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mar15

Por que as páginas antipetistas reacionárias mentem quando dizem ter a missão de “combater a corrupção”

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Uma categoria de sites, blogs e páginas sociais está ganhando cada vez mais destaque nesses últimos anos: as páginas reacionárias, assumida ou enrustidamente de direita, que dizem estar “lutando contra a corrupção”. Elas estão conseguindo enganar milhões de pessoas, que vão no papo delas e não percebem que elas estão mentindo e sendo hipócritas quando se autodenominam “bastiões da moral contra a degradação da política no Brasil”.

Atraindo desde reacionários assumidos até pessoas despolitizadas que não conhecem a história da desonestidade política e do mau governo no Brasil, elas promovem uma panfletagem de direita acusando o PT, Lula e Dilma Rousseff de serem “a raiz de todo o mal” na política brasileira. Pregam que “a solução” única ou principal é tirar Dilma do poder via impeachment ou renúncia e relegar o PT ao ostracismo ou mesmo à ilegalidade.

Não tem ficado claro, para as pessoas enganadas, que essa panfletagem usa o discurso “anticorrupção” não como causa legítima, mas sim como pretexto para buscar objetivos nada altruístas, honestos e pró-cidadãos. Em outras palavras, não é o fim da corrupção no Brasil que essas páginas querem, mas sim o atendimento a outros interesses, que não dizem respeito às demandas, necessidades e desejos da população sociopoliticamente excluída.

É fácil perceber que esse suposto desejo dos reacionários administradores desses sites “pelo fim da corrupção” tem limites nítidos e curtos. Eles denunciam apenas as iniquidades vindas do PT. Aliás, denunciam umas e inventam outras.

É mais que comum ver, misturadas com as denúncias antipetistas verdadeiras, notícias falsas, boatos propositalmente criados e propagados (alguns exemplos aqui) e imputações a Dilma e a Lula de crimes cujo cometimento nunca foi provado – como a acusação de que eles são “os chefes da quadrilha”. Julgam e condenam precipitadamente os presidentes petistas sem que haja provas – a não ser notícias de veracidade no mínimo duvidosa. Isso sem falar nas apologias e incitações a diversos preconceitos: machismo e misoginia, homo e lesbofobia, transfobia, racismo velado, elitismo pauperofóbico, xenofobia, intolerância religiosa, entre outros.

Não “só” as denúncias falsas e o múltiplo ódio contra minorias políticas são características da hipocrisia e da corrupção ética cometidas por tais páginas. Também é corriqueiro ver que muitas delas recorrem a um modo de se expressar fanático, irracional, emocionalmente desequilibrado.

Propositalmente fazem com que seu leitorado, ao invés de pensar no que podem ser as verdadeiras raízes da corrupção no Brasil, adira a esse movimento “anticorrupção” por ódio e fanatismo político. Induz-o a ser de direita não em defesa de ideais debatíveis como o livre mercado, o Estado Mínimo e a crença de que a ordem social vigente é “boa”. Mas sim em razão do que os formadores de opinião mandam que seus leitores creiam.

E a crença que “ordenam” que sua audiência tenha é que o PT é um partido extremamente maligno, praticamente demoníaco. Que ele é a origem e razão de toda a corrupção nos Três Poderes brasileiros. Que o PT é o partido “mais corrupto” da história brasileira – ou, quiçá, de todos os países com partidos do planeta. Deixam a entender que, se Dilma e o PT forem expulsos do Poder Executivo federal, tudo se resolverá no Brasil e o país se tornará o portador da política mais transparente, honesta e competente e da economia mais próspera e desenvolvida do planeta.

E não é “apenas” o “monopólio” petista da corrupção e da má gestão a crença propagada e incitada por esses sites. Também é muito comum ver acusações bizarras, claramente falsas e imbuídas com ódios sociais e criminais múltiplos, contra o Partido “dos Trabalhadores” e, eventualmente, movimentos sociais e partidos de esquerda (como o PSOL).

Os exemplos mais notáveis de acusações bisonhas e irreais são de que os governos petistas são “comunistas” e “bolivarianos”; promovem a “desordem moral”; “fomentam” o “homossexualismo”, a “promiscuidade” e o aborto – mesmo com o governo Dilma, incluindo a própria presidenta, tendo vetado e julgado mal diversas medidas que favoreceriam os Direitos Humanos e as liberdades civis de mulheres, homossexuais e pessoas trans – e “compram votos” dos mais pobres com programas de renda mínima como o Bolsa Família – sendo, muitas vezes, o próprio BF condenado nos discursos elitistas pauperofóbicos desse antipetismo fanático.

Esse reacionarismo disfarçado de “luta contra a corrupção” distrai o leitorado dessas páginas. Desvia-lhes a atenção perante as incontáveis corrupções cometidas por políticos não petistas dos poderes Legislativo (federal, estadual e municipal) e Executivo (estadual e municipal), por pessoas do Poder Judiciário e por grandes empresários e latifundiários.

O discurso de acusar o PT de ser “a raiz de todo o mal” protege evidentemente, e talvez propositalmente, gente do PSDB, do PMDB, do PP, do PSC, do PR e de tantos outros partidos. Esses políticos são tacitamente autorizados pelas páginas “anticorrupção” a mandar e desmandar na política brasileira e fazer o que bem quiserem com o dinheiro público.

Isso fica evidente quando notamos a ausência, por exemplo, de menções explícitas ou mesmo implícitas a escândalos como o “Helipóptero”, o aeroporto de Cláudio/MG, o Trensalão de São Paulo, os Mensalões do PSDB e do DEM, o caso do banco HSBC, o descaso da gestão da água em São Paulo, os escândalos estaduais e municipais, a sonegação de impostos por grandes empresas – incluindo as grandes corporações de mídia –, a grilagem de terras por latifundiários na Amazônia e no Cerrado, as inúmeras violações de Direitos Humanos no país e mesmo o envolvimento de partidos não petistas, como o PP e o PMDB, nos crimes denunciados pela Operação Lava Jato, o mais denunciado e alardeado esquema de corrupção da atualidade.

A intenção de tais páginas não é “combater a corrupção”, já que elas consentem a corrupção cometida por não petistas e empresas e protegem os mesmos. Mas sim derrubar o PT do poder, ainda que à força, mediante um impeachment ilegal – por não vir legitimado por provas formais que incriminem Dilma – ou golpe militar, e colocar no lugar de Dilma alguém da direita propriamente dita, seja um tucano, um conservador do PMDB ou um ou mais ditadores militares.

O interesse evidente, quando se defende a derrubada ilegal da presidenta e sua substituição por um presidente assumidamente conservador, é acabar com o pouco que tem sido empreendido de inclusão social nos últimos doze anos, pese a guinada à direita promovida pelo partido.

É empossar um governo direitista autoritário, que beneficie o grande empresariado, os latifundiários e tantas outras pessoas interessadas na manutenção de um estado de coisas pautado pela exclusão social, pelo silenciamento violento da esquerda e dos movimentos sociais, pela hierarquia social que divide o país entre privilegiados e excluídos, pela conservação da cultura da violência e do preconceito e pelo governar para poucos. E o pior, um regime político de direita em cujos três poderes a corrupção, o desgoverno e a cultura do privilégio são livres e impunes.

E para que esse objetivo seja alcançado, os formadores de opinião das páginas reacionárias pseudo-anticorrupcionistas fomentam uma falsa politização desprovida de senso crítico, racionalidade e (in)formação política, histórica e social e rica em ódio político e social, fanatismo, irracionalidade e intolerância.

Fazem o que os partidos fascistas faziam no século 20: doutrinar as massas por meio da incitação às paixões políticas fanáticas, eleger um ou mais “inimigos nacionais” contra os quais essas paixões se invistam, defender valores ultraconservadores e nacionalistas e, no final das contas, mobilizar essas massas fanatizadas para almejarem o triunfo de uma direita autoritária, fortemente violenta e esmagadoramente opressora.

Considerando todas essas características, fica muito evidente, às vezes quase óbvio, que essas páginas de “revolta” e “mobilização patriótica” mentem pesadamente quando declaram o objetivo de “combater a corrupção e o mau governo”. Seus interesses são outros, e passam necessariamente, ao contrário do que o discurso de tais sites tanto diz, pela manutenção ou radicalização de uma ordem corrupta, elitista, privilegista, intolerante e antidemocrática.

Por isso a parcela esclarecida da população, que tem senso crítico e ceticismo perante as tais páginas de direita “contra a corrupção”, mesmo que uma parte dessa fração populacional seja declaradamente de direita mas (sic) honesta e sinceramente contrária à desonestidade, tem a obrigação moral de desmascarar essas páginas. A farsa da “luta contra a corrupção” empreendida pelos antipetistas reacionários precisa cair o quanto antes, pelo bem da própria democracia, das liberdades, da honestidade, da cidadania e da transparência no Brasil.

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