulações grosseiras, espantalhos ridicularizantes, generalizações maliciosas e dos mais diversos preconceitos, eu posso definir essa expressão, e de quebra dizer que “comunistas não sabem o que é honestidade intelectual”.

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00123-nurembergdopetismo

Vamos fazer o “tribunal de Nuremberg do petismo”, enquanto protegemos de qualquer acusação e mesmo possibilidade de julgamento os nossos aliados.

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00124-fotomontagem

Vamos mudar o Brasil e amadurecer a democracia! Sabe como? Invertendo pra Dilma e Lula a montagem que fizeram com Aécio. #BaixariaPraMudarOBrasil

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00125-idiota

A Guerra Fria acabou em 1991 e esse ano vai fazer 24 anos que a União Soviética deixou de existir. Mas pra que lembrar disso quando podemos muito bem “pensar” e nos comportar como se estivéssemos na década de 50, auge dessa mesma Guerra Fria?

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00126-teologiadalibertacao

Vamos fazer uma imagem de ridicularização contra a Teologia da Libertação. De teologia em teologia, preferimos nossos aliados teocratas mentores e mantenedores da Teologia da Prosperidade.

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00127-tributo

– Fala bonita. Imagino que com ela você queira dizer que a população trabalhadora seja poupada de tanto imposto e o Estado brasileiro passe, ao invés, a cobrar mais impostos dos mais ricos e das grandes heranças, de modo a manter ou aumentar o poder de investimento em políticas públicas e obras estruturais. Acertei?

– Que absurdo! Seu comunista $&%@#&%! Grrrrrr!!!! O que eu quero é que os mais ricos, aqueles que lucram alto com o trabalho dos trabalhadores mais pobres, é que sejam poupados de tanto imposto, e que o Estado, ao invés de escolher uma classe pra aumentar a obtenção de impostos, diminua a arrecadação e perca seu poder de promover políticas públicas e obras estruturais.

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00128-karlpopper

Portanto, a grade solução é desistir, pra sempre, de sonhar em transformar o mundo num lugar que ofereça dignidade a todos os seres humanos. E se conformar com aquilo que ele hoje é, por mais miséria e sofrimento que traga a incontáveis pessoas. Né mesmo?

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00129-impostos

Você realmente acha que tô falando das classes trabalhadoras populares, ao invés de grandes empresários que querem desoneração pra aumentar seus lucros? Sabe de nada, inocente.

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00130-esquerdinha

Mais um produto das Indústrias Reunidas Preconceitual, mestre na incorporação de nobres valores institucionais, como o machismo e o capacitismo.

imagrs

1 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Fernando

abril 1 2015 Responder

A fala do professor Iorio (“pérola” número 7) é realmente bonita. A pergunta feita sobre essa fala também tem seu valor estético, embora se assente em dúvidas erradas. Agora, a resposta que foi maquinada, essa é inescapavelmente feia. Vamos ver:

“- Fala bonita. Imagino que com ela você queira dizer que a população trabalhadora seja poupada de tanto imposto” >>> Na mosca.

“e o Estado brasileiro passe, ao invés, a cobrar mais impostos dos mais ricos e das grandes heranças” >>> Não posso falar pelos outros, mas eu não quero essa configuração. Eu posso começar citando o caso francês: eles abandonaram o projeto de 75% de imposto sobre grandes fortunas (http://oglobo.globo.com/economia/negocios/franca-abandona-projeto-de-imposto-sobre-fortunas-14944744) porque isso estava gerando um êxodo de milionários (http://glamurama.uol.com.br/poderosos-franceses-levam-parte-de-suas-fortunas-para-fora-do-pais/) . Se eu fosse um cínico qualquer, diria que pelo ponto de vista da esquerda isso foi uma coisa boa, afinal quanto menos ricos maior é a probabilidade de haver igualdade.

Mas eu não sou um cínico qualquer. Não vejo essa situação como engraçada. Ver pessoas,
talvez a contragosto, tendo de abandonar sua terra natal apenas porque foi decidido que elas são vilãs ali – não por haverem feito algo de vilanesco e mau, mas apenas por serem o que são e estarem onde estão – e que, se quiserem continuar por ali, tem que contribuir a mais para a “sociedade” – que é sempre usada de forma genérica, justamente para esconder as intenções reais do governo para distribuir privilégios, sendo que aqui não falo do comparativamente irrisório Bolsa-Família – devido que já “tomaram” dela – perpetuando a imagem medieval/colonial do rico como explorador que nada devolve a quem criou sua riqueza, o que demonstra um enorme desconhecimento e uma visão mística do “progresso” – não é algo de que se possa rir.

