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abr15

A necessidade das reivindicações qualitativas para a educação e de delimitar que ensino queremos
Panfletos virtuais de Aécio Neves (à esquerda) e Dilma (à direita), focando em números e em menções extremamente vagas a questões qualitativas (clique na imagem para vê-la em tamanho completo). Discutir a educação no Brasil passa necessariamente por pensar que educação se deseja, mas isso é comumente negligenciado.

Panfletos virtuais de Aécio Neves (à esquerda) e Dilma (à direita), focando em números e em menções extremamente vagas a questões qualitativas (clique na imagem para vê-la em tamanho completo). Discutir a educação no Brasil passa necessariamente por pensar que educação se deseja, mas isso é comumente negligenciado.

Tem-se o costume de se reivindicar “mais” e “melhor” educação. Da mesma maneira, acredita-se que adicionar mais professores, mais salas de aula, mais dinheiro de investimento, mais prédios escolares etc. e causar aumento em notas de avaliação estatal (IDEB nacional, SARESP paulista, SAEPE pernambucano etc.) fará a educação brasileira tornar-se substancialmente melhor. Porém há o defeito, quando o senso comum reivindica um ensino que lide com números positivos maiores, de pouco se pensar que educação se quer para os estudantes brasileiros.

Em outras palavras, foca-se muito no quantitativo, apela-se muito aos números como parâmetros da qualidade do ensino, mas não se sabe muito bem como seria a sonhada educação de excelência. Aliás, nem se sabe o que significa “de excelência” nesse caso.

Perguntemos a uma pessoa que fala muito de desejar “mais investimentos em educação, mais escolas e professores, menos reprovações e evasão escolar etc.” como seriam os princípios éticos, filosóficos e pedagógicos e os métodos didáticos prevalecentes no “ensino de qualidade” sonhado por ela. Provavelmente ela não saberá responder.

Ou assumirá a crença, facilmente refutável, de que o modelo escolar-educacional vigente de hoje já é capaz de, uma vez com os números de desempenho “certos”, formar cidadãos pensantes, críticos e politicamente interessados e não servos submissos à ordem sociopolítica, à moral vigente e ao mercado.

Não conseguirá pensar, na hora, que a atual tradição de ensino tem sido incapaz de formar alunos que estejam prontos para discutir a fundo sua sociedade, a moral cultural que norteia seu comportamento, a ordem que a hierarquiza, o sistema político que a rege.

Tem fracassado em prover a muitas pessoas o mínimo razoável de conhecimento de História, vide as pessoas que não conseguem se lembrar das consequências da ditadura civil-militar na sociedade brasileira, dos defeitos de cada um dos governos federais pós-redemocratização e da diferença funcional, fora a eleitoral, entre um(a) presidente da república e um(a) monarca.

E tem excluído de suas preocupações centrais o ensino de Sociologia e Filosofia, cada uma delas restrita a menos de uma hora semanal e repleta de dificuldades de serem ensinadas de uma maneira que toque de alguma forma a vida e a mentalidade dos alunos.

Além disso, o ensino não tem conseguido estabelecer parceria com a educação doméstica e, por exemplo, prevenir o bullying, o preconceito e a intolerância dentro e fora das escolas, exceto em experiências localizadas. Também não tem conseguido dialogar e conciliar adequadamente as liberdades individuais com a responsabilidade ética. Ou seja, mesmo a educação moral tem sido negligenciada e mal administrada na instituição escolar de hoje.

Fica evidente, quando consideramos esses problemas, que as manifestações de hoje que pedem por “mais e melhor educação” não têm um norte. Elas estão carregadas do desconhecimento sobre que educação se deseja para substituir o desvalorizado e deficiente paradigma atual de ensino.

Pensemos, com isso, que precisamos, antes de irmos às ruas pedir por uma escola “melhor”, como será essa escola idealizada, seu ensino, seus objetivos, sua estrutura organizacional, seus princípios ético-morais, suas responsabilidades socioambientais e políticas. Pedir por números positivos maiores só terá condições de promover ajustes periféricos e cosméticos na educação brasileira, o que no final das contas não vai conseguir, por si só, problematizar e começar a mudar a escola que temos hoje.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Ronaldo

abril 15 2015 Responder

O ensino massificado é falho. O único ensino que presta é por meio do diálogo. O professor devia: incentivar ao raciocínio do aluno e não ficar pensando por ele; o básico é ensinar o aluno a ler e escrever, depois disto o mestre passa a ser o livro (o livro não oprime o aluno e este faz o seu tempo); o professor passa a ficar a disposição do aluno. Esta é a minha proposta de ensino.

Luz 13

abril 14 2015 Responder

Gostei do Blog! Vejam ALINE falando sobre as mudanças reais que devemos efetuar no país! https://www.youtube.com/watch?v=17K_voaE8J8 … abraços!

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