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Governos estaduais declaram guerra contra professores, e páginas de “politização” coxinha protegem governadores antieducação
Governos estaduais declaram guerra à educação básica, rejeitando negociação e, no caso do Paraná, mandando a PM reprimir professores com brutalidade. Enquanto isso, páginas de direita protegem governadoers silenciando-se ou declarando ódio aos docentes

Governos estaduais declaram guerra à educação básica, rejeitando negociação e, no caso do Paraná, mandando a PM reprimir professores com brutalidade. Enquanto isso, páginas de direita protegem governadoers silenciando-se ou declarando ódio aos docentes

As últimas semanas têm sido de uma quase literal guerra dos governos estaduais de estados como São Paulo, Paraná, Pernambuco e Santa Catarina, além da prefeitura de Goiânia, contra a educação básica. Os professores das redes públicas desses estados estão em greve há semanas e, ao invés de acenos por negociação, têm sido respondidos ou com negação e fechamento a negociações, ou – no caso do Paraná – com cruel violência pela PM a mando do governo estadual.

Entre os paranaenses, há também a oposição ao desmonte da previdência pública dos servidores estaduais.

Têm-se multiplicado os relatos da guerra dos governos estaduais contra os docentes que lhes são subordinados, como esses conteúdos mostram:

Chico Alencar, deputado do PSOL, denuncia repressão brutal contra professores no Paraná

Página Ruth Sheherazade, “nêmese” de esquerda da comentarista Rachel Sheherazade, também denunciou repressão no Paraná e divulgou entrevista vazada do governador Beto Richa

Vídeo gravado por manifestante no Paraná durante repressão aos professores

Carta Capital denuncia repressão no Paraná

Professores em greve protestam em Pernambuco

Mais protestos em Pernambuco

Professores do estado de São Paulo já estão em greve há quase 50 dias

Governador paulista Geraldo Alckmin vira motivo de piada ao negar que rede estadual de ensino em São Paulo esteja em greve

Greves em SP, Paraná e também na rede municipal de Goiânia

Greve também em Santa Catarina

Enquanto os professores saem feridos nessa implacável guerra ora de violência física, ora de vontades, famosas páginas “coxinhas” no Facebook dedicam à luta deles ora um silêncio de cemitério, ora apoio à repressão e discursos de ódio contra os docentes. Algumas delas, que tradicionalmente fazem ou faziam apelos vazios à reivindicação popular de “mais e melhor educação” na timeline de seus curtidores, têm virado as costas para aqueles que realmente vão para a rua em nome de uma educação mais decente e valorizada.

Das páginas de direita promotoras de uma falsa politização, dez chamaram atenção por sua negligência ou oposição à luta dos professores:

1. A página oficial de Rachel Sheherazade não dedicou sequer uma vírgula às greves e protestos dos docentes nos últimos dez dias;

2. Os “Revoltados On Line” declararam ódio aos professores e mostraram que apoiam toda sorte de violência policial contra eles, acusando-os de “doutrinadores comunistas” e “petistas”;

3. A TV Revolta (cujas curtidas vêm misteriosamente caindo nos últimos meses), em mais de 160 postagens entre a meia-noite de ontem e a madrugada de hoje, dedicou um único post aos professores em luta. O post divulga um vídeo mostrando a repressão no Paraná, mas espertamente não descreve o que estava acontecendo ali nem o porquê de toda aquela violência, protegendo o governador Beto Richa, que é do PSDB;

4. A página “Movimento Contra Corrupção”, em mais de 200 postagens entre a meia-noite de 29/04 e a madrugada de hoje, não trouxe absolutamente nenhuma postagem sobre a luta dos docentes em vários estados brasileiros. Curiosamente, uma postagem acusava o governo federal por existirem escolas estaduais e municipais com paredes de taipa no interior do Nordeste;

5. A fanpage do “Movimento Brasil Livre”, uma das sensações do momento na direita brasileira, dedicou silêncio completo aos professores, não tendo trazido nenhuma postagem sobre o assunto nos últimos sete dias;

6. A página do “Vem Pra Rua”, uma das entidades que puxaram os protestos de 15 de março e 12 de abril, também lhes virou as costas. Nenhuma postagem sobre suas greves e protestos;

7. A página facebookiana da Folha Política também não dedica sequer um caractere ao que tem acontecido com os mestres, não tendo sido encontrado nada sobre o assunto nos últimos dez dias;

8. A fanpage de Luciano Huck, apresentador costumeiramente conhecido como “o maior/mais famoso coxinha do Brasil”, não deu um piu sobre a luta dos professores nos últimos dez dias, apesar de Huck dar declarações “politizadas” de vez em quando;

9. A “Quer Café?”, que no ano passado foi uma sensação com seu “humor” baseado em estereótipos preconceituosos, também não reservou um “A” para os docentes. Não é uma página dedicada à política, mas por várias vezes investe-se em falar (besteiras) sobre política e temas que atraem a atenção de cidadãos, como educação e segurança pública;

10. O Canal da Direita, em dez dias, dedicou um único post ao problema, posicionando-se contra os professores de São Paulo e culpando o PT federal por um problema de um governo estadual liderado por um alto nome do PSDB.

Isso deixa evidente que a direita “politizadora” incide em mentira quando diz que “luta por saúde e educação”. Em plena época de ascensão da direita no Brasil, páginas como as dez mencionadas desprezam a oportunidade de embandeirar a luta pela valorização da educação escolar.

Deixam claro, ao invés, que seu único propósito é atacar Dilma Rousseff, seu governo e o PT. E frisam que esses ataques têm a ver não com uma genuína luta por um novo governo contrário às iniquidades atribuídas aos petistas e promotor de desenvolvimento social e da transformação ética da política, mas sim apenas com interesses político-ideológicos – e às vezes lucrativos e comerciais – particulares.

Esse descaso da direita mobilizadora de “coxinhas” precisa ser denunciado, de modo que as pessoas parem de cair na conversa bonita dos grupos, empresas e políticos direitistas envolvidos com reivindicações tão falsas como a “valorização da educação”. Precisamos mostrar que os conservadores, neoliberais e militaristas, na verdade, não se importam nem um pouco com a educação pública e com o futuro de milhões de estudantes brasileiros.

E além de desmascarar as bandeiras “coxinhas”, prestemos nosso apoio – inclusive indo às ruas junto – aos professores. Tem estado nas mãos deles a esperança por uma educação básica realmente valorizada.

 

P.S.: Provavelmente precisaremos prestar esse mesmo apoio aos professores das universidades federais em breve. O Sindicato Nacional de Docentes do Ensino Superior (ANDES) já declarou indicativo de greve para o final de maio.

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3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Ercilia

maio 1 2015 Responder

PAIS RICO É AQUELE QUE COLOCA 75% dos hoyaltees do petróleo em prol da EDUCAÇÃO !
Além disso , ESTATISA A EDUCAÇÃO , E PAGA COM JUSTIÇA OS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO E OS PROFESSORES , PARA QUE ELES NUNCA MAIS PRECISEM APANHAR NAS
RUAS , NAS MÃOS DA POLÍCIA , A MANDO DE NENHUM GOVERNADOR RETRÓGRADO !
COM O PT NO GOVERNO A EDUCAÇÃO TIRA SEMPRE NOTA 10 Dez !

    Robson Fernando de Souza

    maio 1 2015 Responder

    Isso foi ironia, não foi?

Geovânia

abril 30 2015 Responder

Faltou mencionar a greve do Estado da Paraíba que f passou por situações semelhantes, inclusive foi declarada ilegal no dia 24/04 dando o prazo de 48 horas para retorno, podendo corta os pontos. Entraram com recurso, porém parece que foi negado e greve acabou.
Aí hoje às vésperas do dia do trabalho com o recebimento do salário e contra-cheque, viu-se que houve desconto no salário de professores e funcionários da educação.
Eu soube que houve gente que não teve desconto, ou seja, descontou daqueles que estavam em greve, mas outros que estavam mas não teve o tal desconto.
Eu retornei logo e tive desconto

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