Como se isso já não fosse horrível o bastante, temos do outro lado pessoas também. Pessoas que sofreram com esse êxodo de ricos e a queda no investimento estrangeiro (http://cdn.tradingeconomics.com/charts/france-foreign-direct-investment.png?s=francefordirinv&v=201503190943&lang=all) fazendo com que a economia crescesse bem abaixo do seu potencial. Dado que estamos falando de um país rico, com algum capital pra queimar ainda, não se pode falar em grande empobrecimento. Mas que a intervenção governamental rebaixou o crescimento econômico da França em relação ao seu potencial, ah, rebaixou.

“de modo a manter ou aumentar o poder de investimento em políticas públicas e obras estruturais. Acertei?” >>> Isto seria apenas dar ao estado o poder de levantar mais fundos para negócios escusos. O estado opera num vácuo social, onde ele não é sujeito à ordem espontânea do mecanismo de lucros e prejuízos. Em vez disso, ele possui o privilégio de, não importa a qualidade do serviço, continuar arrecadando. Esse privilégio estimula o mau uso do dinheiro recebido.

Políticas públicas podem ser substituídas com vantagens pela caridade privada. Obras estruturais podem ser tocadas via arranjos voluntários, se nelas for visto vantagem – basta lembrar que o Estado em si geralmente não toca obra, ele apenas licita.

“- Que absurdo! Seu comunista $&%@#&%! Grrrrrr!!!!” >>> Falácia do espantalho misturada com ad hominem. A intenção do autor é mostrar que todo direitista (na verdade, todo mundo que não compactua com as ideias dele) é uma pessoa desequilibrada e incapaz de manter uma discussão racional, e que possui até a habilidade de rosnar.

Alguém que em toda coleção de pérolas tem um cuidado tão grande em identificar as falácias alheias e apontar o dedo condenando-as aparentemente não tem o mesmo cuidado com o próprio discurso. Ou o autor possui um grande desleixo com as próprias palavras (grande mesmo, às raias da patologia) ou ele é apenas um grandessíssimo hipócrita.

“O que eu quero é que os mais ricos, aqueles que lucram alto com o trabalho dos trabalhadores mais pobres” >>> Um dado importante que foi negligenciado: com a anuência destes, cristalizada no ato de vontade que é assinar um contrato de trabalho. Sendo isto tudo voluntário, gostaria de entender o erro que o autor viu para colocar um laivo condenatório nesse trecho da sentença.

O trabalhador, dado que possui a força de trabalho, pode vendê-la. O capitalista, que possui o capital – que só ganha o poder de gerar valor quando operado por um trabalhador -, precisa do trabalho do trabalhador.

Para os marxistas, a explanação segue assim: o capitalista então tapeia o trabalhador para que este aceite um valor menor pelo trabalho e o explora, e se o trabalhador reclamar, que vá pra rua passar fome, porque tem um monte querendo a vaga dele. (Nota: não nego a verdade deste último trecho. De fato as coisas são assim. Os motivos pelos quais as coisas são assim dá pano pra manga de uma outra discussão.)

Eugen von Böhm-Bawerk, economista cuja morte completou um século no ano passado, pensou esta questão de forma diferente. Ele introduziu duas categorias as quais os marxistas não haviam levado em conta ao elaborar suas teorias da exploração: tempo e risco. Ora, o trabalhador, pela força do contrato que ele assinou, tem um valor mensal a receber. O capitalista, pelo contrário, tem de esperar um tempo incerto para conseguir obter lucro pelo trabalho do trabalhador. E ainda assim ele não sabe se vai efetivamente conseguir todo o lucro que esperava quando pôs o trabalhador a produzir. O capitalista, por ter de esperar mais tempo e enfrentar maiores riscos, acaba incorporando tudo isso na divisão dos ganhos, e por isso ganhando mais que o empregado, que está em uma situação relativamente mais estável.

“é que sejam poupados de tanto imposto, e que o Estado, ao invés de escolher uma classe pra aumentar a obtenção de impostos, diminua a arrecadação e perca seu poder de promover políticas públicas e obras estruturais.” >>> Comentar esse trecho seria me repetir. Me atenho a dizer que é exatamente isso.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo